Nesta última segunda-feira (12) foi um dia especial também para uma das classes profissionais mais importantes do país e do mundo, o engenheiro agrônomo. Responsáveis pelo planejamento de ações de produção e de consultoria que visam fazer mais e melhor, entre outros atributos, estes profissionais “são um dos pilares do desenvolvimento”.
Este é o entendimento do presidente do Siran (Sindicato Rural da Alta Noroeste), Fábio Brancato, que tem orgulho de sua formação na área e é um dos maiores defensores de maior valorização da classe.
Nesta entrevista, ele diz que é preciso adotar a cultura da execução pensada de planos de produção para o crescimento do país a partir da valorização dos homens e das mulheres que podem aliar a ciência e a experiência no campo. “Somos quem transforma ideias em produtos melhores e mais acessíveis”, afirma, ao falado sobre uma das missões dos engenheiros agrônomos.
Qual o papel do engenheiro agrônomo no desenvolvimento do país?
É fundamental. A profissão é estrategicamente importante porque ela atua diretamente no sistema de produção de riquezas por meio de pesquisas, planejamento de ações, assistência técnica e consultoria.
É um dos pilares do desenvolvimento por meio do agronegócio, ajudando na melhoria dos índices de qualidade e de quantidade da produção de alimentos e outros produtos. Somos responsáveis pela produção da comida para o mundo.
São homens e mulheres que têm um pé na ciência, por causa da produção e aplicação de pesquisas acadêmicas, e outro pé enterrado no chão de terra, porque lidam diretamente nos pastos e lavouras. Somos quem transforma ideias em produtos melhores e mais acessíveis.
Como o senhor vê a valorização dos engenheiros agrônomos?
Somos relativamente bem valorizados, e quando defendo que se deve dar mais espaço aos engenheiros agrônomos, estou falando também de outras profissões que podem dar mais ao país se forem ouvidos nos ciclos de tomadas de decisões.
Deve ser mais presente, em nossa cultura, o planejamento das ações para que as execuções sejam mais assertivas. Há uma anedota que diz que o alemão passa cinco anos planejando para executar em cinco minutos com grande sucesso e o brasileiro gasta cinco minutos pensando e cinco anos executando para consertar os erros. Claro que é um exagero, mas ilustra bem o que defendo, que é ouvir mais quem tem formação para desenvolver qualquer projeto. Planejar para crescer é fundamental.
Mas repito, os engenheiros agrônomos gozam de grande prestigio no agronegócio e sua atuação tem sido cada vez mais essencial neste processo de profissionalização da produção agropecuária, com a introdução de novas tecnologias.
O senhor citou agora o uso de novas tecnologias no campo. Como o senhor vê este momento histórico?
Vejo com entusiasmo. E aí entra mais e mais a importância do engenheiro agrônomo. Se você pegar a história da humanidade vai ver que foi por causa da introdução do plantio de grãos, por exemplo, que o homem parou de ser um nômade pelo planeta para estabelecer-se em um local e criar conceitos de ocupação do solo há 10 mil anos.
E desde então é na produção agrícola que se desenvolvem as ferramentas que mudaram a história.
Antes eram pedras afiadas, hoje é a nanotecnologia, o uso de drones, a melhoria genética e o rastreamento por satélites de animais e veículos. É no campo novamente que a humanidade está dando outro salto.
Os engenheiros agrônomos estão preparados para levar para ‘o meio do mato’ tudo isso que está sendo desenvolvido nas academias e nos laboratórios. Temos hoje a agricultura de precisão, a integração agricultura-pecuária-floresta.
O que forma um bom engenheiro agrônomo?
Para exercer essa linda profissão, é necessário que a pessoas seja boa com números, que goste do trabalho no campo, de tecnologias e ser muito curioso. E, claro, ter um grande amor pela terra. Sabe, o engenheiro agrônomo vai lidar ao mesmo tempo com uma praga na plantação e com processos tecnológicos complexos que envolvem questões de economia, administração, sociologia rural, engenharia rural, máquinas e implementos, topografia e georreferenciamento, irrigação e drenagem, construções rurais, agrometeorologia e meio ambiente. Tudo ao mesmo tempo.
É um trabalho intelectual árduo e prazeroso. Por isso digo que precisam ser mais e mais valorizados e chamados para as rodas de decisões.
Somos responsáveis pela produção equilibrada, assim como por respeitar e conservar o meio ambiente.
Como o senhor, no Siran, tem atuado em favor da classe?
Temos dado total abertura para ouvir o que os engenheiros têm a nos oferecer de conhecimento e também temos trabalhado ao lado deles para levar mais informação e formação aos nossos produtores. São cursos, palestras e atendimentos individuais que ajudam nossa região estar em sintonia com o que há de mais moderno.
O papel do sindicato é exatamente este, sabe. É unir conhecimentos para transformar em produtividade. Nossa missão é juntar inteligências e esforços para a prosperidade da sociedade a partir do nosso ramo de atuação.
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