Birigui vem se destacando já há alguns anos pela qualidade da educação infantil desenvolvida com muita competência pela pasta municipal da educação alcançando notas sempre acima da média nacional nas avaliações do IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica).
Na última avaliação (2019) Birigui obteve nota 7,4 novamente acima da média nacional 5,9. A boa gestão nos recursos públicos priorizados para a educação contribuem para o desenvolvimento local estimulando novas escolas com diferenciais importantes de inovação e sustentabilidade e através de investimentos privados.
E de acordo com as especialistas Maristela Gomes e Marcia dos Santos, é preciso sempre buscar novas soluções para que a educação evolua. E para isso elas defendem em entrevista à Folha da Região, que inovações sejam adotadas para que novos conceitos sejam inseridos de forma tornar o processo de aprendizagem cada vez mais lúdico e eficiente.
Maristela é graduada em Pedagogia pela UEM, mestre em Psicologia da Educação pela Unicamp, doutora em Educação Científica e Tecnológica pela UFSC (Universidade Federal de São Carlos) e diretora pedagógica do Colégio Criando Asas, de Birigui. Marcia é graduada em Biologia pela UEM (Universidade Estadual de Maringá), especialista pela Gestão Ambiental pela UNIFEV, vice-presidente da BPW de Araçatuba e diretora Administrativa do Colégio Criando Asas.
Inclusive, elas são responsáveis pela implantação de um projeto de uma escola infantil Criando Asa, que tem como foco que visa justamente a aplicação destes diferenciais da formação educacional acompanhados da elevação humana e sustentabilidade.
Leia a entrevista:
Por que é inevitável uma mudança conceitual na Educação?
Somente uma nova educação é capaz de formar pessoas para as novas demandas. O mercado frequentemente pede sujeitos mais autônomos e criativos, mas o modelo tradicional de educação não permite que se desenvolva essas habilidades, uma vez que o aluno faz o que o professor pede e a aprendizagem caracteriza-se pela sua capacidade de reprodução em provas. Nesse sentido em que momento a aluno tem a possibilidade de experimentar/exercitar a autonomia e a criatividade?
Nesse novo modelo, a aprendizagem está centrada no aluno. Ele é o protagonista! E isso faz toda a diferença na formação pessoal, inclusive.
O que levou vocês a investirem em um novo modelo de educação?
Somos mães e não nos conformamos em colocar nossos filhos em um modelo de escola engessado que vem de várias gerações. Não faz mais sentido nem para o mundo e nem para as crianças. Decidimos criar uma escola para dar aos nossos filhos a educação que acreditamos e permitir que Birigui e região tenham ao menos uma escola para quem também busca esse novo modelo. Não conseguiríamos fazer de forma diferente! Estaríamos trabalhando no oposto de nossas convicções.
Sabemos que no modelo tradicional de educação, o foco dos pais é o vestibular. Nesse novo modelo qual é o maior objetivo?
Toda escola necessariamente deve seguir o que rege a BNCC (Base Nacional Comum Curricular). No entanto, a maneira de trabalhar é o que difere de uma escola para outra. A forma de explorar os conteúdos necessários é que fazem a diferença.
O foco pode estar voltado para o ensino (transmissão do conhecimento) ou para aprendizagem (no nosso caso, aprendizagem significativa). Então, o aluno que estuda neste modelo, não deixa nada para trás! Deste modo, focamos muito além do conteúdo. Focamos em uma educação integral. Não adianta privilegiar o conteúdo e sua memorização, se o aluno não souber aplicar, ou puder experimentar.
Assim, privilegiamos o desenvolvimento da autonomia, ou seja, a capacidade do sujeito de buscar respostas para os desafios que surgem ao longo de sua vida e assim, enfrentá-los com segurança e de forma tranquila. O vestibular será apenas um deles.
Como se dá essa aprendizagem significativa?
A informação está em todo lugar. O google está aí. Então não faz sentido o professor ficar na frente em uma postura informativa. O que a escola tem que desenvolver é a autonomia e a capacidade de aprender a aprender.
Para que a aprendizagem ocorra de maneira eficaz e duradoura, é necessário que ela desperte no aluno alguma emoção ou significado, pois quanto maior for o interesse e a motivação pelo que está aprendendo, mais significativa será a aprendizagem. Por isso o roteiro é escolhido pelo aluno dentre vários que o currículo escolar dispõe.
Quais os resultados palpáveis que comprovam a eficiência e a eficácia deste novo modelo?
Já conseguimos perceber diferença nos alunos que estão conosco há mais tempo. São mais questionadores, se expressam mais e melhor, falam sobre seus sentimentos, defendem suas ideias e pontos de vista, são mais seguros. E os pais podem confirmar isso!
No entanto, resultados mais palpáveis, podemos verificar em outras escolas que também ousaram mudar há mais tempo. No Brasil temos alguns exemplos tanto de escolas públicas quanto de escolas particulares, que nos serviram de referência para sustentar nossas ideias: Projeto Âncora, em Cotia; Cieja Campo Limpo, Colégio Elvira Brandão, Escola Bakhita localizadas em São Paulo. Mas nosso maior exemplo é o da Escola da Serra, de Belo Horizonte que há 16 anos trabalha nessa proposta com muito sucesso! Tanto que recebeu do MEC o título de escola referência em inovação e criatividade.
No último ano, das três vagas para doutorado em Ciências Políticas da UFMG, duas foram preenchidas por alunos egressos da Escola da Serra.
Qual foi o maior desafio que enfrentaram para implantar essa nova proposta em Birigui, uma cidade pequena, do interior e habituadas apenas a esse modelo tradicional?
Foram vários. Primeiramente o pioneirismo por si só já é um desafio, pois tudo que é novo gera insegurança, o que desencoraja as pessoas a conhecerem e compararem com o modelo em que seus filhos estão hoje. Nossa escola não é mais uma opção e sim uma outra opção em Birigui.
Outro desafio está na formação de professores para atuar nesse modelo. O ensino superior, salvo raras exceções, continua preparando o professor do modelo jesuíta do Século 19.
Assim, temos um modelo de educação do século 19, professores do Século 20 e alunos do Século 21. Portanto, um descompasso que propicia a ineficiência do modelo vigente.
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