Slide

Animais mudam o cotidiano das pessoas. Adoção responsável é fundamental

Por Tiago Lotto |
| Tempo de leitura: 7 min

Araçatuba

Carolina Marques e Tiago Lotto

pautasfr@gmail.com

Trazer um novo membro para a família não é uma questão simples, afinal, um cão ou um gato podem transformar o lar das pessoas. Geralmente essa transformação é para melhor.

A Folha da Região ouviu pessoas e especialistas que destacam a importância de oferecer cuidados, bem-estar, respeito e, acima de tudo, amor ao bicho de estimação, que será um novo ‘filho’ em seu ambiente familiar.

Quando se adota um animal de estimação, o tutor tem direito e deveres com o novo integrante da casa e deve dar uma estrutura básica para o bem estar do cachorro ou gato.

A advogada Gabriela Reis explica que quando se pensa em adotar um animal, a pessoa deve considerar o tempo de vida média e ver se ele cabe nos planos futuros. Calcular os novos gastos mensais também é indicado, pois os animais precisam de alimentação adequada, higiene, cuidados veterinários, castração, vacinação, entre outros.

Deve-se pensar, também, no espaço que será destinado ao animal e, ainda, calcular um tempo para trocar afeto com ele. “Há um dever de verificar se o estilo de vida que se pode oferecer é o adequado para o animal”, comenta a advogada.

Quem adota também tem seus direitos sobre o animal de estimação. Segundo a advogada, a jurisprudência diz que o animal não é tratado como coisa, mas sim reconhecido como um membro da família. Então, podemos dizer que o tutor tem o direito de guarda. “Assim, caso alguém doe um gatinho, por exemplo, e depois o queira de volta, é uma questão a ser decidida no judiciário”.

Denúncia

Caso alguém perceba que o tutor não está cuidando bem de seu animal, a pessoa pode denunciar. Gabriela diz que o ideal é que, junto à denúncia, sejam levados fotos ou vídeos confirmando as alegações, ou até mesmo uma testemunha. A denúncia não precisa ser feita em delegacia especializada.

“Exemplo: o cãozinho do vizinho chora o dia inteiro, a noite toda, ou late muito a todo tempo, pode ser um indicativo de que o animal não anda recebendo os cuidados adequados. E cabe ressaltar que não só os donos podem praticar atos de maus-tratos, mas petshops, hotéis para animais, médico veterinário e afins. É possível, também, fazer denúncia anônima pelo disque denúncia. Essas denúncias são muito importantes, pois quem é capaz de maltratar um animal pode ou já está maltratando um ser humano”, ressalta.

O tutor que também não dá vacinas e não leva ao veterinário regularmente pode causar algum problema ao tutor. “Se não tem tais cuidados mínimos, configura-se maus-tratos. Bem como, não aplicar remédios, deixar faltar água e não o alimentar”.

Quanto à pena para quem maltrata animais, se tratando de cães e gatos, recentemente, houve um aumento da pena para o crime de maus-tratos, de modo a proporcionar uma punição mais efetiva, podendo resultar em reclusão de dois a cinco anos, multa e proibição da guarda. “Entendendo-se maus-tratos, não apenas como atos praticados contra os animais, mas também a omissão de cuidado com estes”, explica.

O abandono de animais também configura crime, pois é compreendido como uma das formas maus-tratos.

As denúncias podem ser feitas no CCZ (Centro de Controle de Zoonoses) ou na Guarda Municipal. Em Araçatuba, o CCZ atende pelo fone (18) 3636-1180 e a guarda pelo (18) 3636-1240.

Projeto de Lei

Recentemente, a Câmara de Araçatuba aprovou um projeto de lei que visa à divulgação, no site da Prefeitura, dos animais disponíveis para a adoção no CCZ (Centro de Controle de Zoonoses).

A justificativa do projeto, que é assinado pelo vereador Luís Henrique Machado Boatto, diz que a superpopulação de animais abandonados é uma realidade, especialmente em grandes centros urbanos.

“Animais sem lar e sem tutores são um problema social e ambiental, pois são focos de doenças, eles podem reviram o lixo em busca de alimento, atacar pessoas, correm risco de morte por atropelamento ou envenenamento, podem sofrer maus-tratos e passam frio, fome e sofrimento”, traz parte da justificativa.

O objetivo é estimular a adoção dos animais que foram recolhidos pelo CCZ, e que aguardam por um novo lar, através dos meios eletrônicos. Os animais disponíveis contam com a vantagem de já estarem devidamente protegidos contra as doenças das quais mais frequentemente são acometidos, e podem ser adotados com todas as vacinas necessárias administradas, castrados e vermifugados.

Abandono

O CCZ registrou um aumento no número de gatos abandonados e diminuição no caso dos cachorros, durante 2020 e inicio de 2021.

No período de março de 2020 ao mesmo mês de 2021, foram resgatados 312 cães e 142 gatos, enquanto no período de abril de 2020 a fevereiro de 2021, foram 192 cães e 181 gatos.

Segundo a Prefeitura de Araçatuba, os dados não podem ser relacionados à pandemia, pois não foram levantados os motivos do abandono e não houve estudo científico, porque muitos animais são encontrados em locais onde não há tutores. A mesma também ressaltou que mesmo em meio a pandemia, o serviço de Bem-Estar Animal não foi interrompido.

Os interessados pela adoção devem apresentar documentação pessoal, comprovante de residência e serem maiores de 18 anos. Ao visitarem, serão acompanhados por responsável que esclarecerá as condições de saúde do animal. Também é garantido pelo CCZ que o animal adotado sairá saudável, com exame negativo de leishmaniose e vacina contra raiva.

Filhos de quatro patas

A relação do ser humano com os cães e gatos evoluiu significativamente com o passar dos anos. Isso trouxe uma mudança comportamental grandiosa na sociedade, que passou a cultivar ideologias e hábitos tais como de ter menos filhos e de conferir ao animal o papel de membro da família, fazendo com ele viva no interior da casa, durma na cama dos donos e compartilhe o orçamento familiar, sendo cuidado e assistido com toda atenção.

"Ele é meu coração fora do peito, é parte da família, não há como negar. Ele está comigo literalmente todos os momentos em que pode estar e nos que não pode, minha vontade é levá-lo comigo. Ele passeia de carro, dorme, caminha, fica triste, fica feliz comigo, me recebe todos os dias com o maior carinho do mundo, e me deixa feliz quando não tô tão legal. Trato ele como filho mesmo. Um filho que nunca cresce", descreve a auxiliar de marketing Stephany Alcanjo ao falar de seu cachorro, o Harry.

Ela diz que cuida do animal periodicamente, dá vacinas, remédios, leva ao veterinário e manda ao petshop toda semana para dar banho. "Além de ser essencial pra mantê-lo saudável, também me garante que ele tenha uma melhor qualidade de vida e, consequentemente, que tenha uma vida mais longa, já que eu gostaria que ele fosse eterno mas infelizmente não é, pelo menos tenho a segurança de saber que ele recebe todos os cuidados necessários pra saúde e bem estar dele”, falou.

A jornalista Ana Carolina Castro também trata sua cachorra Cora como sua filha. "Ela traz uma alegria enorme para a casa, traz amor carinho. O fato de você chegar em casa e ver que ela tá te esperando com bolinha na boca para brincar é muito gratificante. É como um filho, a gente cuida, quer proteger contra a maldade do mundo”.

Cora chegou a ela como um presente sua avó, depois que a cachorra dela deu cria. Ana Carolina acha importantíssimo dar os devidos cuidados que um animal necessita. "Levo ao veterinário sempre pra ver se está tudo bem, se a gente vê que ela está diferente, já marcamos uma consulta. As pessoas precisam entender que o animal precisa de cuidados. Se ele não está bem, não pode deixar para ver se vai melhorar, tem que levar ao um especialista", finaliza. 

O’hara e Guertz

A química Maisa Cavazzana é mãe da cadela shih tzu O’hara Cavazzana e do gato vira lata Guertz Henrique Cavazzana. Ela mora com os pais e com o irmão e afirma que a família é composta por seis integrantes.

“Não temos como falar que somos em 4, até porque O’hara e Guertz já fazem parte da família há anos. São tratados como filhos, com todo o amor possível”, disse a química para a reportagem.

O pior momento de Maisa foi quando a cadela fez uma cirurgia de retirada do útero. “Fiquei com o coração na mão, muito aflita. Mas a cirurgia foi excelente e O’hara voltou para casa curada”, completou Maisa.

Parceira

Já a fêmea shih tzu July é filha do casal Luis Antônio e Deleide. Segundo eles, a cachorra é companheiro em todos os momentos da vida, inclusive no momento da vacinação contra a Covid-19.

“Ela fica só observando e sabe o momento que vamos sair. Quando vamos perto do carro, ela já se prepara para nos acompanhar. É nossa filha querida”, disse Deleide, que nesta semana levou July até o ponto de vacinação contra o coronavírus.

FOTO: Angelo Cardoso/Colaboração

Fale com o Folha da Região!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários