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Pandemia provoca alteração do nível glicêmico e mudança na rotina de diabéticos

Por Redação |
| Tempo de leitura: 3 min

Durante a pandemia do coronavírus, algumas pessoas diabéticas estão percebendo alterações em seu nível glicêmico. Segundo pesquisa realizada com entidades de todo o mundo, incluindo a Universidade de São Paulo, essa alteração já vinha sendo apontada.

Segundo esse estudo, feito com 1,7 mil brasileiros, entre 22 de abril e 4 de maio, mais da metade (59,4%) relatou aumento, diminuição ou alta variação na taxa de glicose no sangue. A conclusão do levantamento sobre o impacto da pandemia no Brasil é de que a mudança de rotina levou a esse resultado. 95% dos entrevistados passaram a ficar mais tempo em casa e diminuíram a atividade física.

De acordo com Cláudia Terensi Bosco, gerente e enfermeira da ADJ - Associação de Diabetes Juvenil de Birigui, no início da pandemia, foi possível notar um aumento de diabéticos à procura da clínica. "Ficaram preocupados por acharem que seriam os maiores afetados pelo vírus, justamente por serem do grupo de risco. A equipe sempre explica aos pacientes que se o controle da glicemia for bom, o risco de complicações para a covid-19 é igual ao das pessoas sem diabetes", explica.

Claúdia também diz que não foi possível perceber aumento em novos casos de diabetes, porém a maior procura foi de pessoas com diabetes tipo 2. "Essas pessoas estavam com o controle da glicemia ruim e procuraram ajuda por medo da doença e possíveis complicações", conta.

Segundo a enfermeira, as pessoas que estão notando alteração no nível glicêmico, mudaram a rotina durante a pandemia. "Por conta da quarentena estão ficando mais em casa, acabam por comer mais e não praticam atividade física, o que faz a glicemia ficar ruim", diz.

A enfermeira conta que contraiu o coronavírus e possui diabetes tipo 2 e, durante o período em que esteve contaminada, sua glicemia passou de 300mgdl. "Nunca tinha passado de 160mgdl, sou uma pessoa bem controlada, minha HBA1c sempre foi abaixo de 6%, então foi um susto. Passei a usar insulina por alguns dias até o término dos medicamentos, com orientação médica. Minha alimentação também mudou pela falta de paladar e apetite, eu ia ajustando a insulina na quantidade de alimentos que ia comer", relata.

Cláudia diz que não precisou de internação. "A parte psicológica também afeta muito. Não precisei de internação, acredito que por estar controlando bem a glicemia", completa.

A farmacêutica Isabela Grigoleto Risk é paciente da ADJ e possui diabetes tipo 1 a 14 anos. Ela diz que, no início da pandemia, em alguns dias, notou a sua glicemia ficar mais alta do que de costume. "A ansiedade e tensão por medo de contrair o vírus e uma rotina completamente diferente fez com que o controle ficasse mais difícil. Mas depois que me adeqüei a essa nova rotina e comecei a praticar exercícios em casa ficou bem melhor", conta.

Isabela conta que pratica exercícios desde o início do diagnóstico e, no começo da quarentena, não conseguia se adequar à uma rotina de exercícios em casa. "Depois, com o acompanhamento de uma profissional e as orientações corretas foi possível voltar a praticar exercícios todos os dias em casa e com segurança", fala.

A farmacêutica também diz que está tomando o máximo de cuidado, por ser do grupo de risco. "Desde o início eu evito sair de casa, só se for extremamente necessário. Minhas horas de trabalho foram reduzidas para que eu pudesse ficar mais tempo em casa e sempre uso máscara. Tenho cuidado com a higienização das mãos e tudo a minha volta, mesa de trabalho, materiais, para evitar a contaminação", relata.

Isabela diz que no começo foi difícil se adaptar a todas as mudanças. "Não estava seguindo uma rotina exata, com uma alimentação mais relaxada e a falta de exercícios físicos, o que provocou alterações na glicemia. Percebi que era necessário voltar a seguir a rotina porque a pandemia duraria mais do que imaginávamos", completa.

Com informações Folhapress

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