RONALDO RUIZ GALDINO
Oi, meu amigo Hidelbrando, tudo bem?
Preferi não comentar sua postagem na minha timeline do Facebook porque não queria deixar nossa conversa exposta na rede social. Sei que logo apareceriam aquelas pessoas com um meme do Michael Jackson comendo pipoca no cinema, para acompanhar nossa briga.
Brigar, é claro, que não iria, pois o considero muito. Então, preferi responder no privado, ok? Fique à vontade para me contestar, aliás.
Preciso dizer que não, não concordo com o que aquele cidadão fez no vídeo que você publicou no meu perfil com o título: "O que todo brasileiro de bem queria fazer".
Talvez, eu seja um cidadão do mal, mas penso que destruir um radar eletrônico no acostamento da rodovia não seja algo bom.
Primeiro porque se trata de um patrimônio público. Isso significa que o aparelho não é só da Polícia Rodoviária, é meu, seu, daquele "brasileiro bem intencionado" e de todos os outros cidadãos do País. Nem preciso dizer que nós todos pagaremos pelo conserto do equipamento, né?
Meu caro amigo, não consigo entender porque, mesmo sabendo que o patrimônio também é dele, um homem tem a pachorra de quebrar algo público, como lixeiras, bancos de praça, orelhões…
Será que ele gostaria de me ver entrar na casa dele, com a justificativa de que sou um "homem revoltado", e quebrar sua televisão? Não. Então, por que ele acha natural quebrar o patrimônio público, que é sua propriedade também? Tenho certeza de que, para ele, o que é privado importa mais do que o público, sendo que este não precisa de cuidado algum de sua parte. Se todo mundo pensar assim não vai dar mais para reclamar só do governo, não é mesmo meu truta?
Em segundo lugar, não posso concordar com sua afirmação porque o sujeito do vídeo cometeu um crime e, assim como você, gosto de ver bandido na cadeia e não saindo impune. A situação é pior ainda: vi um bandido saindo impune como herói nacional!
Eu sei que você vai reclamar comigo da tal "Indústria da Multa", mas, sem querer me gabar, nunca recebi uma multa por ultrapassar o limite de velocidade, mas, se recebesse, teria que pagá-la. Afinal, tenho que arcar com as minhas responsabilidades, não é mesmo? Você mesmo não vive reclamando que as pessoas só querem ter direitos e não deveres? Talvez, você fosse menos multado se parasse de dirigir a 120 km/h em uma pista cujo limite de velocidade é de 80 km/h, como vi você fazer naquele dia em que me deu carona. Kkkkkk. Você tem o direito de ir e vir, de usar a rodovia, mas também tem o dever de respeitar a legislação de trânsito.
(A propósito, você acha que esses limites são colocados à toa? Sorteados de um saquinho, como fazem nos bingos?)
Além disso, se o Estado descobriu uma forma de aumentar muito sua arrecadação com os cidadãos que descumprem a lei só tenho a dizer, meu camarada, que Ele acertou em cheio. É um verdadeiro empreendedor de visão! Brincadeiras à parte, infelizmente, acho que é só apertando no bolso das pessoas para que elas protejam suas próprias vidas e a dos outros no trânsito
Sei que é muito bonito seu argumento sobre o homem ter direito à liberdade de fazer o que quiser, pois cada um deve ter consciência do que faz, etc. Porém, seu discurso é só isso: bonito. No trânsito todos pagam o preço por um inconsequente no volante. Dessa forma, o Leviatã do Estado precisa estar ali presente, para segurar a onda dos motoristas, quando necessário.
Mil desculpas, Hidelbrando, por este textão e também pelo tom um pouco violento do final, mas precisava falar o que eu acho sobre o assunto. Foi o terapeuta que pediu. A propósito, como vai o Marquinhos? Vi as fotos do aniversário dele de um aninho. A gente precisa marcar uma breja qualquer dia desses, depois que esse negócio de coronavírus acabar. Mande um beijo para a Joice. Abração!
Ronaldo Ruiz Galdino é jornalista
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