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Araçatuba compra 20 mil comprimidos de ivermectina para o combate à covid-19

Por Redação |
| Tempo de leitura: 4 min

A Prefeitura de Araçatuba adquiriu 20 mil comprimidos de ivermectina, antiparasitário que vem sendo utilizado no combate à covid-19. Com o aumento da prescrição do medicamento, os estoques zeraram no município, segundo a Secretaria Municipal de Saúde.

Nessa quarta-feira (22), o município publicou uma ratificação de dispensa de licitação para a aquisição do remédio, que vai custar R$ 59.600,00. A previsão é que a nova remessa chegue na segunda quinzena de agosto.

A ivermectina faz parte da lista de medicamentos disponíveis em Araçatuba para o enfrentamento ao novo coronavírus, assim como a azitromicina (antibiótico), predinisona (corticoide) e a cloroquina, recebida do Ministério da Saúde.

A lista inclui, ainda, antitérmicos, analgésicos e anti-inflamatórios, como ibuprofeno, dipirona e paracetamol, também disponíveis na rede, mas todos são entregues mediante prescrição médica (receita).

Indicada para doenças parasitárias, como sarna e piolho, a ivermectina passou ser utilizada no tratamento da covid-19 após a publicação de um estudo australiano que concluiu que o medicamento possui ação antiviral contra o SARS-CoV-2, causador da covid-19. Os testes, no entanto, foram realizados em laboratório, e não em seres humanos.

Apesar disso, médicos passaram a prescrever a ivermectina no combate à covid, o que provocou uma corrida às farmácias. Em Araçatuba, a venda aumentou exponencialmente e os estoques zeram rapidamente à medida que novas remessas são recebidas pelos estabelecimentos. De outro lado, também aumentou o volume de pedidos nas farmácias de manipulação.

ANVISA

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) emitiu nota a respeito do uso do medicamento no combate à covid-19.

“Não existem estudos conclusivos que comprovem o uso desse medicamento para o tratamento da covid-19, bem como não existem estudos que refutem esse uso. Até o momento, não existem medicamentos aprovados para prevenção ou tratamento da covid-19 no Brasil. Nesse sentido, as indicações aprovadas para a ivermectina são aquelas constantes da bula do medicamento. Cabe ressaltar que o uso do medicamento para indicações não previstas na bula é de escolha e responsabilidade do médico prescritor”, afirmou a Anvisa.

Anvisa passa a exigir retenção de receita para venda de Ivermectina em farmácias

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) criou uma norma que determina que farmácias passem a exigir receita em duas vias para venda do vermífugo ivermectina, com a primeira via sendo retida pelo estabelecimento.

A medida muda o controle sobre esse tipo de medicamento, que é indicado para sarna, piolho e parasitas intestinais. Até então, a exigência era apenas de apresentação de uma via de receita simples, o que, na prática, é pouco cobrado pelas farmácias. A mudança ocorre em meio a um aumento na busca pelo medicamento nas farmácias.

Nos últimos meses, mensagens que indicam a ivermectina como possível droga para a covid-19 têm circulado nas redes sociais, embora não haja nenhuma comprovação científica de eficácia no combate à doença.

Segundo a Anvisa, o objetivo da nova norma é evitar o uso indiscriminado do medicamento. A norma não determina um tipo específico de receita, a qual pode ser feita por meio de receituário privativo do médico ou da unidade de saúde, mas com retenção de uma via para controle nas farmácias.

O documento deve ter dados do médico e paciente, informações sobre a indicação do medicamento e data de emissão, com validade para 30 dias. Na prática, o novo modelo é semelhante ao usado para venda de antibióticos, por exemplo. A Anvisa, porém, optou por colocar a ivermectina em uma norma única voltada para controle de medicamentos em meio à emergência pela covid-19.

Com a exigência de retenção de receita, o medicamento passa a fazer parte do Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados. A exceção, segundo a Anvisa, vale para caixas de ivermectina que já constavam do estoque de farmácias.

A agência já havia adotado orientação para cobrança de receita em duas vias no caso dos remédios hidroxicloroquina, cloroquina e nitazoxanida, mas em normas separadas. A diferença é que, agora, uma única resolução vale para todos esses medicamentos. Indicadas originalmente para malária, artrite e lúpus, a hidroxicloroquina e a cloroquina também vêm sendo alvo de forte procura nas farmácias desde que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, passou a defender o medicamento para a covid-19. No Brasil, o discurso foi seguido pelo presidente Jair Bolsonaro.

Resultados iniciais de estudos randomizados e controlados feitos até o momento, no entanto, não têm demonstrado eficácia. Em documento divulgado na última semana, a Sociedade Brasileira de Infectologia afirma que "é urgente e necessário que a hidroxicloroquina seja abandonada no tratamento de qualquer fase da covid-19".

A orientação da entidade ocorreu um dia após dois estudos padrão-ouro mostrarem que a cloroquina não tem efeito em pacientes em quadros iniciais do novo coronavírus, o que já havia sido demonstrado em outras publicações no caso de pacientes graves.

No mesmo documento, a sociedade recomenda que Ministério da Saúde, municípios e estados reavaliem orientações que indicam a droga, o que evitaria gastar "dinheiro público em tratamentos que são comprovadamente ineficazes". Em maio, o Ministério da Saúde publicou orientações que ampliam a oferta da cloroquina para pacientes com sintomas leves da covid-19, mesmo sem comprovação de benefícios e com alerta para riscos.

A norma da Anvisa, porém, não vale para esses casos, já que a distribuição por programas de governo segue protocolos próprios.

Regional Press e Folhapress

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