Criada num cenário que parecia sinalizar um mergulho nas trevas, a Comissão Processante que investigou a compra de 16 veículos pelo município com recursos da União destinados ao enfrentamento da Covid-19 terminou como um céu de brigadeiro para o prefeito de Araçatuba, Dilador Borges (PSDB). O arquivamento das denúncias não só livrou o prefeito como ainda ajudou Dilador a restabelecer a maioria entre os vereadores.
Na última quinta-feira, por 11 a 4, o Legislativo rejeitou denúncias de infrações político-administrativas que teriam sido cometidas pelo tucano com a aquisição dos veículos. A defesa do prefeito conseguiu seduzir os parlamentares com o argumento de que esses carros foram usados justamente para o combate à pandemia, dando estrutura para as ações da Secretaria Municipal de Saúde.
Na sessão de 29 de março, em meio a fortes críticas à conduta do governo municipal, a Casa aprovou a criação da CP por 9 votos a 5. Colocaram-se, na ocasião, a favor da investigação, os parlamentares Arlindo Araújo e Boatto, ambos do MDB; os representantes do PV, Lucas Zanatta e Nelsinho Bombeiro; Maurício Bem Estar e Evandro Molina, do PP; Regininha (Avante), Cristina Munhoz (PSL) e Wesley da Dialogue (Podemos).
A crise nas relações havia se desenhado antes da criação da CP, quando Dilador conseguiu, de forma apertada, aprovar aporte anual de R$ 350 mil para socorrer a TUA (Transportes Urbanos Araçatuba). Quando a CP foi criada, uma surpresa no meio político havia sido a posição da bancada do PP, pela investigação, o que chegou a ser interpretado como pressão por mais espaço em cargos comissionados na Prefeitura.
Na quinta-feira, Maurício Bem Estar – vereador mais votado no ano passado com apoio do Dilador e membro da comissão – votou pelo arquivamento, restabelecendo a aproximação com o governo. Eleitas na base de Dilador, mas anteriormente favoráveis à apuração da compra dos carros, Regininha e Cristina Munhoz se alinharam ao governo. No final das contas, apenas Arlindo, Boatto, Zanatta e Molina votaram contra o relatório final.
A adesão a Dilador foi tão forte que de nada adiantou nem o esperneio de alguns vereadores, alegando terem recebido o documento, com mais de 200 páginas, apenas dois dias antes da reunião extraordinária ocorrida no Corpus Christi. Os defensores do arquivamento, obviamente, assinaram embaixo nas decisões de Dilador. E desde já, para o bem ou para o mal, assumem a responsabilidade junto com o prefeito.
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