Araçatuba

Araçatubenses falam sobre a importância do feminismo

Por Redação |
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Neste domingo (8), foi celebrado o Dia Internacional da Mulher, que celebra as lutas e conquistas das mulheres pelo direito ao voto e pelo fim da discriminação, especialmente no trabalho. Mas, ainda há muito a progredir. Cada vez mais temos visto a importância da união das mulheres para não só que os direitos adquiridos sejam garantidos, como também para que tantos outros sejam realmente concedidos.

Em todo o mundo, vemos uma onda do "feminismo" , que nada mais é do que um movimento social que luta contra a violência de gênero e pela igualdade de direito e de condições das mulheres na sociedade, crescer e se espalhar. Com diversos protestos ao redor do mundo nos últimos tempos, ele busca combater o machismo, que está enraizado em nossa sociedade. O feminismo, ao contrário do que muitos pensam, não é o oposto de machismo, pois não tem como objetivo a submissão dos homens.

O machismo é um comportamento fundamentado na compreensão de que os homens são superiores às mulheres. O feminismo é um movimento social, político e filosófico que se opõe à essa concepção e visa a igualdade entre os gêneros.

Em Araçatuba, existem muitos grupos e personalidades que estão na luta pela igualdade entre homens e mulheres. Durvalina Garcia é uma delas. A professora e ex-vereadora participa ativamente de sindicatos, movimentos sociais e coletivos de mulheres, que lutam pela participação feminina em todos os setores da sociedade.

Durvalina diz que é imprescindível a manutenção da organização de luta. “A sociedade é extremamente machista, isto não é novidade, até os homens reconhecem isso. Entre outras coisas, é importante avançar nas políticas públicas para mulheres, ampliar e garantir escolas de qualidade em tempo integral para os seus filhos, campanha permanente contra o sistema patriarcal e demais lutas feministas e, principalmente, o combate a qualquer tipo de violência contra a mulher.”

Ela ainda ressalta que a luta pelo direito das mulheres não se restringe apenas a elas, é uma luta da sociedade, e que os homens também precisam entrar no debate e ajudar a extirpar a nódoa que macula a sociedade, além de colaborar na construção de um mundo mais justo, fraterno e humano. Para ela, o do dia de hoje é importante para a ampliação do debate qualificado e denúncias em relação à desigualdade, a falta de políticas públicas específicas para mulheres e a violência contra as mesmas que tem aumentado de maneira espantosa.

Durvalina Garcia, 69 anos

“Como professora, pude ter maior contato com a comunidade e com os dramas, sofrimentos e dificuldades de setores mais vulneráveis da comunidade, e, principalmente, a luta das mulheres trabalhadoras por direitos sociais”, conta ela.

Para ela, uma grande conquista adquirida, ao longo dos anos, foi a organização dos espaços das mulheres nos sindicatos, nas centrais sindicais, nos movimentos sociais e nas diversas formas de organização. “Mesmo não sendo o ideal, houve avanços. Estes espaços contribuem muito para a organização para a luta das mulheres”, reafirma Durvalina.

Do ponto de vista das políticas públicas também houve avanços, segundo a entrevistada, como por exemplo, a Lei Maria da Penha, do Feminicidio e políticas públicas específicas para o atendimento da mulher. “Não podemos deixar de lembrar que, nos últimos tempos, houve retrocessos. Com a reforma de Previdência, as mulheres foram as mais prejudicadas, porque perderam direitos adquiridos ao longo dos anos.”

Desde 9 de março de 2015, a legislação prevê penalidades mais graves para homicídios que se encaixam na definição de feminicídio - ou seja, que envolvam "violência doméstica e familiar e/ou menosprezo ou discriminação à condição de mulher". Os casos mais comuns desses assassinatos ocorrem por motivos como a separação.

Najara Leite, 31 anos

Najara Leite é estudante de ciências sociais, dirigente partidária e atuante na área de formação política, também é uma araçatubense que luta pelo direito das mulheres. Ativista, sua bandeira é pela vida das mulheres, prioritariamente, pois, segundo ela, muitas sofrem violência doméstica e várias são mortas pelo feminicídio. “Essa má cultura foi naturalizada por muito tempo e não podemos deixar essa violência passar sem punição. Passa pela desconstrução da mulher como uma figura sexualizada na sociedade e para a construção dela como mulher empoderada e de direito à vida. As mulheres para além do direito à vida, merecem o respeito e a igualdade na relação homem-mulher e a sociedade”, aponta.

Para Najara, uma das grandes conquistas ao longo dos anos foi o direito ao voto, pois, através do marco, conseguiram dar um passo importantíssimo para a luta das mulheres, sendo a oportunidade de escolher a sociedade onde constroem suas raízes, família e futuro. “O direito ao voto proporcionou o acesso das mulheres nos espaços de decisão da sociedade, podendo contribuir na melhoria e crescimento do território em que vivem”, aponta.

Apesar de todos os avanços, faltam muitas conquistas, segundo a ativista, sendo a igualdade salarial a mais importante delas. “Hoje em dia existem mulheres que ganham menor salário em relação aos homens desempenhando as mesmas funções, essas diferenças variam entre 30% a 50% nas maiorias dos casos. Isso é uma das bandeiras que erguemos e estamos em busca de conquistar futuramente. A luta contra o sexismo, sob todas as formas, também é uma coisa pela qual devemos lutar, pois é ele que reproduz a cultura da descriminalização de gênero”, alerta Najara.

Ela diz que o movimento das mulheres é muito importante em qualquer época, pois passa pela visão e percepção da mulher na sociedade, seja pela ampliação de direitos ou a permanência deles. “Já houve neste país o Ministério das Mulheres que proporcionou muitos avanços nas políticas públicas para mulheres, mas, infelizmente, foi extinto. A nossa luta é constante e diária. Dependendo da conjuntura política avançamos ou retrocedemos”, reflete.

Segundo Najara, o Dia Internacional da Mulher permite o exercício da reflexão do papel da mulher na sociedade, simbolizando conquistas já realizadas e oferta coragem e resistência para as futuras. “Importante pela luta, pelo direito a vida, pelo respeito e pela igualdade”, finaliza.

Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, uma mulher é morta a cada 7 horas simplesmente por ser mulher - o chamado feminicídio. Só em 2019, 1.314 mulheres foram vítimas.

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