Cultura

Dia Nacional do Deficiente Auditivo traz à tona debate sobre inclusão nas redes sociais

Por Redação |
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TÉCNICAS De acordo com a designer, ao criar conteúdos no Instagram, as melhores fontes para se utilizar são
TÉCNICAS De acordo com a designer, ao criar conteúdos no Instagram, as melhores fontes para se utilizar são "clássico" e "máquina de escrever", pois ambas favorecem a distinção dos caracteres. Crédito da foto: Joice Moretto

Designer afirma que as fontes são as principais aliadas para tornar as redes sociais acessíveis a todos

Da redação
Araçatuba
pautasfr@gmail.com

            Hoje (23) é celebrado o Dia Nacional da Educação de Surdos, ou Dia Nacional do Deficiente Auditivo. A data é um convite para chamar a atenção da população sobre a situação dessas pessoas, enfatizando a luta por condições de vida, trabalho, educação e inserção.

No estado de São Paulo há mais de 436 mil pessoas com deficiência auditiva. Já na região administrativa de Araçatuba encontram-se 8.562 pessoas com algum déficit auditivo, segundo a Base de Dados dos Direitos das Pessoas com Deficiência.

 A data reforça que é dever da sociedade incluir meios que possibilitem a independência dos deficientes auditivos no ambiente digital. Em 2020, uma pesquisa feita pela plataforma de dados BigDataCorp e o Movimento Web Para Todos apontou que apenas 0,74% dos sites brasileiros são acessíveis. 

No mesmo ano, o aplicativo Instagram obteve uma alta no número de usuários brasileiros, são 95 milhões pessoas que usam a rede, o que tornou a plataforma a quarta rede social mais usada no país, segundo o estudo realizado peloreport da We Are Social e da Hootsuite.

Mas, se pergunte, quantos usuários que você segue produzem vídeos e story legendados? Demorou para encontrar algum nome em sua mente? E você, como cria seus conteúdos? Conseguir fazer com que os sons virem palavras e possam ser escutados com os olhos é uma das ações para a inclusão digital.  

FONTES

O profissional de design trabalha duro para que a experiência do usuário seja a melhor possível, e é por meio de técnicas estudadas e desenvolvidas que é possível tornar o ambiente digital um meio mais acessível para todos. Isto ocorre pelo estudo das fontes.          

Antigamente, as melhores fontes para o meio digital eram as sem serifas, ou seja, aquela que não possuem prolongamentos nos caracteres. Porém com uma tecnologia mais avançada, hoje também é possível utilizar fontes serifadas, como a de jornais impressos. 

As características das fontes auxiliam na leiturabilidade das informações contidas num texto. A  designer e docente Joice Moretto explica que “para uma fonte ser legível, é preciso que os caracteres diferentes sejam identificados rapidamente. A ausência dessa característica aumenta o esforço do leitor para distinguir as letras, exigindo mais tempo de leitura para compreender o texto”.

De acordo com a especialista, para deixar seus conteúdos do Instagram mais acessíveis, como story e cards, é recomendado utilizar as fontes estilo ‘clássico’ ou ‘máquina de escrever’, já disponíveis no próprio aplicativo.

Ela relata que o estilo ‘clássico’ é uma fonte sem serifa, com caracteres distintos. Já o estilo ‘máquina de escrever’ apresenta elementos gráficos que favorecem a distinção dos caracteres.

Fora das opções do aplicativo, ela sugere a fonte sem serifa Franklin Gothic. Outra dica de Joice é a fonte Garamond, que tem característica como serifas e espessura de traço relevante, sem muito exagero.

Segundo ela, é importante estar atento às fontes com caracteres ambíguos. Isto é, as que possuem letras que podem gerar confusão no leitor, como o clássico exemplo da fonte Arial, em que o ‘i’ maiúsculo e o ‘l’ minúsculo são parecidos e causam confusão. 

OLHO

No estado de São Paulo há mais de 436 mil pessoas com deficiência auditiva. Já na região administrativa de Araçatuba encontram-se 8.562 deficientes.

INCLUSÃO

            A sequência da leitura dos textos, especialmente nas redes sociais como o Instagram, valorizam a lógica da oralidade e a escuta da língua escrita. Porém, em alguns momentos, ignora as particularidades que cada grupo possui.

Desta maneira, Joice aponta que é preciso considerar o usuário ao escolher os elementos gráficos como tipografia, cores, gráficos, imagens e planejar diagramações para deixar o conteúdo claro e direto.

            "Ainda é válido ressaltar que além das fontes é preciso lembrar que o fundo da imagem também influencia no texto e por isso precisa ter um bom nível de contraste", explica a designer.

O contraste utilizado de modo correto ajuda aqueles que têm baixa visão e pessoas daltônicas a identificarem de forma clara as informações, de acordo com ela.

Elementos sem funções e informações desnecessárias, como imagens com ícones e hashtags, e o excesso de informação podem atrapalhar a experiência do usuário com algum tipo de deficiência.

Com o intuito de promover a inclusão, a hashtag ‘para cego ver’ está sendo utilizada nas legendas dos posts em diversas redes sociais, e tem a função de descrever a imagem aos deficientes visuais ou transcrever o texto que está dentro do card.

O Instagram também tem o recurso de ‘texto alternativo’, que permite acrescentar detalhes das imagens para facilitar o entendimento dos deficientes visuais.

MUDANÇAS

A profissional destaca que o Instagram iniciou neste ano a tag “close captions”, que colocará legendas automáticas no story. Mas o recurso só será ativado caso o produtor do conteúdo adicioná-lo aos seus vídeos.

A ferramenta ainda é um teste e por isso não está disponível a todos os usuários. O recurso de legenda automática funciona apenas em vídeos do IGTV.  

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