ESTIAGEM SEVERA Concessionária que serve a cidade diz que está monitorando o nível de água do Tietê e tem feito campanha para consumo consciente
A seca histórica já faz pelo menos 53 cidades das regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste racionarem água. Em Araçatuba, o colapso do sistema de abastecimento ainda está distante, mas não descartado.
A Folha da Região apurou, ontem, que a concessionária GS Inima Samar está monitorando diariamente o nível de água do Rio Tietê para definir sobre um possível corte geral por um período de tempo ou até a suspensão mais severa da distribuição de água potável. Embora destaque que por hora qualquer mudança nos serviços está descartada, a empresa tem feito um trabalho de reavaliação a cada 24 horas e também campanhas de conscientização da população sobre o consumo consciente.
Segundo monitoramento do governo federal, o Brasil vive a pior seca dos últimos 91 anos. No Tietê, que já teve queda acentuada de seu nível nas últimas semanas, a estiagem está afetando até mesmo o transporte de carga na hidrovia Tietê-Paraná, um dos principais meios de escoamento da produção agrícola dos estados da região centro-oeste e sudeste do país.
Cerca de 30 embarcações estão paradas no porto de Pederneiras desde junho, quando começou o período de estiagem.
A GS Inima Samar está realizando, desde o início de julho, uma campanha para chamar a atenção da população para que consuma a água com atenção e responsabilidade. O objetivo é evitar um racionamento assim como houve em outubro do ano passado.
Além disso, medidas técnicas também já foram colocadas em práticas e a concessionária, que é responsável pelo abastecimento de água e esgoto de Araçatuba, está preparada caso precise fazer captação da parte mais profunda do Tietê.
“Recuperamos uma plataforma móvel que está pronta para ser levada para dentro do rio, caso ele continue abaixando. Ela pode ser deslocada a uma distância suficiente que permita manter o nível de captação, garantindo a distribuição de água em Araçatuba”, explica o diretor técnico da GS Inima Samar, Eduardo Caldeira.
BALSA
A balsa flutuante será testada nas próximas semanas e já está à disposição da concessionária, caso seja realmente necessário.
Embora o nível do Rio Tietê tenha reduzido e água esteja comprometida pela quantidade de alga que tem se formado no local, a GS Inima Samar possui equipamentos de última geração que tratam essa água e fazem com que ela chegue nas torneiras com qualidade e de acordo com os parâmetros estabelecidos pelos órgãos de saúde.
“Seguimos com o trabalho de excelência, garantindo água 100% tratada aos moradores de Araçatuba, mesmo com todas as imposições climáticas. Contudo, gostaríamos de chamar a atenção da população para utilize a água de forma racional e reveja alguns hábitos de consumo”, salienta Eduardo Caldeira.
A GS Inima Samar distribui, diariamente, 68 mil metros quadrados de água e realiza, mensalmente, 18.900 amostras para avaliar as características do que é disponibilizado para a população.
O abastecimento de Araçatuba é feito com 50% de água vinda do Ribeirão Baguaçu, 40% do Rio Tietê e 10% de poços artesianos.
RACIONAMENTO
A população de pelo menos 53 municípios em estados das regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste já está sendo afetada pelo racionamento de água.
As bacias dos rios Grande, Paraná, Paranapanema e Paraguai – que banham São Paulo, Paraná, Minas, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul – estão sob os efeitos da estiagem severa. Reportagem do jornal O Estado de S. Paulo publicada nesta sexta-feira (13) informa, com base em dados do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico, que o Brasil teve a menor entrada de água nos reservatórios dos últimos 91 anos em seus períodos chuvosos – de setembro a março passados.
Em Itu, no interior paulista, tem água nas torneiras dia sim, dia não, desde o início de julho, afetando 170 mil moradores. Os reservatórios têm o correspondente a 32% da capacidade. Na mesma região, a cidade de Salto também adotou rodízio.
Em Rio Preto, 100 mil moradores ficam sem água de 13 a 20 horas por dia. A represa municipal, que produzia 450 litros por segundo, agora fornece 300.
Há multa para quem insistir no desperdício: R$ 2,2 mil. Em Santa Fé do Sul, uma das represas secou e a outra opera com meia capacidade.
Na Usina Hidrelétrica de Porto Primavera, em Rosana (SP), a baixa vazão já formou ilhas no leito do Rio Paraná, prejudicando a qualidade da água e a matando peixes, segundo relatório da Companhia Energética de São Paulo (Cesp).
A queda no nível do rio levou à mobilização de equipes embarcadas para salvamento dos cardumes. Em 8 de julho, foram mobilizadas 16 equipes, com um barqueiro, um auxiliar e um biólogo especialista em ecologia aquática.
Fale com o Folha da Região!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.