AMOR Os pais, biológicos ou não, fazem papéis importantes na vida de jovens e crianças dando amor, acolhimento e sendo grandes parceiros
No dicionário, “pai” significa homem que gerou um ou mais filhos; genitor, progenitor, e também o homem em relação aos seus filhos, naturais ou adotivos. A palavra também vem de “pater” do latim, que deu origem a “pai” e também a “padre”.
O pai também deve proteger, cuidar, aconselhar e estar presente. Sendo assim, quando uma pessoa não tem o seu pai biológico presente, outra pessoa pode ser considerada pai ao cumprir esse papel.
Hoje (8), é comemorado o Dia dos Pais, data comercial, mas que carrega um sentimento de gratidão e respeito por todos aqueles que exercem a função de pai nas famílias, sejam eles mães, tios, tias, avôs ou avós.
"PAI-DRASTO"
Célio Rafael de Carvalho, 54 anos, começou um relacionamento com Rosimeire Aparecida de Souza, 53, há 27 anos e logo descobriu que ela tinha dois filhos. A Andresa, que na época tinha 12 e o Anderson com 5.
Ele conta que de início já ficou feliz com a novidade, pois ele não tinha filhos e rapidamente já começou a considerá-los. “Talvez eu tenha sido um pouco rude e brigado com eles algumas vezes, mas é porque criei-os e dei amor como se fossem meus filhos. Felizmente, eles eram obedientes. E ressalvo que foram criados com respeito”, relata Célio.
Célio conta que há 33 anos trabalha como motorista da saúde e que quando foi morar com eles passou por muitas dificuldades. Rosimeire estava desempregada, então ele vendeu seu carro, que era uma Belina, para conseguir uma casa. Revela que o pai biológico não era ajudava e não pagava a pensão dos filhos.
Após um tempo, a mãe conseguiu um emprego de costureira em uma cidade vizinha. “Ela saía de casa às 5h para trabalhar. A Andresa ainda era pequena e cuidava do irmão. Mas Deus é maravilhoso. Sempre fomos uma família feliz. Criamos eles com todo amor, carinho e com muitos princípios”, confessa.
Com o tempo a família cresceu. Hoje, Célio tem três netas, de 24, 12 e 7 anos. “Faço tudo por meus filhos e minhas netas”, afirma o vovô.
SOZINHO
Tanto mães quanto pais que criam seus filhos sozinhos precisam ser fortes e maduros para lidar com tudo sem o apoio de um companheiro. Benedito Moura tem 72 anos e já é viúvo há 23 anos, quando os filhos ainda tinham 10 e 12 anos.
Assim que sua esposa faleceu, ele comprou um caminhão para trabalhar. Viajava durante a semana e voltava para casa aos fins de semana. Em sua ausência, havia uma pessoa contratada para cuidar da casa e dos filhos. Essa senhora permaneceu no emprego por oito anos.
“Ela aprontava eles para a escola, deixava a janta pronta, então era alguém da casa mesmo”, diz Benedito.
Apesar das viagens, Benedito revela sempre ter tido uma relação boa com os filhos. Sempre estava com eles aos fins de semana. Aos domingos iam à missa juntos e depois saiam para comer fora. “Eu viajava, mas voltava e sempre via eles. Foi onde a gente conseguiu passar por essa temporada”.
O caminhoneiro acrescenta que não gostava de ser muito rígido e que os jovens tinham liberdade. Mas sempre conversava e explicava para eles sobre boas e más amizades e que os garotos sempre foram obedientes.
“Às vezes eu deixava até eles usarem o caminhão, sair com os amigos. Ou então, quando eu estava em casa a gente viajava junto. Saia cedo e chegava tarde da noite. Eu não descuidava, sempre estava junto deles”, aponta.
Atualmente, Benedito está namorando e diz que nunca escondeu nada dos filhos. “Eu não conversava com alguém no portão sem eles saberem quem é. Esse respeito a gente sempre levou e leva até hoje”.
Com essa vida, Moura conseguiu dar uma vida boa aos filhos, onde nunca lhes faltava nada e, como resultado aprenderam a se virar, cedo, adquiriram maturidade e hoje são homens adultos saudáveis e com filhos.
DATA
No mundo contemporâneo, o Dia dos Pais foi inspirado no Dia das Mães. A ideia foi de Sonora Louise Smart, filha de um ex-combatente da Guerra Civil Americana. Na comemoração do Dia das Mães, ela se lembrou de seu pai, que criou os filhos sozinhos após a esposa falecer no parto do sexto bebê. Em 1910, Sonora enviou uma petição à Associação Ministerial de Spokane pedindo que a data se tornasse oficial e foi o que aconteceu.
A celebração se difundiu por todo o estado de Washington e, posteriormente, aos Estados Unidos e foi oficializada em território nacional no ano de 1966. Lá a data é comemorada no terceiro domingo de junho.
No Brasil, as primeiras comemorações de Dia dos Pais datam do início da década de 1950. Em 14 de agosto de 1953, o publicitário Sylvio Bherinh preparou um concurso para homenagear três tipos de pais: com maior número de filhos, o mais jovem e o mais velho.
Várias entidades da imprensa promoveram o evento, causando grande repercussão. Após isso, o Dia dos Pais passou a ser comemorado no Brasil no segundo domingo de agosto.
Ao redor do mundo, o Dia dos Pais é comemorado em datas diferentes, conforme a história de cada país. A África do Sul acompanha a data brasileira. Argentina, Inglaterra e Peru comemoram no mesmo dia que os Estados Unidos. Canadá no dia 17 de junho e Grécia no dia 21. No Paraguai é no segundo domingo de junho.
Itália e Portugal comemoram no dia 19 de março, que é o dia de São José, esposo de Maria, por ter criado o menino Jesus.
*Maryla Buzati, estudante de jornalismo e estagiária da Folha da Região.
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