Araçatuba

Mãe perde guarda da filha após denúncia de maus-tratos em ritual de candomblé

Por Redação |
| Tempo de leitura: 3 min

A Justiça de Araçatuba tirou da mãe a guarda de uma menina de 12 anos, passando para a avó materna, após denúncias de maus-tratos e possível abuso sexual em ritual de candomblé em um terreiro na zona leste de Araçatuba. A denúncia foi no dia 23 de julho e há pouco mais de uma semana a decisão judicial tirou a menina da mãe, conforme pedido feito pela própria avó.

Na sexta-feira (7) a mãe da criança, uma manicure de 41 anos, falou com a reportagem da Folha da Região , sobre o caso, e disse que houve exagero na denúncia, e que a menina estava apenas fazendo o ritual de iniciação no Candomblé e jamais passou por qualquer tipo de sofrimento, seja físico ou psicológico.

 A manicure explicou que a iniciação é como um retiro, onde a criança fica alguns dias no terreiro, que tem estrutura de uma residência, e não tem nada a ver com cárcere e também não há qualquer tipo de sofrimento. O ato de raspar a cabeça faz parte do ritual e a menina, envolvida no caso, estava ciente e concordou, segundo a mãe.

A manicure disse que sua mãe foi influenciada por suas irmãs para entrar com o pedido da guarda da menina, após exposição do caso na mídia. Ela disse que sempre manteve um bom relacionamento com a mãe, mas agora não se relaciona mais e nunca acreditou que a mãe pudesse pedir a guarda de sua filha.

A mulher ainda disse que nunca teve nenhum tipo de problema de relacionamento com a filha que pudesse afetar na decisão judicial para a perda da guarda. Ela acredita que, como seus familiares são católicos e não aceitam os atos de sua religião, ela entende que isso é intolerância religiosa, tese inclusive que sua defesa está usando na tentativa de reaver a guarda para a mãe.

A manicure disse que ficou surpresa com a decisão, ao perder a guarda da filha, principalmente porque nem ela e nem a criança foram ouvidas. Segundo a mãe, sua filha passou por exame no IML e não ficou constatado qualquer tipo de lesão corporal.

A DENÚNCIA

No dia 23 de julho policiais militares estiveram em um terreiro de candomblé no bairro Água Branca para averiguar uma denúncia de maus tratos e possível abuso sexual contra uma criança. No local, encontraram a menina de 12 anos com a cabeça raspada, a qual afirmou que estava em tratamento espiritual e não havia sido agredida. A responsável pelo terreiro também alegou que a criança estava em tratamento e teria de ficar em confinamento, mas não teria sofrido nenhum tipo de mau trato.

 Enquanto os policiais estavam no local apareceu a mãe da menina. Ela disse que tinha total conhecimento do tratamento espiritual e que sua filha não sofria maus-tratos. De acordo com os policiais militares, a menina , aparentemente, estava tranquila e não apresentava nenhum hematoma, ou lesão aparente, porém, estava com os cabelos raspados. Ela disse que teve os cabelos raspados no local, e trajava roupas brancas, que remetem à religião.

 A perícia foi acionada para fazer levantamento do local onde ocorrem as sessões espirituais. O delegado plantonista deliberou para que a vítima passasse por perícia no IML, para constatação do cabelo que havia sido raspado, o que entendeu como uma forma de lesão corporal. A mãe da menina informou que sabia do tratamento e não quis fazer nenhum tipo de representação contra os possíveis autores dos fatos, porque ela mesmo havia levado a filha para a iniciação ao candomblé.

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