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Especialista explica ‘a hora do voto’

Por Redação |
| Tempo de leitura: 6 min

O que pesa mais na hora do voto? A emoção, a razão, um bom discurso ou a ideologia? Para responder a estas questões, a Folha da Região entrevistou o araçatubense Peterson de Abreu, o Peter Abreu, que tem reconhecimento nacional por causa de seu trabalho de pesquisas em eleições e para empresas que querem saber o que se passa na cabeça do público em geral.

Peter é graduado em marketing com MBA em Negócios e especialização em Marketing de Varejo. Também estudou economia na Unitoledo e é contabilista.

Com a experiência em ser consultor de marketing e pesquisas em mais de 150 empresas, incluindo sindicatos, associações, e redes de varejo, entre outros segmentos, desde 1990 ele já atuou em mais de 500 campanhas eleitorais, de diversas cidades, de todos os estados brasileiros e também teve alguma experiência fora do Brasil. “A rede social é hoje uma das mais eficientes ferramentas de campanha, mas precisa ser trabalhada com cuidado”, ensina ele sobre a ferramenta digital.

Leia a entrevista:

O senhor tem uma grande expertise em pesquisas, principalmente eleitoral. Consegue nos explicar o que compõe a formação de decisão de um eleitor?

O voto é influenciado por três componentes distintos. O primeiro é o ideológico, que parte da ideologia, propriamente dita. Ela está muito em alta nesse momento e está presente no discurso de direita ou de esquerda, que atinge em média de 10% a 20% dos eleitores.

O segundo fato é o político. Ele é firmado no contato direto entre o eleitor e o candidato. Em cidades menores chega a representar até 75% da motivação de votos.

Faz parte, ainda, o fator eleitoral, que representa o esforço concentrado na conquista do eleitor. É o campo de atuação do marketing político. Sua influência cresce com o tamanho do universo eleitoral e pode atingir 70% da intenção de votos.

Também temos três leis que sobre o posicionamento do eleitor. Uma delas é a da indiferença, onde o eleitor só vai votar pois é obrigado. Então, tanto faz votar no mamaco Tião, no Pedro ou no João. É aí que personalidades famosas e conhecidas se aproveitam pra conquistar votos, pois esse eleitor não está nem aí pra eleição. Vai votar em quem lembrar primeiro ou fazer voto de protesto.

Temos ainda a lei da procrastinação. Ela acontece quando o eleitor adia o máximo possível a decisão do voto. Em eleições proporcionais, esse índice é muito elevado a ponto de 50% não terem definição do voto faltando uma ou duas semanas para as eleições. Nas eleições majoritárias, ela incide em 15% em alguns casos.

Há de destacar, ainda, a lei da efemeridade. Como o nome diz, algumas ideias e aspirações têm um ciclo de vida determinado, como ecologia, violência e corrupção.

Então, temos que analisar para saber qual assunto terá mais impacto no período eleitoral pra poder conquistar o eleitor nesse quesito.

O que vem primeiro, a emoção ou a razão na tomada de decisão de um eleitor ou um consumidor?

O voto até passa por um processo de racionalização, mas a emoção em 80% dos casos fala mais alto. É como torcida de futebol. Alguns eleitores trabalham espontaneamente quando tem simpatia por alguma proposta, projeto ou candidato.

Isso também vale para o consumidor. Fiz um estudo nacional sobre consumo de um determinado produto e identificamos que 77% dos consumidores mudavam de opinião quando se deparavam com as vitrines.

É como se eles fossem hipnotizados pela emoção. Porém, ressalto que existem aspectos limitadores, como poder aquisitivo.

Geralmente, entre a primeira pesquisa e os resultados das urnas pode haver uma mudança de posicionamento do público, em algumas vezes no chamado 'efeito manada'. Quais fatos influenciam em fenômenos assim?

Sim, existem vários fatores que provocam isso. Um deles é a lei da efemeridade. Ela acontece quando você está falando sobre um tema, mas de repente outro tema entra em moda e o discurso do adversário pode estar mais enquadrado nesta novo cenário.

Também é importante saber o que o eleitor quer ouvir antes de falar com ele. Se um candidato começar a falar aqui que o eleitor quer ouvir, certamente vai conquistar a confiança e credibilidade junto a esses eleitores.

Houve um grande aumento do número de postulantes ao cargo de prefeito em Araçatuba, que saltou de três em 2016 para oito neste ano. Muitos se baseiam no 'fenômeno Bolsonaro', que era uma pessoa que tinha pouca visibilidade e usou bem as redes sociais. Como o senhor avalia este momento?

Até existem candidato que realmente acreditam que estão na frente, que vão vencer, que todos irão votar nele. Isso é normal, até porque raramente alguém chega para um candidato e fala diretamente que ele não presta? As pessoas tendem a ser cordiais e isso faz parte da política.

Mas também existem candidatos que são plantados para rachar a oposição em alguns municípios. E ainda temos os candidatos que se lançaram para fazer nome com intenção na próxima eleição para deputado. Ou ainda para ajudar o partido ter mais votos de legenda.

Como as redes sociais influenciam hoje em uma eleição. ela tem todo este poder que geralmente é atribuído a ela?

A rede social é hoje uma das mais eficientes ferramentas de campanha, mas precisa ser trabalhada com cuidado. Temos que entender que ela vai atingir aproximadamente 70% dos eleitores, mas o que vai conquistar o eleitor não é o fato de você estar na internet e sim o que o candidato vai fazer na internet.

Se for inconveniente e não conseguir transmitir confiança, ele pode perder ao invés de ganhar votos.

Explique para nós, por favor, como é formatada uma pesquisa antes de ela acontecer . Quais são os critérios a serem levados em conta?

É um assunto bastante amplo, mas penso que o papel fundamental da pesquisa não está em identificar índice de intenção de votos ou posicionamento de marcas apenas.

O grande objetivo da pesquisa está em entender a cabeça do eleitor ou do consumidor e identificar meios para transformar a imagem do candidato ou a empresa ou produto, no caso de pesquisa de mercado, tornando esse candidato ou empresa mais agradável para o eleitor e o consumidor. Saber pontos positivos e negativos, motivos para votar ou não, para comprar ou não. Essas informações podem mudar o que existe se forem bem trabalhadas pelo depto de marketing ou comunicação de uma empresa ou candidato.

Muitos críticos de pesquisas dizem que a amostragem é sempre pequena. Como é definido este critério?

Eu também já fui um crítico assim no início. Não acreditava. Fazia até amostragens maiores. Mas agora sei que a estatística é eficiente. O segredo está no processo do trabalho. Se realmente for bem distribuído, vai dar certo.

Na última eleição para o Governo de São Paulo, no primeiro turno, com uma com duas mil entrevistas ficamos com uma margem de erro de 2% Fomos uns dos institutos, senão o único, que previu o empate técnico entre o Márcio França e Paulo Skaf no segundo lugar e depois no segundo turno. Isso com duas miol entrevistas. Acertamos sobre a vitória do governador João Dória com erro de apenas 1%.

Como surgiu o interesse do senhor por este ramo de trabalho?

Sou da primeira turma de economia da Unitoledo. No segundo mês de curso, tive uma ideia e procurei o reitor da universidade na época, grande Afonso Toledo, e pedi a ele a ajuda pra montar um projeto de pesquisas econômicas na faculdade.

Ele gostou tanto do projeto que me contratou para montar o primeiro instituto de pesquisas econômicas do interior de São Paulo, o Ceest (Centro de Estudos Econômicos e Sociais Toledo).

E juntamente com o professor Pedro Filardi, e outros professores, entrei de vez no ramos e depois de alguns anos montei minha empresa que já tem 28 anos.

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