A erosão é uma condição dental cada vez mais frequente em consultórios odontológicos, o que tem chamado atenção de dentistas e pesquisadores. Este tipo de desgaste dentário é causado principalmente pelo consumo excessivo de alimentos e bebidas ácidas, o que promove a remoção das camadas mais externas dos dentes. Forças mastigatórias, bruxismo e hábitos inadequados de escovação potencializam este desgaste. "O grande problema é que esta perda ocorre de maneira muito lenta, ao longo de anos, sendo identificada frequentemente em estágios moderados e avançados", explica a Profa. Dra. Marília Buzalaf, pesquisadora da Faculdade de Odontologia de Bauru (USP) e autora de mais de 100 artigos científicos sobre o tema.
O primeiro ponto a ser destacado é que a terapia principal consiste na redução do contato entre os dentes e ácidos. A longa lista de alimentos e bebidas pode ser resumida a refrigerantes, sucos naturais, bebidas alcoólicas e frutas cítricas. Neste sentido, o dentista e o paciente determinarão quais medidas podem ser seguidas para reduzir a frequência de consumo destes produtos. Como mudanças bruscas raramente são seguidas em longo prazo, as estratégias devem ser individualizadas, de acordo com a realidade e necessidades de cada paciente.
Além dos alimentos e bebidas, ácidos estomacais são extremamente danosos às superfícies dentárias, de forma que lesões erosivas são frequentemente encontradas em pacientes com refluxo gastresofágico, bulimia e anorexia. A Profa. Dra. Mayra Frasson Paiva, docente da Universidade Estadual de Londrina (UEL), esclarece que a terapia, nesses casos, pode envolver atuação conjunta entre médico, psicólogo e dentista para que a causa principal seja tratada de maneira efetiva.
"Pacientes de alto risco à erosão podem utilizar cremes dentais específicos. Dentre as diversas opções no mercado, os produtos contendo fluoreto de estanho ou cloreto de estanho são os mais promissores. Isto porque o estanho forma uma camada protetora resistente a ácidos e o flúor tem ação comprovada contra a perda de minerais dos dentes", destaca a Profa. Marília Buzalaf.
Várias marcas comerciais estão disponíveis no mercado e a informação sobre a presença de estanho pode ser facilmente encontrada no rótulo do produto. Esta dupla ação (flúor e estanho) tem se mostrado efetiva contra erosão, mas apresenta como efeito colateral principal a possibilidade de manchamento dos dentes. Assim, pastas contendo estanho devem ser prescritas para situações nas quais o risco de erosão foi determinado.
Outras medidas importantes se referem à escovação dos dentes. O uso de escovas com cerdas macias e a aplicação de pressão leve sobre os dentes reduzem o efeito abrasivo. Além disso, é recomendado que a escovação não seja realizada imediatamente após exposição a ácidos (tanto os ingeridos como os de origem estomacal). "Isto porque a camada mais externa dos dentes torna-se momentaneamente mais enfraquecida frente ao contato com ácidos", explica a Profa. Mayra Paiva.
Neste sentido, o consumo de laticínios e o uso de chicletes (preferencialmente sem açúcar) colaboram na reposição do mineral perdido durante a exposição a ácidos. No consultório, o dentista pode utilizar géis e vernizes com flúor para conferir proteção adicional ao paciente, com retornos determinados em função do risco e da severidade das lesões erosivas.
Matéria integrante de projeto de extensão universitária (PROEX-UNESP), sob coordenação do Prof. Juliano Pelim Pessan (FOA-UNESP).
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