Para atender, Albergue Noturno São Jesus da Lapa precisa de autorização do Corpo de Bombeiros e da Vigilância Sanitária para reabrir
Alessandra Nogueira
O Albergue Noturno Senhor Bom Jesus da Lapa, de Araçatuba, completa 65 anos de existência, mas de portas fechadas. O prédio da instituição, que hoje funciona na Rua Clarismundo de Melo, 399, bairro Aclimação, precisa passar por adequações para atender às exigências do Corpo de Bombeiros e da Vigilância Sanitária, orçadas em R$ 80 mil, para voltar à atender a população em situação de rua ou pessoas em trânsito que não têm onde ficar, principalmente nos dias mais frios.
Fundado em 16 de junho 1956 pela benemérita Nair Madeu Falco, o albergue oferecia 300 pernoites por mês a moradores de rua, viajantes e a pessoas que vêm de outras cidades para trabalhar em Araçatuba. Em média, cem pessoas passavam mensalmente pelo local, que funcionou, até dezembro de 2018, na rua Tiradentes, ao lado da Igreja Senhor Bom Jesus da Lapa, na Vila Mendonça.
A mudança foi necessária, segundo o voluntário Rodrigo José de Atayde, porque o prédio da Rua Tiradentes oferecia risco à população e a Vigilância Sanitária exigia uma reforma do espaço, que possuía madeiramento e instalação elétrica antigos, além de vazamento e infiltração.
Conforme Atayde, não compensaria reformar o prédio, porque o comodato com a Igreja para o uso do espaço venceria em 2022. O imóvel, que pertence à Igreja Católica, acabou sendo demolido em janeiro de 2019.
No novo espaço, o Albergue Noturno funcionou informalmente, atendendo à população até abril de 2020, quando foi fechado por causa da pandemia. "Decidimos fechar devido à pandemia e também porque não tínhamos os alvarás da Vigilância Sanitária e dos Bombeiros", afirmou Atayde.
O prédio tem 11 terrenos, com uma área total de 2,7 mil metros quadrados e 1,5 mil metros de área construída. O local, que pertence à Associação São Domingo Sávio, abriga também a sede da Renovação Carismática Católica.
O local tem capacidade para atender 20 homens e dez mulheres, mas por causa da pandemia e da consequente necessidade de um espaçamento maior entre os leitos, terá de reduzir o atendimento para dez homens e cinco mulheres. Para isso, no entanto, os gestores do espaço precisam providenciar as adequações necessárias.
Dentre elas, é preciso instalar forro impermeável na cozinha, dispensa, refeitório, dormitório masculino e banheiros. A Vigilância Sanitária também exige reparos e pinturas das paredes, instalação de telas e reparo de fiação elétrica exposta. O custo está orçado em R$ 21 mil. Já o Corpo de Bombeiros exige a compra de hidrantes, extintores, mangueiras, luminárias de emergência e vários outros materiais de combate a incêndio, cujo orçamento fica em R$ 58,9 mil.

Uma possibilidade, segundo o voluntário, é isolar uma ala do prédio para o funcionamento do Albergue, o que reduziria os custos das adequações exigidas pelos Bombeiros para R$ 15 mil. "Devemos ter um posicionamento dos Bombeiros sobre o que pode ser feito para desmontar as passarelas que ligam uma ala a outra, para não configurar o mesmo prédio. Isso isolaria uma ala de 300 a 400 metros para o Albergue", explicou.
Sem recursos, a instituição estuda realizar uma campanha para viabilizar as adequações necessárias e voltar a funcionar em agosto. O espaço possui uma cozinha industrial para fazer pratos e vender em ações beneficentes, mas o Albergue necessita da ajuda da população para voltar a funcionar.
Os gestores estudam, também, voltar a servir o jantar aos necessitados enquanto não pode abrigar as pessoas no local. "Não podemos deixar as pessoas dormirem num prédio que não tem o AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros", lembra Atayde.
CUSTOS
A instituição mantém dois funcionários e tem um custo anual de R$ 80 mil, incluindo energia elétrica, material de limpeza e alimentação. Os recursos vinham de eventos como Carnaval, festa junina e a chamada Tarde da Costela, mas foram suspensos por causa da Covid-19.
O que manteve os funcionários até o mês de junho foi uma ajuda recebida de um leilão beneficente promovido pela Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), que repassou R$ 10 mil à instituição.

Outra ideia dos atuais gestores do Albergue é repassar a instituição para a Associação e Fraternidade São Francisco de Assis na Providência de Deus, de Jaci, entidade filantrópica cristã sem fins lucrativos que gere albergues, hospitais, ambulatórios médicos, dentre outros, nos Estados de São Paulo, Goiás, Paraná, Ceará, Pará e Rio de Janeiro.
"Eles têm um trabalho social de reabilitação destas pessoas. Uma coisa é continuar tocando o Albergue do jeito que estava; outra é ter uma instituição para gerenciar", disse Atayde.
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