Araçatuba

Desaparecimento de jovens desafia polícia e vira drama; país tem oito casos por hora

Por Redação |
| Tempo de leitura: 5 min

O desaparecimento temporário de um comerciante de Araçatuba nesta semana mobilizou a polícia e centenas de pessoas nas redes sociais. Foram horas de pânico da família e até pessoas que não o conheciam passaram a fazer orações e a divulgar sua foto pedindo ajuda. O rapaz foi encontrado no dia seguinte e os detalhes, como motivo, não foram divulgados. Apenas noticiou-se de que ele estava vivo e bem.

Este caso teve um final feliz, como acontece na grande maioria das vezes. Porém, existem casos que nunca tiveram solução na cidade ou na região. A polícia não tem estatísticas do número exato de quantas pessoas ainda não foram encontradas, mesmo passados meses e anos, mas destaca que a maioria dos casos envolve adolescentes que acabam sendo encontrados dias depois.

Pelo menos oito pessoas desaparecem por hora no Brasil, de acordo com dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública para uma pesquisa do Comitê Internacional da Cruz Vermelha. O número de solicitações de localização por familiares de pessoas consideradas desaparecidas aumentou em 75% durante a pandemia de coronavírus somente na capital paulista. Segundo a Divisão de Localização Familiar e Desaparecidos da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania (SMDHC), entre os meses de março e maio de 2020, foram registrados 290 pedidos de busca, enquanto no mesmo período de 2019, o número foi de 165.

Em Araçatuba, casos semelhantes são comuns entre jovens, que deixam os familiares preocupados, sem dar notícias e sem atender o telefone, e depois surgem dizendo que estavam na casa de amigos. Em casos mais raros os desfechos podem ter um final trágico, como foi o caso do latrocínio do advogado Ronaldo Cesar Capelari, 53 anos, encontrado esquartejado na noite do dia 14 de janeiro, na edícula de uma garota de programa no bairro Água Branca, zona leste de Araçatuba. Ele havia saído de casa, em um condomínio de alto padrão na zona norte da cidade, para ir à natação.

No entanto, o verdadeiro destino era o encontro com a garota de programa que já havia planejado, com o namorado, um assalto contra o cliente, que acabou sendo morto a marteladas e facadas, e depois teve o corpo esquartejado. Neste caso a família e amigos agiram, inicialmente, da mesma forma em que foi feito no caso do comerciante. Mobilizaram as redes sociais com compartilhamento de avisos e fotos do advogado. No entanto, o desfecho foi trágico.

 ORIENTAÇÃO

 Quando um ente querido desaparece repentinamente muitas vezes as pessoas não sabem exatamente como proceder, principalmente em meio a ansiedade e desespero em busca de informações. Para isso, o Ministério Público de São Paulo disponibiliza uma cartilha com muitas orientações, e pode ser acessada pelo link: http://www.mpsp.mp.br/ portal/page/portal/Cartilhas/EnfrentamentoDesaparecimento. pdf.

 Em primeiro lugar, você deve registrar imediatamente um boletim de ocorrência, o chamado BO, pois esse é o passo que registra oficialmente o desaparecimento de uma pessoa para o poder público. Para fazer o BO pela internet você deve acessar o site: www.ssp.sp.gov.br/nbo. Lá você precisará fornecer todos os seus telefones de contato, pois alguém retornará a ligação para confirmar os dados.

Também é necessário fornecer um e-mail (seu ou de uma pessoa de sua confiança) para o recebimento do BO eletrônico. Após registrar o BO pela internet você também precisa encaminhar um e-mail com fotografia recente da pessoa desaparecida para pessoasdesaparecidas@ssp.sp. gov.br.

É importante que constem no BO todas as informações do desaparecido que possam auxiliar na investigação: características físicas; cicatrizes, marcas de nascença, tatuagens, piercings, pintas visíveis, próteses etc.; roupas e pertences pessoais usados na última vez em que foi visto/a; hábitos e estado emocional recente; último lugar em que foi visto/a; dados do aparelho celular, se for o caso; contexto do desaparecimento: qual o último lugar em que a pessoa foi vista, como ela estava vestida, para onde ela estava indo, com quem ela estava e etc.

No caso do desaparecimento uma das dicas é eliminar as possibilidades de um falecimento, fazendo consultas em hospitais e também no IML (Instituto Médico Legal) e empresas de serviço funerário. Eliminada as hipóteses, a etapa seguinte é a mobilização de amigos, parentes e também utilizar as redes sociais para divulgar o caso. É importante que, após o reencontro, não deixe de avisar a polícia.

Como conviver com a incerteza?

A cartilha do MPSP traz muitas dicas e orientações para familiares de desaparecidos. Uma delas é o item que trata das incertezas, que são, provavelmente, o sentimento que mais atinge quem está em busca de uma pessoa desaparecida. Para muitos, a ausência de respostas chega a ser pior que a morte, pois deixa o caminho aberto para muitas possibilidades, o que só aumenta a sensação de angústia.

Por conta disso, muitas vezes, os familiares de uma pessoa desaparecida sentem que suas vidas “pararam no tempo” e não é raro que se sintam culpadas por tentar dar continuidade as suas tarefas cotidianas e projetos futuros. É realmente uma situação muito difícil, mas é importante não desanimar e seguir adiante para enfrentá-la da melhor forma possível. Cuidar da própria saúde, por exemplo, é essencial para que a busca possa prosseguir, e para tanto, ter uma rotina mínima é necessário.

Alguns caminhos podem ajudar a aliviar essas sensações. Falar de seus sentimentos com seus familiares e amigos pode ajudar e você pode também procurar um profissional (como um psicólogo ou psiquiatra). Outra possibilidade é recorrer a grupos de ajuda mútua, como grupos de familiares de desaparecidos, grupos religiosos etc. O mais importante é respeitar o que você sente e buscar ajuda com pessoas e entidades que possam lhe apoiar nesse momento.

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