Das mulheres que tiveram filhos da região de Araçatuba, 4,5% tinham menos de 18 anos. A média estadual é de 4,3%. Os números são da Fundação Seade. Conforme a entidade, cerca de 25 mil adolescentes com menos de 18 anos foram mães no ao passado em todo o Estado.
Embora proporcionalmente de mães adolescentes tenha se reduzido pela metade, entre 2000 e 2019, a gravidez na adolescência permanece como importante tema de estudo, podendo trazer diversos riscos à saúde (materna e do recém-nascido), bem como consequências relacionadas à educação e a questões socioeconômicas e familiares, entre outras. As regiões de Itapeva e Registro apresentaram as proporções mais elevadas de mães com menos de 18 anos.
Estudo do Seade registra ainda que, entre 2000 e 2019, o número de nascidos no Estado de São Paulo diminuiu de 699,4 mil para 580,2 mil, com importante mudança no perfil etário das mulheres que tiveram filho.
A proporção de mães com menos de 20 anos caiu pela metade (de 19,5% para 10,4%), enquanto para aquelas de 20 a 29 anos a redução foi menor. Por outro lado, aumentou a parcela das mães com mais de 30 anos, sendo que a daquelas de 30 a 39 anos passou de 26,0% para 39,1%. Isso é consequência de mudanças na estrutura etária populacional e no comportamento reprodutivo.
A mudança na distribuição dos nascimentos segundo grupos de idade resultou no aumento de quase três anos na idade média das mães paulistas, que passou de 25,9 a 28,7 anos, entre 2000 e 2019.
Na cidade de Araçatuba, essa idade é está na média, indicando maior proporção de mães em grupos etários mais avançados: em 2019, a idade média foi de 28,5% anos. Já para o conjunto dos demais municípios paulistas, o incremento foi de três anos, passando de 25,7 para 28,5 anos no período. Entre os municípios paulistas, a idade média das mães variou de 24 a 33 anos, em 2019.
Segundo a ginecologista Luciana de Arruda Campos, de Araçatuba, no ponto de vista médico, a idade ideal para engravidar é dos 20 aos 30 anos, onde é a fase mais fértil da mulher e o que o corpo apresenta um risco menor de ter problemas durante a gestação e de o bebê apresentar falhas genéticas, pois os óvulos são mais novos. “Hoje em dia vemos as mulheres atrasando cada vez mais esta escolha por conta do trabalho, estudos ou projetos, mas ainda nos preocupamos com a gestação na adolescência, que é compreendida entre os 10-19 anos”, diz.
“A gravidez na adolescência já é considerada uma gestação de alto risco, já que implica em vários riscos para a mãe e para o bebe, como prematuridade, anemia, aborto espontâneo, eclâmpsia – que é uma das maiores causas de mortalidade materna, e a depressão pós-parto. Esta gravidez deve ser acompanhada de perto por um especialista em Gestação de Alto Risco. Embora venha caindo este numero, ainda é alarmante a estatística de gravidez na adolescência no Brasil”, completa Luciana.
Para ela, a desinformação e falta de orientação sexual na família e na escola trazem sérios problemas aos adolescentes e ä saúde pública, não só a gravidez, mas como consequência a evasão escolar, a rejeição familiar, abortos espontâneos e provocados em condições inseguras levando o risco materno.
“Oriento além de uma melhor educação sexual nas escolas, campanhas de saúde, a visita precoce ao ginecologista, com atendimento, orientações e acolhimento adequado, mesmo antes do início da vida sexual, assim que começar a menstruar, para sanar dúvidas e acabar com o preconceito da visita ao ginecologista”, finaliza.
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