Carlos Artur Ferrari Viana começou a produzir suas facas por curiosidade e hoje é um profissional respeitado e reconhecido
Desde os primórdios, o homem usa elementos da natureza para a construção de ferramentas. E elas não serviam apenas para cortar, amassar, defender e caçar. A beleza delas também dava status ao seu portador.
Por isso, a arte da cutelaria sempre foi muito valorizada. Na Idade Média, os antigos ferreiros que faziam as espadas e facas eram considerados pessoas especiais dentro da comunidade.
O mercado da cutelaria no Brasil cresce ininterruptamente há muitos anos. Anualmente, em São Paulo, acontece a Mostra Internacional de Cutelaria que reúne os melhores profissionais da área em um único encontro.
Vale ressaltar que cada uma das peças que são produzidas possui inestimável valor por serem consideradas como acessórios únicos. Isto eleva perceptivelmente o preço de cada objeto que leva a assinatura de seus artesãos.
A arte da cutelaria entrou na vida de Carlos há aproximadamente cinco anos. Ele conta que sempre gostou de lâminas e que tudo começou quando ele trabalhava com seu pai na propriedade rural da família.
A internet e a televisão ajudaram a popularizar a cutelaria artesanal no país.
“Um dia encontrei jogada uma mola de camionete, e tive a ideia de tentar fazer uma faca com aquilo, apesar de não ter nenhum conhecimento e nem ferramentas apropriadas.Lembro que tive bastante dificuldade com o desbaste do perfil de corte, pois estava utilizando uma lima de enxada. Levei vários dias para concluir e ao final tive fortes dores no braço e mãos pela falta de pratica”, conta Carlos, que também se lembra de que quando terminou o trabalho teve uma enorme satisfação pessoal. “Me senti orgulhoso pelo que havia feito”, relata o profissional.
Depois dessa primeira faca, Carlos diz que não parou mais e queria fazer outras e outras peças. Por isso, começou a buscar por informações da forma correta de fabricar uma boa faca.

“Dessa busca mergulhei totalmente nesse universo que só me trouxe alegrias e satisfação.A cutelaria artesanal é um universo muito vasto e o estudo e o desenvolvimento técnico são muito importantes”, afirma ele.
Dentre as peças Carlos produz, as principais são as facas para cozinha e para churrasco, e também vários tipos de facas para couro. A matéria-prima que ele utiliza é o aço com alto teor de carbono, que garante uma lâmina de boa qualidade. Para os cabos, é utilizado madeiras naturais e estabilizadas escolhidas pela sua beleza e resistência e materiais sintéticos.
“Todas as facas que produzi foram vendidas, exceto a primeira que está comigo até hoje.A cutelaria me trouxe realização profissional, pessoal e financeira. Hoje vivo exclusivamente da minha arte.Ainda tenho um longo caminho a ser percorrido na evolução técnica”, enfatiza.
O mercado da cutelaria no Brasil cresce ininterruptamente há muitos anos.
FENÔMENO
O artista araçatubense afirma que a internet e a televisão ajudaram a popularizar a cutelaria artesanal no país, que deixou de somente produzir uma ferramenta de corte para se tornar o objeto de desejo e colecionismo.
Um dos programas de TV com maior audiência entre os amantes desta arte está o “Desafio Sob Fogo: Vida ou Corte”, que é exibido pelo canal History. Em desafios que vão desde partir uma melancia no ar, quebrar blocos de gelo, bem como cortar cordas grossas, tubos, metais, os participantes deste programa concorrem ao prêmio de melhor cuteleiro.
Na versão latina, um dos destaques deste programa foi a engenheira de petróleo e professora universitária Juliana Baioco, de 34 anos, que se tornou a primeira mulher a fazer parte da competição.

Na internet, os amantes desta arte encontram uma grande variedade de canais especializados no Youtube. Um dos maiores é do curitibano Milton Rodrigues, que chega a ter seguidores até mesmo no exterior por causa da qualidade do seu trabalho.
O araçatubense Carlos destaca que algumas peças apresentadas na TV e a internet são verdadeiras joias, tanto pela sua arte, beleza, materiais utilizados e pelas mãos de quem a fabricou.“Cada peça é única, feito totalmente a mão e cada detalhe é pensado. Essa é uma tendência recente no Brasil”, explica o artesão que informou ainda que hoje está ampliando sua oficina, investindo em novos equipamentos e em insumos.
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