A Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo) aprovou um projeto de lei que antecipa o feriado de 9 de julho (Revolução Constitucionalista) para a próxima segunda-feira (25). A medida vale para todo o estado. O objetivo é tentar ampliar o isolamento social em São Paulo, que concentra a maioria dos casos confirmados e mortes pela covid-19 e se transformou no epicentro do novo coronavírus no país.
Como foi a votação na Alesp O texto foi aprovado na madrugada de hoje sem votar as emendas. A sessão foi paralisada às 4h por falta de quórum. Uma sessão extraordinária foi convocada para hoje, às 10h, para votar emendas. Só após a conclusão desta etapa é que o projeto poderá seguir para a sanção de Doria. Ao todo, 47 deputados votaram a favor da medida para antecipar o feriado, e 5 foram contrários após quase 14 horas de debates.
O projeto tramitou com urgência, e começou a ser votado dois dias após ser apresentado pelo governo. O debate que precedeu a votação foi marcado por defesas e ataques ao governo de Jair Bolsonaro (sem partido) e ao isolamento social. Os deputados bolsonaristas discursaram e se posicionaram contra a antecipação do feriado. O deputado Gil Diniz (PSL), conhecido como "Carteiro Reaça" e que engrossa as fileiras dos apoiadores do presidente na Alesp chamou o projeto de Doria "improvisado" e um "desrespeito ao Parlamento".
Outros deputados endossaram as críticas, mesmo os que apoiavam a medida, por entender que o governo poderia ter enviado a proposta antes. Correligionário de Diniz, o deputado Frederico D'Avila foi um dos que se posicionaram de forma contrária à antecipação do feriado. "Pior do que o que está acontecendo é manter as pessoas em casa, e fazendo esse contágio através de uma sonda: aquela pessoa que sai de casa para ir à farmácia, para o mercado, e quando volta contamina os outros", disse.
Deputados progressistas e a parte da direita que sustenta o governo João Doria foram favoráveis ao projeto, mas afirmaram que a medida é "paliativa" e não trata os problemas decorrentes da pandemia com a devida profundidade. Primeira deputada a falar na sessão de hoje, Mônica Seixas (PSOL) afirmou que antecipar o feriado "é melhor que nada", e citou medidas restritivas mais radicais para conter a pandemia. "O isolamento vai demorar, a quarentena vai demorar, a capital está vivendo quase um colapso na saúde. Não existe hospital vazio. Os pobres estão saindo para trabalhar porque precisam. Enquanto isso, o bolsonarismo sequestra o pequeno comerciante porque o governo de São Paulo não dá resposta de como ele vai pagar suas contas", disse Seixas.
Fonte: UOL
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