Araçatuba

Escola de Araçatuba arrecada absorventes para doar a mulheres carentes da cidade

Por Redação |
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AJUDA DO BEM Parte da equipe que atuou na arrecadação dos absorventes para doações em Araçatuba. Foto: Divulgação
AJUDA DO BEM Parte da equipe que atuou na arrecadação dos absorventes para doações em Araçatuba. Foto: Divulgação

Pobreza menstrual no Brasil é um assunto que vem sendo discutido cada vez mais; escoteiros estão ajudando na campanha

Carolina Marques

Uma campanha de arrecadação de absorventes ganhou adesão do Anglo Araçatuba, após o tema ‘Pobreza Menstrual’ ser tratado em sala de aula, pela professora Ayne Gonçalves Salviano.

Em parceria com o grupo escoteiro Dom Bosco de Araçatuba, os absorventes arrecadados foram doados em sua maioria para moradoras carentes do Bairro Águas Claras, em conjunto com o Projeto Amor, que já atua no bairro. A distribuição ocorreu no sábado (19).

A escoteira Thaisa Cabrera Santana conta que a campanha surgiu a partir do interesse despertado pelos próprios alunos da escola, após o tema ser proposto para redação.

 “Para nós, é muito gratificante. Sabemos que em tempos tão difíceis, como a pandemia, o nosso olhar deve estar voltado ao próximo, principalmente aos mais necessitados. Nós do Grupo Escoteiro Dom Bosco e do projeto Amor já atuamos nesse bairro quando realizamos uma campanha de arrecadação de alimento, e nesse momento pude notar quão carentes são as famílias, que não tinham condições nem mesmo para comprar os alimentos básicos, que dirá produtos de higiene, como os absorventes arrecadados”, destaca.

Na última sexta-feira (18), o grupo contou cerca de 8.264 absorventes arrecadados. Segundo Ayne, só uma aluna trouxe mais de 200, e a outra trouxe sete caixas com mais de 50 em cada uma delas.

A Pobreza Menstrual no Brasil é um assunto que vem sendo discutido cada vez mais. Um relatório do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) mostrou que 713 mil meninas vivem sem acesso a banheiro ou chuveiro em seu domicílio e mais de quatro milhões não têm acesso a itens mínimos de cuidados menstruais nas escolas.

900 mil mulheres não têm acesso a água canalizada em seus domicílios e 6,5 milhões vivem em casas sem ligação à rede de esgoto.

O fenômeno é afetado por outras variáveis envolvendo a desigualdade racial, social e de renda. Uma família com maior situação de vulnerabilidade e renda menor tende a dedicar uma fração menor de seu orçamento para itens de higiene menstrual, uma vez que a prioridade é a alimentação. De acordo com o estudo, a chance de uma menina negra não possuir acesso a banheiros é quase três vezes a chance de encontrarmos uma menina branca nas mesmas condições. Além disso, enquanto cerca de 24% das meninas brancas residem em locais avaliados como não tendo serviços de esgotamento sanitário, quase 37% das meninas negras vivem nessas condições.

Segundo a representante do UNFPA no Brasil, Astrid Bant, a ausência de condições sanitárias mínimas para que as pessoas possam gerenciar sua menstruação é uma violação de direitos humanos e uma condição que distancia o país do alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), como o ODS 3, relacionado à saúde e ao bem-estar.

A ONU (Organização das Nações Unidas) estima que uma entre dez meninas no mundo sofre com o impacto da pobreza menstrual na vida escolar. No Brasil, estima-se que a média seja de uma a cada quatro meninas. Em 2014, a ONU reconheceu o direito à higiene menstrual como uma questão de direito humano e à saúde pública.

 “A pobreza menstrual é um tema vem sido muito debatido ultimamente, algo que parece tão distante da nossa realidade e saber que motivados por uma professora jovens se propuseram mudar ao menos um pouco dessa triste realidade chega a dar esperança para o futuro”, finaliza Thaisa.

GOVERNO ESTADUAL

O Governo de São Paulo lançou, na última segunda-feira (14), o programa Dignidade Íntima, que vai investir mais de R$ 30 milhões na distribuição de produtos de higiene menstrual a alunas de escolas da rede estadual. A verba será aplicada pela Secretaria da Educação por meio do Programa Dinheiro Direto na Escola e vai beneficiar, principalmente, estudantes em situação de vulnerabilidade econômica e social.

“Nós temos razões de sobra para respeitar as mulheres, as meninas, as alunas e os direitos que elas possuem. Não pode ser a pobreza, o distanciamento, a vulnerabilidade a limitar a oportunidade de vida, principalmente na escola”, declarou o Governador na cerimônia de apresentação do projeto. “As professoras e diretoras sabem quem precisa ou não precisa de absorventes. E as que precisam, agora terão”, reforçou Doria.

A rede estadual conta com 1,3 milhão de alunas em idade menstrual, entre dez e 18 anos. Desse total, mais de 500 mil possuem cadastro no CadÚnico e são consideradas vulneráveis, enquanto que 330 mil estão em situação de extrema pobreza. Mais de 290 mil alunas são beneficiárias do programa federal Bolsa Família.

O novo projeto da Secretaria da Educação foi planejado para atender todas as alunas da rede estadual, mas priorizando as que estão situação de vulnerabilidade. A distribuição dos produtos será feita de forma a garantir a privacidade das estudantes a partir de boas práticas e sugestões de escolas estaduais. A partir de julho, a pasta irá orientar as equipes escolares para o atendimento.

”As alunas perdem até 45 dias de aula por causa do período menstrual. É um tema que precisa ser tratado com todo o cuidado para que essas alunas não sejam expostas”, destacou o Secretário de Estado da Educação Rossieli Soares.

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