CARIDADE Idealizadores do projeto ajudam com doação de alimentos e materiais de limpeza e higiene
Existem muitos grupos e comunidades que, movidos pela solidariedade, ajudam famílias de baixa renda com cestas básicas e outras doações. Esta atitude se tornou mais comum no período da pandemia, onde toda a crise piorou as condições de vida de muitos brasileiros.
Em nossa região, existe o grupo das CEB’s (Comunidades Eclesiais de Base), que é um movimento, a priori, composto por comunidades católicas, mas há vários membros não católicos que trabalham juntos apenas pela identificação com os ideais.
Noemia do Carmo Vieira Pradela, 67, é coordenadora da Comunidade São Marcos, da Paróquia Santana e conta que um dos projetos que a CEBs realiza desde o ano passado é o “Natal sem fome”, no qual fazem doações de cestas básicas com panetones e brinquedos para as crianças.
“No Natal do ano passado conseguimos atingir 200 famílias em doação de cestas. Em janeiro, percebemos que a necessidade das pessoas vem aumentando cada vez mais e começamos a pensar numa campanha que fosse direcionada para a cidade e surgiu a ideia da campanha “Araçatuba sem fome”, explica.

Na coordenação do projeto, além de Noemia, está o coordenador diocesano da CEBs Araçatuba, Czeslaw Kasia, a esposa Maria Buzati Kasia representando o grupo dos Vicentinos, Luci Demarchi Leite, secretária da CEBs, Francisco Ferraz Martins Filho, ex-secretário e atual realizador da live semanal “Araça-Papo”, e o Reverendo Paulo Sanda, representando a igreja Anglicana. No geral, o número de pessoas envolvidas é em torno de 15 a 20.
Vários outros grupos pastorais-sociais tem ajudado na doação de produtos, e outros na divulgação da campanha, como a Pastoral da Criança e pessoas de boa vontade. “Apesar de a maioria ser cristão, não é necessário pertencer a um movimento religioso”, acrescenta Noemia.
Em abril, o grupo teve a ideia de montar duas cestas, uma com alimentos e outra com materiais de higiene pessoal e limpeza, o que acaba saindo um pouco mais caro. Para angariar fundos, passaram a produzir sabão caseiro, líquido e em barra.
O produto é feito com óleo de cozinha usado, o que além de ajudar o meio ambiente também doa sabão para as famílias usarem na limpeza da casa, roupas e louça. Depois só acrescentam pasta de dente, sabonete e álcool gel na cesta.
“Mesmo assim as dificuldades foram aumentando, o número de famílias também, aí decidimos vender o sabão em pedra e com o dinheiro reverter na compra dos produtos das cestas, e isso tem dado muito certo. No momento, a nossa maior dificuldade está só na recolha do óleo. Não é fácil conseguir uma grande quantidade de óleo, mas ainda estamos conseguindo caminhar devagar”, relata. De acordo com a receita, para cada 1L de soda, usa-se 5L de óleo, o que resulta em 6 kg de sabão em pedra.

No momento, o movimento atende 40 famílias por mês, fora algumas que aparecem eventualmente, que às vezes precisam de um mês ou dois e depois se ajeitam sozinhas.
Mas ainda existem muitas famílias com situação de carência, são pessoas com problemas de saúde, idosos, ou com criança pequena, mães sozinhas que precisam manter a casa, etc. “Mas a gente visita a casa, acompanha, conversa e procura orientar essas famílias também. Não é só doar, como também orientar”, acrescenta.
A doação do sabão líquido é de 2L por recipiente e com a receita colada no frasco, para a família poder fazer o seu próprio quando tiver condições. Esporadicamente surge situações de necessidade e as pessoas pedem auxílio.
Como no inverno, quando o movimento também fez doação de roupas, mantas e pequenos cobertores para crianças. “Ás vezes as pessoas estão passando necessidade e apela pra nós e procuramos, na medida do possível, divulgar e atender”, diz.
SURGIMENTO
Normalmente se considera que a origem da CEBs se deu no começo dos anos 1960, como resultado da experiência de catequese popular em Barra do Piraí (1956) ou do Movimento da Diocese de Natal, ou ainda do Movimento de Educação de Base. Sua gestação e nascimento se deram no contexto mundial da Guerra Fria, quando o mundo era dividido entre o bloco comunista e o bloco capitalista.
Uma das motivações iniciais era suprir a ausência de padres nas regiões onde os desafios eram maiores, nas quais os batizados não tinham nenhum contato com um processo de evangelização. A auto-organização leiga preencheria esta lacuna, sob a autoridade do bispo local.
As conferências católicas de Medellín (1968) e de Puebla (1979) colaboraram decisivamente para sua evolução. Medellín preencheu o imaginário eclesial com a temática da Libertação e Puebla com a evangélica opção preferencial pelos pobres.
A partir de sua organização as comunidades começavam também a reivindicar pequenas melhorias nos bairros, mas, ao mesmo tempo, iniciavam uma caminhada para tomar consciência da situação social e política. Queriam a transformação da sociedade.
A opção preferencial pelos pobres foi a principal deliberação do CELAM de Medelin, onde a Igreja da América Latina expressou a sua preocupação com relação a grande maioria da população deste continente, que vive em condição de miséria.
GRITO
Os Grito dos Excluídos é um conjunto de manifestações populares que ocorrem no Brasil desde 1995, sempre no Dia da Independência. O objetivo é abrir caminhos aos excluídos da sociedade, denunciar os mecanismos sociais de exclusão e propor caminhos para uma sociedade mais inclusiva.
A origem é da Pastoral da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) em 1993. Hoje, diversos grupos, comunidades, pastorais e movimentos sociais participam da ação.
As manifestações contam com celebrações, atos públicos, romarias, caminhadas, seminários, debates, teatro, dança, música e feiras de economia solidária. Em Araçatuba é comum ser realizado um culto ecumênico em local público. Contudo, nos últimos dois anos não teve o encontro anual por conta da pandemia do coronavírus.
SERVIÇO
As doações podem ser feitas para:
Reverendo Paulo Sanda – (18) 98125-2804
Czeslaw e Maria – (18) 3301-6872 ou (18) 99127-9954
Pix: (18) 98125-2804
Facebook: AraçatubaSolidaria
*Maryla Buzati, estudante de Jornalismo e estagiária da Folha da Região
Fale com o Folha da Região!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.