O câncer de mama não atinge só mulheres, cães e gatos também podem ser afetados. No mês da campanha de prevenção e combate ao câncer de mama, o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo também chama a atenção para que o cuidado se estenda aos animais de estimação, com o “Outubro Rosa Pet”.
De acordo com Jéssica Baltazar Vergilio, médica veterinária de Araçatuba, o câncer de mama não escolhe qual a raça atingir. “Ele pode chegar em cadelas e gatas a qualquer momento, sendo mais comum ocorrer em fêmeas não castradas, em animais que fazem o uso de anticoncepcionais, animais obesos e que não possuem uma dieta balanceada ou em cadelas que tiveram gravidez psicológica no período pós cio (fase diestro) onde ocorre o aumento das taxas hormonais”, diz.
Segundo a médica, a idade que tem uma maior tendência para aparecer em cadelas é entre 4 a 12 anos, sendo mais comum após os 7 anos de idade.
“É importante ressaltar que fêmeas que fizeram o uso de anticoncepcional podem ser acometidas mais cedo e de maneira bem mais agressiva”, explica. Já as gatas podem desenvolver a partir de um ano de vida. O principal perigo dos tumores mamários é o animal desenvolver metástase, dificultando as formas de tratamento e gerando um prognóstico ruim.
Jéssica também diz que a principal diferença do câncer de mama entre animais de estimação e humanos é que eles podem ter mais de um tumor, em mamas diferentes e com características distintas. Porém as características morfológicas, o risco de metástase e a fase de vida que são acometidos são relativamente iguais.
“Quando diagnosticado nos humanos, as formas de tratamento são remoção cirúrgica e quimioterapia. Nos pets, também há essas opções de tratamento, com retirada apenas do nódulo se for benigno ou remoção parcial ou total da mama. Se for maligno e quimioterapia”, explica.
Em relação ao diagnóstico, a veterinária explica que quando na apalpação da fêmea, tanto cadelas como gatas, é encontrado a presença de algum nódulo, o médico veterinário pode solicitar o exame de citologia aspirativa. O resultado desse exame irá mostrar quais são os tipos de células presentes no nódulo e se são de características malignas ou benignas.
TRATAMENTO
Após a realização do exame é estipulado o tratamento. O melhor tratamento para os pets é a retirada cirúrgica, porém é necessário exames complementares para garantir que não há metástase em outro órgão do animal. O tratamento quimioterápico também pode ser utilizado, mas a retirada cirúrgica é sempre a melhor opção. “Quanto mais rápido o diagnóstico e realizado o tratamento adequado, menos chance de metástase e sofrimento no pet”, completa.
Já com relação à prevenção no caso dos pets, Jéssica diz que a melhor forma é fazer a castração. “Realizar a castração das fêmeas antes do primeiro cio ou logo após o primeiro cio é muito importante”, conta.
A médica veterinária finaliza dizendo um pouco sobre a importância da iniciativa do Outubro Rosa Pet, que foi criado a partir do Outubro Rosa que já conhecemos. “Tem o objetivo de ensinar e orientar os tutores dos animais a também fazerem as medidas preventivas da doença. Os tutores são orientados de como devem examinar as mamas de seus animais e caso encontrarem a presença de algum nódulo em mamas, devem procurar rapidamente por um médico veterinário”, completa.
De acordo com a médica veterinária Teresinha Cristina Cândido, de Araçatuba, assim como no ser humano, a neoplasia mamária pode se desenvolver através de fator genético e influência hormonal nas cadelas e gatas. Caso haja o diagnóstico, a especialista explica que é possível fazer a remoção cirúrgica completa com margem de segurança. “Caso o animal não seja castrado, realiza-se a ovariohisterectomia e em alguns casos também são realizados protocolos de quimioterapia”, diz.

CAMPANHA
A veterinária também fala sobre a importância do Outubro Rosa Pet. “A conscientização dos tutores para a prevenção e diagnóstico precoce do câncer de mama em cães e gatos, assim como, conscientizá-los de que somente um médico veterinário poderá fazer um diagnóstico de um simples carocinho, que na verdade pode ser um tumor de extrema malignidade.
Também é importante orientar que uma injeção de hormônios pode causar futura neoplasia mamária e que a melhor escolha é a castração”, finaliza.
A social media Geovana Paupitz, de 23 anos, já teve uma cachorrinha que lutou contra o câncer. “Eu tinha a Nala desde os meus 8 anos, foi minha primeira cachorra e eu era muito apegada”, diz. Geovana conta que a cachorrinha tinha um tumor na barriga e no peito. “Eu sempre tive muito medo, era crucial levar ao veterinário. Tinha medo de ela ter que operar”, conta.
A jovem conta como a situação começou a piorar. “Um dia levamos ela ao veterinário porque ela começou a ter secreção. Ela estava com muitos tumores pelo pito e barriga, e também um tumor grande no útero. Operamos, ela castrou, fez quimioterapia e ficou bem”, explica. Porém o tumor não diminuiu o suficiente, teve que fazer quimioterapia mais uma vez. “Ela voltou a ter problemas, não conseguia fazer as necessidades e parou de comer, além de ter muita dor. Ela voltou pra clínica, passou dois dias lá e acabou falecendo”, completa.
Para suprir a falta de sua companheira, Geovana conta que seu pai decidiu lhe dar outra cachorrinha. “Ele me deu a Lexie porque eu estava muito mal. Hoje em dia eu sempre procuro ver se ela tem algo porque fico preocupada, se ela está com algum problema, dor, ou qualquer coisa do tipo. Quero sempre acompanhar para prevenir qualquer coisa mínima”, finaliza.

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