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Após abertura parcial, Araçatuba amplia o número de internações

Por Redação |
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Araçatuba e outras cidades do interior do estado de São Paulo que iniciaram o plano de flexibilização com maior reabertura -e depois tiveram que regredir- tiveram crescimento nas internações e mortes por coronavírus maior do que a média.

Nesta segunda-feira (29), mesmo dia em que Araçatuba confirma mais uma morte por covid-19 - de um homem de 79 anos que estava internado no Hospital Unimed desde o dia dois de junho - o município registra o maior número de internações em hospitais da cidade pela doença desde o início da pandemia, chegando aos 47 pacientes hospitalizados, todos moradores de Araçatuba, dez mais do que os 37 internados até esse domingo (28).

Conforme boletim da Vigilância Epidemiológica, a mais recente vítima da infecção pelo novo coronavírus estava na UTI, intubado e em ventilação mecânica. Ele faleceu na manhã de ontem e é o décimo nono óbito pela doença no município, que ainda investiga uma morte suspeita.

Dos 47 pacientes internados em hospitais da cidade, 22 estão em leitos de enfermaria e 25 em leitos de UTI, dos quais 14 estão em ventilação mecânica. Até domingo, eram 23 em leitos de enfermaria e 14 em UTI, dos quais dez estavam em ventilação mecânica.

A Vigilância recebeu 39 resultados de exames nesta segunda, dos quais 28 testaram positivo para a doença e 11 negativo. Com isso, a quantidade de pacientes infectados passou de 632 para 660 - destes, 350 estão curados. Já os que testaram negativo passaram de 744 para 755.

Outras 388 pessoas aguardam resultado de exame, 17 a mais do que os 371 que estavam à espera das análises laboratoriais nesse domingo.

Já o número de notificações de casos suspeitos passou de 1.815 para 1.871, 56 a mais. De outro lado, a quantidade de pacientes em monitoramento ou tratamento domiciliar caiu de 661 para 653. Estas pessoas testaram positivo para a doença ou aguardam resultado de exame e permanecem em monitoramento por 14 dias, período de incubação do novo coronavírus.

PLANO SP

O governo João Doria (PSDB) começou a implantar a reabertura no início de junho, estabelecendo classificações que iriam de um, mais rígida, a cinco, de reabertura.

Na ocasião, as regiões dos municípios de Araraquara, Bauru, Barretos e Presidente Prudente, no interior paulista, foram classificados logo na fase 3 (amarela).

Esse estágio, no qual a capital paulista acaba de entrar, permite a abertura de bares, restaurantes e salões de cabeleireiros, além de estabelecimentos permitidos nas fases anteriores, como comércio de rua, shoppings e escritórios.

Os índices foram estabelecidos pelo comitê de saúde, levando em consideração dados como ocupação de leitos de UTI, crescimento da doença e mortes. As quatro regiões tiveram que regredir à fase 1 ou 2 devido a piora nestes índices.

Quase um mês depois, as áreas das quatro cidades tiveram crescimento de internações acima da média do estado. Segundo levantamento feito a partir de dados do governo, o índice de novas internações nos últimos sete dias aumentou 62%, passando de 407 para 660, na comparação entre os dias 1º e 25 de junho.

Essa taxa diária contabiliza sempre a quantidade de internações de casos confirmados e suspeitos nos últimos sete dias, contando UTI e enfermaria. O estado todo, por exemplo, teve aumento de 10% no período –de 11.743 para 12.957.

A cidade de São Paulo, que começou na fase 2, um pouco mais restritiva, teve queda de 6% no índice, que saiu de 5.679 para 5.341.

Integrantes do governo de SP afirmam que o aumento nessas áreas faz parte da interiorização da doença e que em alguns lugares do interior houve alto índice de descumprimento do isolamento social.

No entanto, mesmo comparando com cidades do interior que iniciaram em estágio mais restrito, as quatro áreas tiveram índice de crescimento em internações ligeiramente maior. Retirando as quatro regiões que iniciaram na fase 3, o crescimento de internações no interior foi de 56%.

A região com maior aumento foi Presidente Prudente, de 185%, que passou de 41 para 117 internações, comparando 1º e 25 de junho. A cidade regrediu à fase vermelha.

Quando se olha as mortes, embora os casos ainda sejam numericamente na casa de um dígito, essas regiões tiveram aumentos maiores do que o resto do estado, todas acima de 100% quando se contabiliza a média móvel de óbitos. A variação no estado foi de 20%.

Para o epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da USP Eliseu Alves Waldman, o início menos restrito no interior pesou no processo da interiorização do coronavírus. "Essas cidades que mudaram de fase estavam numa situação bem confortável e de uma hora para outra os hospitais e UTIs começaram a lotar, que é o que aconteceu também no Sul ", disse.

O epidemiologista pontua, porém, que há problemas causados por falta de políticas localizadas e pela própria população. Ele afirma que as prefeituras deveriam passar a fazer programas de testagem eficientes. Além disso, é preciso que os protocolos continuem sendo seguidos.

"O grande problema é o seguinte: você não pode entender como parece que entenderam como volta ao normal. Você tem que garantir todas as medidas que estão sendo propostas desde o início, como uso de máscaras, distanciamento de 1,5 metro e outras", diz Waldman.

O coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus em São Paulo, Carlos Carvalho, afirma que é impossível saber se a classificação inicial das regiões influenciou porque a aplicação ou não dos protocolos cabe às cidades.

"O plano ele faz sugestões. Alguns prefeitos implantaram essas sugestões, outros prefeitos não implantaram. Me mandaram foto de locais no interior onde estava todo mundo sem máscara e bebendo às 22h. Eu não sei se foi restrição proporcional às cores que nós sugerimos", disse. "Eu não tenho como saber se o prefeito aderiu ou não aderiu, se fez a vigilância correta ou não. Eu não posso dizer que plano está errado se eu não acompanhei a implantação."

Secretário de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi, afirma que aceleração nas cidades que iniciaram na fase amarela está no mesmo contexto de interiorização da doença que afetou todo o interior.

Responsável pela ponte com prefeitos do interior, Vinholi diz que a percepção da dimensão da pandemia começa a mudar nas cidades do estado. "A região de Prudente, por exemplo, começa a sentir agora. A gente tinha o menor delta do estado de isolamento na região".

Patrícia Ellen, secretária de Desenvolvimento Econômico, frisa que os protocolos do governo podem mudar a qualquer momento. "O Plano São Paulo não é de flexibilização, ele é de gestão e convivência com a pandemia. Se aumenta , nós temos gatilhos para aumentar as restrições."

Enquanto o interior sofre cada vez mais restrições, a gestão Covas prepara a reabertura de bares e restaurantes a partir da próxima semana.

A cidade vem tendo queda consistente nas internações, mas, para especialistas, se São Paulo terá destino similar a outras regiões que passaram pela fase amarela dependerá muito de como a população vai encarar a nova etapa.

Se a população mantiver protocolos de isolamento e higiene, pode se manter nesta faixa. Caso contrário, pode viver uma segunda onda.

Regional Press

Com informações Folhapress

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