Cultura

O que você pode fazer em 2021 para melhorar o mundo?

Por Redação |
| Tempo de leitura: 7 min

Ayne Salviano

Ter um filho, escrever um livro, plantar uma árvore. Quem nunca ouviu, ainda escutará este "mantra do sucesso" repetido à exaustão pelos "coaches" de plantão que têm fórmulas prontas para todos, como se os seres humanos fossem todos iguais. Não são. Portanto, esqueça essa baboseira, ou pelo menos parte dela. Nem todas as pessoas querem ou estão prontas para serem pais.

Nem todo indivíduo é capaz de escrever uma obra. Mas, plantar uma árvore, esta é, sim, uma ação afirmativa que faz bem à humanidade e deveria ser obrigação de todo cidadão, a começar pelos gestores públicos, passando pelos empresários e chegando aos indivíduos comuns. Já imaginou um bosque municipal com os nomes de todos os moradores de uma cidade porque nele serão plantadas árvores após todos os nascimentos? Já pensou um parque da cidade onde as famílias possam plantar uma árvore em homenagem aos seus entes queridos quando eles partirem? Ou então um espaço nos jardins das grandes empresas onde todos os funcionários possam ser homenageados com uma árvore?

O próprio cidadão comum também pode aproveitar datas importantes, como a virada do ano que se aproxima, um momento de renovar esperanças e fazer novos planos, e adotar esta ideia. E há quem plante bem mais do que uma muda.

REFLORESTAMENTO

Sebastião Salgado é um fotógrafo brasileiro premiado mundialmente. Entre seus trabalhos mais reconhecidos estão temas como a fome, o trabalho análogo à escravidão e a cobertura de guerras. Por todos os momentos difíceis que vivenciou para registrar as imagens consagradas em exposições e livros, acabou adoecendo, teve depressão e, para se curar, concentrou-se em um projeto especial: reflorestar as terras da família, em Minas Gerais. Junto com a esposa, a arquiteta Lélia Wanick, eles plantaram, ao longo dos últimos 10 anos, mais de 2 milhões de árvores nativas da Mata Atlântica em aproximadamente 700 hectares na fazenda Bulcão, em Aimorés, no Vale do Rio Doce. O local é, atualmente, um refúgio do Instituto Terra, a ONG (Organização Não Governamental) criada pelo casal.

O espaço é cuidado por universidades e institutos de pesquisa da fauna e flora brasileiros, que desenvolvem trabalhos importantes para preservação do meio ambiente.

MAIS VERDE

Voltando ao assunto: agora imagine se cada morador de Araçatuba, em vez de soltar fogos de artifício (terror dos animais domésticos, especialmente os cães), decidisse plantar apenas uma árvore na cidade para comemorar a passagem de 2020 para 2021? Seriam aproximadamente 200 mil árvores novas, quase o déficit que a cidade tem de cobertura verde. Ou seja, um problema a menos para ser enfrentado.

A iniciativa significaria que, em poucos meses, a população já teria, entre outros benefícios, a diminuição da temperatura da cidade em até 2 graus, segundo os estudiosos. A explicação é simples: a vegetação diminui a radicação solar que atenua o aquecimento do solo e reduz a temperatura superficial. O outro benefício imediato é a melhora da umidade do ar, pois a perda da água pela transpiração das plantas ajuda neste processo. Ou seja, com uma atitude individual simples, mas coletiva, a cidade colherá frutos imediatos.

FREUD

O pai da psicanálise, Sigmund Freud, perguntou certa vez a uma paciente que reclamava da vida: "Qual a sua responsabilidade na desordem da qual você se queixa?". O intuito era provocar a reflexão a fim de fazê-la chegar na sua responsabilidade diante do problema. É que muitas vezes, o reclamante prefere colocar a culpa apenas no outro: políticos, professores, pais, vizinhos, parceiros, amigos.

Não assume que pode ser o causador dos seus próprios problemas porque escolheu um candidato ruim, não estudou o suficiente para as provas, não obedeceu os pais e assim por diante. Então, analogamente ao exercício proposto por Freud no passado, a pergunta adaptada aos tempos pós-modernos pode ser repetida agora aos araçatubenses, paulistas, brasileiros e cidadãos do mundo: "Qual a sua responsabilidade diante dos problemas do mundo?". Eles são muitos: fome, miséria, desigualdade social, racismo, xenofobia, desemprego... Mas, o mais devastador é a destruição do meio ambiente pelo consumismo exacerbado, que está colocando em risco toda a vida humana.

De acordo com os especialistas, caso não haja uma mudança de atitudes agora, em 2021, a raça humana sofrerá consequências gravíssimas, como a falta de água por períodos cada vez maiores. Realidade que moradores de vários bairros de Araçatuba já têm vivenciado nos últimos anos. O que fazer?

MINIMALISMO

 "Reduzir o consumo virou um traço da minha identidade. É minha forma de dizer que posso ser feliz com o que tenho", ensina a jornalista Fabrícia Aparecida Lopes de Oliveira Rocha, 33 anos. "Troquei coisas por experiências. Como economizo, consigo viajar mais. Como conheço mais culturas, fico mais tolerante. Tento ser eficiente usando menos. Isso exige reflexão. Por isso, me sinto inteligente ao tentar ser feliz com menos", complementa. Fabrícia adotou o minimalismo há quatro anos. Neste estilo de vida, ela ressignificou suas prioridades e busca simplificar sua vida eliminando os excessos e mantendo apenas o que é essencial para o seu bem-estar. Ela conta que a casa tem poucos móveis (até porque fica mais fácil de limpar) e no que se refere a roupas, sapatos, bolsas e outros acessórios, ela não segue a moda, compra e mantém apenas aquilo que gosta. Todo dinheiro economizado, ela e o marido investem em viagens. "Planejo minhas viagens de modo bem minucioso. O orçamento reduzido me obriga a ser criativa. Esse jeito de viver com menos me faz feliz. Como consequência, ajudo o mundo quando consumo menos", declara.

RAZÃO

Ela tem razão. O consumismo exacerbado tem sido apontado como o vilão do capitalismo. É que para alimentar a cadeia de produção dos bens de consumo, a devastação do meio ambiente para a retirada da matéria-prima está cada vez mais acelerada. E o processo frenético da industrialização tem aumentado a poluição e o efeito estuda, com todas as consequências ruins que eles causam: mudanças climáticas, descongelamento das calotas polares, inundações, entre outros desastres ambientais que ceifam a vida de milhares de pessoas todos os anos. Fabrícia pretende aperfeiçoar o estilo minimalista de viver: "São pequenas atitudes, ir trabalhar de 'bike', ter contato com a natureza em vez de ir em espaços luxuosos, fazer mais piqueniques no parque com a família, tem muita coisa boa que dispensa pagar entrada", conta. "Acho burro todo o desperdício. Minha meta é viver bem com o necessário", finaliza.

CONSCIÊNCIA

A estudante universitária Mariana Alves Furuse, 20 anos, começou a pensar mais sobre a necessidade de mudar seus hábitos para ajudar na preservação do planeta desde o ano passado. Ela também acredita que pequenas mudanças podem fazer diferença no mundo, principalmente no meio ambiente. Mariana tem comprado produtos de empresas com responsabilidade social, que priorizam embalagens que não agridam o meio ambiente, que não façam testes em animais, incentivam o consumo consciente e o descarte correto. "Costumo pensar no futuro e me assusta quando vejo pessoas acabando com o nosso planeta", ela diz. Mariana, atualmente, está se esforçando para abdicar do plástico. Começou pela parte dos cosméticos, optou pelos biodegradáveis.

Nas maquiagens está com poucas opções que sejam "crueltyfree", ou seja, não tenham sido testados em animais, mas vai continuar procurando. Outro desejo é diminuir o consumo de carne vermelha. "Quero reduzir o desperdício de água já que a agropecuária é o setor que mais a consome no Brasil", afirma. Segundo relatório da ONU (Organização das Nações Unidas) de 2006, eram necessários 15 mil litros de água para produzir 1 quilo de carne bovina. Matéria da Folha de S.Paulo de 2019, seriam 17 mil litros. Mariana pode se inspirar no movimento Segunda Sem Carne, uma campanha mundial apoiada pela Sociedade Vegetariana Brasileira, que procura conscientizar as pessoas do impacto da produção de carne e propõe trocar a proteína animal pela proteína vegetal pelo menos uma vez por semana.

RESUMO

Plantar uma árvore, diminuir o consumismo comprando só aquilo que se precisa, sem excessos ou modismos; trocar o plástico por produtos biodegradáveis e comer menos carne vermelha. Quatro atitudes simples, fáceis, que não exigem grandes sacrifícios, mas que se adotadas pela sociedade, podem melhorar o mundo oferecendo mais tempo de vida útil ao planeta, maior probabilidade de sobrevivência com qualidade de vida para as futuras gerações. A pergunta que resta agora é: Por que não fazer?

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