Araçatuba

Shopping espera movimento até 70% menor após reabertura em Araçatuba

Por Redação |
| Tempo de leitura: 3 min

Um dos shoppings de Araçatuba espera uma queda de até 70% no fluxo médio de pessoas e nas vendas após a reabertura restrita anunciada pelo governador de São Paulo, João Doria, para acontecer a partir de 1º de junho. A comparação é sobre o movimento de antes da pandemia pela Covid-19 e o fechamento do comércio.

No Estado de SP, além das restrições impostas pelos protocolos de segurança e higiene, executivos do setor afirmam que a tendência é que a reabertura paulista siga o modelo já observado em alguns municípios do Sul, onde esse processo já começou. "A expectativa é que haja uma redução de até 50% no fluxo que víamos pré-pandemia, muito também pela limitação de não permitir nada que gere aglomeração, como eventos, teatros ou cinemas. As pessoas também tendem a mostrar maior cautela e atenção em questão à saúde", disse o vice-presidente da Multiplan, Vander Giordano.

Em entrevista para a Folha da Região, Klauss Martins Andorfato, diretor do Araçatuba Shopping, disse que a expectativa do centro de compras é que o movimento caia entre 60% e 70% nesta retomada das atividades. "Um equipamento do tamanho de um shopping em funcionamento custa muito caro, e operar sem cinemas, sem diversão, praça de alimentação, academia, universidades, é muito complicado", afirmou.

"É uma crise que não tem data para acabar. Estamos todos assustados e preocupados com essa situação, que nunca foi vivenciada antes. Estaremos trabalhando nos próximos meses com o medo da doença, do desemprego e do fechamento das empresas", ressaltou.

A perspectiva é que além do uso de máscaras e da higienização mais frequente das mãos com álcool em gel, consumidores também reduzam o tempo de permanência em shoppings de uma média de 75 minutos para cerca de 25 minutos - situação que também já foi vista em outros estados.

Nas medidas anunciadas por Doria nesta quarta-feira (27), a diretriz inicial é que os estabelecimentos - incluindo os comércios de rua - trabalhem com horário reduzido de quatro horas e com um fluxo de 20% da capacidade original.

Segundo o presidente da Alshop (Associação Brasileira dos Lojistas de Shopping), Nabil Sahyoun, ainda o retorno seja gradual e relativamente lento, a recuperação do faturamento dos lojistas tende a crescer de forma mais significativa em agosto.

"Tudo também vai depender muito do cenário macroeconômico, com os níveis de desemprego e renda. Mas o movimento tende a ficar mais interessante no Dia dos Pais e a expectativa é que esteja um pouco mais próximo da normalidade no Natal", disse.

No entanto, a retomada lenta do movimento e do faturamento ainda deve pesar principalmente para os micro, pequenos e médios negócios, que já vinham de dois meses de fluxo de caixa comprometido pela quarentena.

Para o vice-presidente da FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo), Francisco De La Tôrre, o governo do estado precisaria oferecer um socorro de ao menos R$ 50 bilhões para que o setor conseguisse sobreviver à pandemia.

"Os protocolos precisam ser seguidos e a determinação de que seja uma retomada gradual, baseada na ciência e na medicina, é fundamental. Mas em termos econômicos e financeiros, os reflexos dessa reabertura ainda são muito pequenos e o governo do estado não tem apresentado um plano de ajuda para essas empresas", afirma De La Tôrre.

No início da quarentena, o governo de São Paulo anunciou a injeção de R$ 650 milhões por meio do DesenvolveSP e do Banco do Povo.

"Essa quantia não é nem um dia de faturamento do comércio do estado. Seguimos firmes, cobrando que o governo apresente um plano de ajuda para os setores de comércio e serviço. Considerando os 66 dias praticamente parados e o faturamento diário de R$ 1 bilhão do setor, a conta é simples: para retratar qualquer acordo substancial, estamos falando de ao menos R$ 50 bilhões ", diz o vice-presidente da federação.

O último levantamento da federação aponta que considerando a queda de faturamento esperada para abril, maio e junho, cerca de 44 mil empresas fecharão as portas neste ano.

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