Araçatuba

Construção civil deve ter o maior avanço dos últimos oito anos em 2021 na região

Por Redação |
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O ano que mudou padrões de consumo, fez o desemprego bater recorde e colocou a maior parte dos setores da economia em suspenso terminou melhor do que o esperado para o mercado imobiliário. Após um segundo trimestre de fortes incertezas, cancelamento de lançamentos e expectativa de queda nas vendas, o segmento chegou ao final de 2020 com números surpreendentes. De janeiro a novembro, as operações de financiamento contratadas com recursos da caderneta de poupança somaram R$ 106,5 bilhões. O valor mostra um aumento de 52% em relação ao mesmo período do ano anterior e é o melhor resultado desde 2014. Na região de Araçatuba, segundo o presidente do Sinduscon OESP (Sindicato das Indústrias da Construção Civil da Região Oeste do Estado de São Paulo), Aurélio L. de Oliveira Júnior, a previsão é de um crescimento de 4% no setor para este ano.

O número também é uma estimativa da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). “Se confirmado, será o maior avanço em oito anos”, explica ele. O índice é bem próximo ao do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-SP) e Fundação Getulio Vargas (FGV), de 3,8%. “É preciso dizer que existe uma preocupação com a falta de matéria-prima, porque inibe as empresas de fazerem lançamentos. Não foi raro ver situações em que tijolos, ferragens e cimento tiveram as suas entregas atrasadas pelos fornecedores por falta dos produtos” alerta Júnior. “Em virtude da falta dos insumos da construção ouve uma alta exorbitante e nós esperamos que os preços voltem ao patamar pré-pandemia”, diz.

Especialistas esperam que exista maior equilíbrio entre oferta e demanda este ano, voltando a uma realidade de materiais para a construção civil serem reabastecidos. “A volta dos produtos de construção para as prateleiras promete auxiliar na redução dos preços para o consumidor. Com isso, as possibilidades aumentam e aquela reforma que está sendo adiada volta a se mostrar mais atrativa para construtoras e seus clientes”, reflete ele. “De forma geral, os empresários do setor têm expectativas positivas para 2021, especialmente para os primeiros seis meses”, finaliza.

SÃO PAULO

Na cidade de São Paulo, as vendas de imóveis novos no acumulado em 12 meses até outubro chegaram a 51,2 mil unidades, um crescimento de 13,1% em relação ao mesmo período de 2019. A expectativa inicial do Secovi-SP, o sindicato da habitação, era fechar o ano inteiro com uma venda de pelo menos 50 mil unidades, o que repetiria o resultado de 2019.

Os juros em um patamar historicamente baixo – o que se reflete em taxas de financiamento mais atrativas e estimula mais brasileiros a se voltarem para os imóveis como opção de investimento – e os recordes de captação na poupança durante a pandemia (irrigando a maior fonte de recursos para os bancos financiarem a casa própria) foram fatores que ajudaram a segurar o fôlego do setor no segundo semestre, apesar da crise. Foi uma surpresa positiva, dado o cenário difícil do ano passado, avalia a presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), Cristiane Portella. “Os juros estão em um patamar que nunca estiveram, em torno de 6,9% para o financiamento. Em 2017, a média era de 11,4%, em um contrato de 35 anos. A prestação chegou a se reduzir em 30% e muito mais gente ficou elegível para comprar um imóvel. Novas formas de indexação do financiamento, como as taxas prefixadas, trouxeram um leque maior para o consumidor”, afirma Cristiane. Segundo ela, quem não foi diretamente impactado pela pandemia manteve os planos, parou de gastar em outras coisas e passou a valorizar o estar em casa, seja para trabalhar ou lazer. “Em 2020, a gente viu uma valorização do espaço e do ambiente em que se mora”, diz.

FONTE DE RECURSOS

Com as medidas de compensação de perda de renda durante a pandemia e a chamada poupança por precaução, a captação líquida da caderneta de poupança inundou a principal fonte de recursos para financiamento para a classe média, pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). De janeiro a novembro, a captação da poupança somou R$ 109,4 bilhões – volume recorde desde o Plano Real e que, desde a pandemia, só ficou negativo em novembro, quando saíram mais recursos do que entraram.

A perspectiva para 2021, no entanto, é que a captação caia, conforme a economia ainda demore a engrenar e os brasileiros gastem os recursos poupados durante o pior da crise. Mas, ainda que o Banco Central entre em um novo ciclo de alta dos juros neste ano, não são esperados aumentos prejudiciais para o setor, diz o presidente do Secovi-SP, Basílio Jafet. “Há um ano, os juros estavam em cerca de 4,5% ao ano, caíram para 2%, mas a queda do juro do financiamento foi menor. A expectativa é que o crédito imobiliário se mantenha em 2021”.

*Com informações Agência Estado

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