A vereadora Cristina Munhoz (PSL), que foi acusada de desacato por uma médica veterinária do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Araçatuba e também alvo de uma nota de repúdio do diretório local do PSOL, se pronunciou sobre a polêmica que virou caso de polícia neste fim de semana, envolvendo ela e o marido, um policial militar aposentado.
A PM e Guarda Municipal foram chamadas no CCZ neste sábado porque a veterinária se sentiu intimidada pelo marido da vereadora, que queria forçar a entrada do casal na repartição. O caso foi parar na Polícia e nesta terça-feira o diretório do PSOL emitiu uma nota de repúdio contra a vereadora.
Cristina disse, em entrevista à Folha da Região, que na semana passada a primeira vez que esteve no CCZ foi para averiguar o caso de um cachorro capturado na região central de Araçatuba. O animal era cuidado por moradores de um edifício e ela estava tentando tirá-lo da rua. Depois ficou sabendo que havia sido encaminhado para o Centro de Zoonoses, onde foi sacrificado.
Segundo a vereadora, apresentaram três exames do cachorro, para leishmaniose. Um deles havia dado negativo. Ela estava questionando o fato do sacrifício do animal, mesmo antes da chegada de uma confirmação do resultado pelo Instituto Adolpho Lutz. A segunda visita foi para apurar denúncia de que havia filhotes de gato em situação de maus tratos. Segundo Cristina, no sábado ela retornou ao local para pegar esses filhotes, que estariam sem os devidos cuidados.
Ela entende que está tendo cerceados os seus direitos como vereadora, para fiscalizar o poder Executivo e suas repartições. Sobre a nota de repúdio, Cristina diz que prefere nem comentar e atribui a diferenças de ideologias políticas. “Eu nem conheço esse pessoal e nunca falei com eles. Fizeram isso por diferenças em ideologias políticas”, disse.
Cristina afirma ter provas de tudo o que falou e disse que já esteve na delegacia e na terça-feira irá apresentar as denúncias com fotos e vídeos. O partido manifestou repúdio à conduta da vereadora durante a tentativa de visita ao Centro de Controle de Zoonoses.
“O PSOL entende que é uma prerrogativa das vereadoras e vereadores a fiscalização do servidor público, mas tal prática deve estar dentro dos trâmites legais. Ao levar o marido ao local e usá-lo para intimidações, por ser um policial militar aposentado, a vereadora desrespeita os servidores públicos da instituição, em especial a servidora que a recepcionou e estava ali apenas para exercer a função da qual é contratada. Manifestamos nosso apoio aos servidores do CCZ de Araçatuba, entendemos que toda e qualquer fiscalização deve ser feita com respeito ao funcionalismo municipal e repetimos, dentro dos limites da lei, não cabe a nenhuma vereadora ou vereador do município exercer a função da qual foram eleitos com base em intimidações”, diz a nota.
A veterinária disse que realmente na quinta-feira a vereadora já tinha ido ao local e teve autorização para entrar e visitar todas as dependências da unidade. Ela diz que tem denúncias de maus-tratos, mas não explica quais seriam e nem as encontrou. Na sexta-feira uma pessoa foi ao Centro de Zonoonoses em nome da vereadora e tentou pegar a força quatro filhotes de gato que estão em fase de amamentação. A Polícia Militar foi acionada e conteve a pessoa e impediu que os filhotes fossem levados. Já no sábado ela voltou com o marido e apesar do Centro de Zoonoses estar fechado, restrito apenas a atividades internas, o casal tentou entrar a força.
A veterinária relatou no boletim de ocorrência que a vereadora e o marido dela foram orientados de que não poderiam entrar, e eles disseram que queriam ver quem iria tirá-los de lá. Segundo a vítima, o marido da vereadora começou a gritar, disse que é policial aposentado e iria entrar de qualquer jeito, e partiu para cima dela.
A Polícia Militar e a guarda municipal foram acionadas. O marido da vereadora disse que iria colocar na internet e que iria no Ministério Público e em tudo que era órgão. Ele ainda se desentendeu com guardas municipais e com um sargento da Polícia Militar. A secretária de saúde, Carmem Guariente, foi informada dos fatos e também negou a entrada da vereadora. Conforme o boletim de ocorrência, a vereadora e o marido dela foram embora quando os policiais chegaram ao local. Além do boletim de ocorrência na Polícia Civil, houve o registro de ocorrência policial militar e também pela guarda municipal.
Fale com o Folha da Região!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.