A campanha de vacinação contra a poliomielite foi prorrogada até dia 13 de novembro em todo o Estado de São Paulo, mas apesar disso, a meta ainda está longe de ser atingida em Araçatuba. Dados da Secretaria Municipal de Saúde apontam que das 8.421 crianças entre 1 e 4 anos que precisam ser vacinadas na cidade, somente 4.915 receberam as doses, o que representa 58,37%.
Em nota, a Secretaria afirma que o número “não é satisfatório”. O município explica que a equipe da Estratégia Saúde está realizando o levantamento das crianças até cinco anos e uma busca ativa (indo nas casas) tem sido feita pelos ACS (agentes comunitários de saúde). “Esses profissionais, durante as visitas, fazem um trabalho de orientação e conscientização. A equipe também passa visitando locais onde circulam pessoas para reforçar a importância de levar as crianças para se vacinar e o NASF (Núcleos de Apoio à Saúde da Família) está realizando orientações na sala de espera, para mobilizar a população”, diz.
Vale lembrar que a campanha de vacinação seria encerrada no dia 30 do mês passado e, por conta da procura bem menor que o esperado, foi estendida para a segunda semana de novembro.
A poliomielite é uma doença viral que pode afetar os nervos e levar à paralisia parcial ou total. Apesar de também ser chamada de paralisia infantil, a doença pode afetar tanto crianças quanto adultos. A poliomielite foi praticamente erradicada em países industrializados com a vacinação de crianças, inclusive no Brasil, onde a vacina contra a doença foi incorporada à caderneta de vacinas obrigatórios. Mas o vírus causador, no entanto, ainda pode ser encontrado em países da África e da Ásia. De acordo com o Ministério da Saúde, o último caso de poliomielite registrado no Brasil aconteceu em 1989.
A poliomielite é uma doença causada pela infecção do poliovírus, que se espalha por contato direto pessoa a pessoa e também por contato com muco, catarro ou fezes infectadas. O vírus entra por meio da boca e do nariz e se multiplica na garganta e no trato intestinal. Dali, alcança a corrente sanguínea e pode atingir o cérebro.
Quando a infecção ataca o sistema nervoso, destrói os neurônios motores e provoca paralisia nos membros inferiores. A pólio pode, inclusive, levar o indivíduo à morte se forem infectadas as células nervosas que controlam os músculos respiratórios e de deglutição.
O período de incubação do vírus, ou seja, tempo que leva entre a infecção e surgimento dos primeiros sintomas, varia de cinco a 35 dias, mas a média é de uma a duas semanas. O poliovírus pode ser transmitido por meio de água e alimentos contaminados ou pelo contato direto com uma pessoa infectada. A doença é tão contagiosa que pode ser pega no ar, principalmente por pessoas que convivem com portadores do vírus. Quem tem poliomielite pode transmitir a doença semanas após a infecção.
Fatores de risco
Uma pessoa está em maior risco de contrair poliomielite se não foi devidamente imunizada contra a doença. Em áreas com más condições de saneamento básico e com ausência de programas de imunização, a população torna-se mais vulnerável ao poliovírus, principalmente crianças até os cinco anos de idade – daí o nome “paralisia infantil”. Mulheres grávidas, idosos e pessoas com sistema imunológico enfraquecido, como portadores de HIV, são especialmente suscetíveis a contrair a doença.
Sem a vacina, outros fatores também podem aumentar o risco, como viajar para uma área onde a poliomielite é comum, viver ou cuidar de alguém que possa estar infectado com o poliovírus, ter extraído as amígdalas por amigdalectomia e, estresse extremo ou a atividade física extenuante após ter sido exposto ao vírus, uma vez que o esgotamento pode deprimir o sistema imunológico e tornar o corpo mais vulnerável à infecção.
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