Araçatuba

Araçatubense descomplica política internacional por meio de vídeos na internet

Por Redação |
| Tempo de leitura: 5 min

O estudante araçatubense Caio S. Afonso de Almeida, de 16 anos, tem feito sucesso na internet com vídeos sobre política internacional, principalmente as eleições americanas.

Com uma linguagem simples, mas conhecimento profundo, ele dá aulas de como funcionam as relações de poder pelo planeta, ajudando outros jovens e adultos a compreenderem melhor o mundo em que vivem. O canal “USA Eleições” tem apenas duas semanas, mas já tem despertado interesse dentro e fora do país - foram mais de 600 visualizações no geral.

Em entrevista exclusiva à Folha da Região, Caio faz um paralelo sobre o que observa em países como os Estados Unidos e o Brasil. Ele, que é filho Alessandra e Manoel Afonso, já projeta um crescimento do seu trabalho e cursar uma faculdade de Relações Internacionais.

Sobre a guerra comercial entre China e Estados Unidos, Caio dá um conselho ao Brasil: “o alinhamento com a China é o melhor à economia brasileira, independente de qualquer discordância ideológica”. Leia a entrevista:

Como surgiu a ideia de criar o canal e qual a sua intenção com ele?

Desde o início das campanhas para a eleição presidencial dos EUA, no começo de 2019, decidi acompanhar todo o processo e conhecer os candidatos. Desde então, passei estudar melhor o sistema eleitoral do país, além da política americana no geral. Após o fim das prévias partidárias e com o cenário eleitoral definido, muitos brasileiros passaram a falar sobre o assunto nas redes sociais e vi aí uma oportunidade de criar conteúdo sobre o tema. Muitas pessoas têm dúvidas sobre como funcionam as eleições nos EUA, já que utilizam um sistema eleitoral muito diferenciado. Sendo assim, vendo que existiam poucos conteúdos sobre o tema voltados para brasileiros, decidi criar o USA Eleições, no YouTube, com o objetivo de discutir e principalmente explicar o sistema eleitoral do país de forma simples a outros brasileiros.

Porque a ênfase na política internacional?

Além de ser uma área do meu interesse, política internacional não é um tema fácil de se encontrar na internet, principalmente com uma linguagem fácil e voltado especificamente para o processo eleitoral. Tendo em vista a falta de conteúdo sobre o assunto e o crescente interesse das pessoas no tema, vi uma oportunidade de fazer vídeos diferenciados sobre essa temática, com a utilização de uma linguagem simples, podendo assim discutir essa questão de forma acessível a todos.

Você sempre foi ligado às questões políticas?

Apesar de sempre ter acompanhado de certa forma um pouco de política, comecei a me interessar, de fato, sobre o assunto no início das campanhas presidenciais brasileiras, em 2018. Tratando-se de uma das mais importantes eleições da história do Brasil, muita coisa estava em jogo, então quis acompanhar intensivamente todo o processo.

E, no ano seguinte, iniciou-se a corrida eleitoral nos EUA, um assunto que também acompanhei ativamente. Portanto, desde 2018, passei a me interessar cada vez mais por política e principalmente o processo eleitoral.
Mas também acompanho o que acontece na política brasileira e mundial, fora dos períodos de eleição.

Como você vê hoje o cenário da macropolítica internacional?

Na minha visão, o atual conflito entre Estados Unidos e China pode ser considerado o início de uma nova “Guerra Fria”. As duas potências disputam por influência sobre os países subdesenvolvidos ao redor do mundo e tentam, acima de tudo, vencer a corrida tecnológica e econômica.

Com o crescimento surpreendente e rápido da China, os EUA iniciam um processo de boicote ao país asiático e aceleram suas produções tecnológicas, com destaque ao 5G.

Em relação a isso, pode-se considerar o 5G como um dos principais meios de dividir o mundo entre pró-China e pró-Estados Unidos, já que os países terão que decidir entre aceitar a nova tecnologia chinesa em seu país ou aguardar que os EUA a desenvolva, expondo, portanto, seu posicionamento nessa briga entre as duas potências.

O Brasil é um dos principais exemplos de países com esse dilema. Entretanto, não se pode ignorar o crescimento econômico de outros países com destaque a Coreia do Sul e Taiwan, mas, mesmo com um desenvolvimento muito rápido, será difícil alcançarem potências como EUA e China.

Na sua visão, como o Brasil deve se comportar na disputa entre americanos e chineses?

Acredito que o melhor para o Brasil, apesar das discordâncias ideológicas, é se alinhar à China, tendo em vista que já temos o país como nosso principal parceiro econômico. Cerca de 28% de todas as exportações brasileiras foram destinadas à China, em 2019. Já os Estados Unidos representam 16% do total.

E mesmo com Jair Bolsonaro no governo, um crítico da China e abertamente aliado dos EUA, as exportações brasileiras para a Ásia cresceram 15,5% em maio de 2020.

Em contrapartida, as exportações para a América do Norte caíram 18,5%, no mesmo período. Fica claro, portanto, que o alinhamento com a China é o melhor à economia brasileira, independente de qualquer discordância ideológica, já que o país já é o principal parceiro econômico do Brasil e aumenta sua participação no mercado nacional cada vez mais.

Como você vê a formação política dos jovens brasileiros, hoje?

Não acho que a educação brasileira ajuda o jovem a se interessar por política. Nosso sistema educacional é extremamente engessado e abre pouco espaço para esse tipo de discussão. Gastamos quase todo o nosso tempo de estudo com matéria conteudista e quase nenhum com conteúdos relacionados à política e cidadania.

Sendo esses últimos, na minha visão, mais importantes na formação de bons cidadãos para a sociedade que os primeiros. Dessa forma, a iniciativa para entender de política e assuntos desse tópico deve vir do jovem e mesmo quando esse interesse é despertado, não há muito tempo disponível para se aprofundar nisso.

Quais são os seus planos para os próximos anos?

Em relação ao USA Eleições, ainda pretendo disponibilizar mais conteúdos, não só até a eleição desse ano, mas também após ela. Ainda estou muito no começo do canal, foi criado há menos de duas semanas, então pretendo fazer novos vídeos e manter a frequência de postagens. Em relação à vida acadêmica, espero ser aprovado em alguma faculdade no final desse ano e poder cursar Relações Internacionais em uma boa universidade.

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