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Investigação aponta 10 casos de corrupção no boxe nos Jogos do Rio

Por Da Redação |
| Tempo de leitura: 2 min
Foto: Stephen McCarthy/Sportsfile via Getty Images
Foto: Stephen McCarthy/Sportsfile via Getty Images

Matéria do jornal britânico The Guardian revela detalhes de todo o trabalho realizado nos últimos cinco anos

Investigação conduzida pelo canadense Richard McLaren a pedido da Associação Internacional de Boxe (Aiba) concluiu que lutas disputadas nas Olimpíadas do Rio, em 2016, tiveram resultados manipulados. Também haveria sinais de corrupção em combates das Olimpíadas de Londres, em 2012. O esquema teria atuação de juízes e árbitros.

Segundo McLaren, havia uma "cultura de medo, intimidação e obediência" entre todo o sistema de arbitragem. O investigador e sua equipe não deram um número exato, mas falaram em 11 combates manipulados na Rio 2016.

 O esquema operava da seguinte maneira: autoridades da própria Aiba arregimentavam árbitros e juízes para corromper lutas. Os árbitros e juízes selecionados para fazer parte do sistema eram cooptados nas seletivas olímpicas.

“Essa estrutura informal permitia cumplicidade e anuência dos árbitros e juízes, que eram designados para garantir resultados previamente acordados em combates específicos”, disse McLaren, que também fez relatórios importantes sobre esquema de dopagem na Rússia, em uma apresentação em Lausanne, na Suíça, nesta quinta-feira.

Sem especificar quem era o organizador do esquema, McLaren afirmou que os juízes e árbitros era informados sobre quem deveria vencer determinado combate horas antes da luta. O relatório tem um total de 149 páginas.

Um dos exemplos ilustrados é uma propina de 250 mil dólares (cerca de R$ 1,3 milhão) oferecidos a árbitros e juízes para que um boxeador da Mongólia vencesse um da França em uma luta semifinal. A denúncia foi feita por uma testemunha que presenciou a chantagem.

Uma das maiores controvérsias daquela edição foi o caso envolvendo o irlandês Michael Conlan. Nas quartas de final do pesogalo, até 56 kg, ele dominou a luta contra Vladimir Nikitin. Ainda assim, viu a arbitragem dar a vitória ao russo na decisão dividida. Curiosamente, o vencedor não conseguiu retornar ao ringue para as semifinais devido aos ferimentos causados pelo adversário. Naquela época, o irlandês chegou a chamar os dirigentes da AIBA de trapaceiros.

LONDRES 2012

 O relatório McLaren também apontou um envolvimento direto de um ex-presidente da Aiba, C.K. Wu, na manipulação de resultados antes e depois das Olimpíadas de Londres, em 2012. Ele teria instruído um diretor executivo da entidade a assegurar que lutadores turcos participassem do megaevento porque o país havia organizado um préolímpico de grande porte e com muitos recursos financeiros.

Wu também teria feito, supostamente, uma determinação para lutadores do Azerbaijão não conquistassem medalhas de ouro no boxe em 2012. Na época, a BBC fez um documentário mostrando que uma empresa daquele país havia feito um empréstimo vultoso à Aiba.

O dirigente comandou a Aiba e foi membro do COI (Comitê Olímpico Internacional) até o ano passado. Desde então a associação tem sido comandada pelo russo Umar Kremlev, que pediu a investigação. “A Aiba contratou o professor McLaren porque não temos nada a esconder. Também receberemos aconselhamento jurídico”, disse Kremlev.

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