Peritos do IC (Instituto de Criminalística) retornarão ao imóvel onde o advogado Ronaldo César Capelari, de 53 anos, foi morto e esquartejado para realizar uma nova perícia. O corpo dele foi encontrado no dia 14 de janeiro dentro de três sacos, no bairro Água Branca, em Araçatuba.
Segundo a polícia, a nova perícia será feita para complementar os laudos técnicos que serão anexados ao inquérito policial.
A mulher de Capelari esteve na delegacia de Araçatuba nesta quarta-feira (22) para prestar depoimento. Segundo a polícia, o procedimento é padrão, principalmente, porque ela foi a última da família a vê-lo. Ainda de acordo com a Polícia Civil, o celular e as mãos da vítima foram jogados em um córrego da cidade e ainda não foram encontrados. As investigações ainda estão em andamento.
O CASO
Capelari desapareceu por volta das 20h de segunda-feira (13), quando disse à família que iria até uma academia praticar natação e não apareceu. Na manhã seguinte, familiares registraram um boletim de ocorrência de desaparecimento e as buscas começaram. Em um primeiro momento, a polícia civil levantou por onde o advogado havia passado naquele dia. Denúncias levaram os policiais a rastrearem e encontrarem a caminhonete usada pelo advogado. O veículo foi localizado em um estrada rural, aos fundos do bairro Água Branca, já no município de Birigui naquela manhã.
Dentro do veículo, peritos encontraram um par de chinelos de Capelari com manchas de sangue e uma pedra de concreto com um fio amarrado ao seu redor. Durante a tarde daquele dia (terça-feira, 14), a Polícia Militar apurou que a caminhonete, cujas imagens haviam sido divulgadas pela imprensa, havia pernoitado em uma casa no bairro Água Branca, zona leste de Araçatuba. Policiais foram até o endereço e entraram na edícula da casa.
Dentro do banheiro da edícula, os agentes da lei encontraram três sacos com partes do corpo do advogado, que estava esquartejado. Naquela mesma noite, a polícia prendeu quatro suspeitos do crime: Laís Lorena Crepaldi, de 20 anos, que seria a pivô do caso, e mais três homens entre 19 e 25 anos, apontados pela mulher como cúmplices no homicídio.
O quarteto foi levado ao plantão policial de Araçatuba, onde prestou depoimento ao delegado. Naquele momento, a mulher disse durante seu interrogatório que serviu como “isca” atraindo o advogado para sua casa na noite de segunda-feira (13), sendo que antes dele chegar, ela teria deixado o imóvel aberto, onde já estavam seus três comparsas. Ainda, de acordo com a jovem, a ideia era apenas roubar o advogado, mas ele teria reagido, e os rapazes então decidiram matá-lo. “Assim que ele chegou e foi entrando no imóvel, foi abordado pelo trio e levado para dentro da residência, sendo que a partir daí não teria visto mais nada e apenas no dia teria ficado sabendo que o advogado havia sido assassinado por que reagiu ao assalto”, disse Laís para a polícia.
Dos três rapazes presos após serem apontados pela moça como participantes do crime, um negou qualquer envolvimento, o outro disse que foi convidado para participar da “fita”, no caso o assalto contra a vítima, mas teria recusado, e o terceiro acusado ficou calado. Com esses depoimentos em mãos, a polícia civil pediu para a Justiça de Araçatuba a prisão temporária dos quatro suspeitos, que foi concedida no mesmo dia.
Entretanto, na noite de quarta-feira (15), a polícia prendeu o namorado de Laís, Jonathan de Andrade Nascimento, de 21 anos, acusado de ter matado e esquartejado a vítima. Nascimento foi preso após sua namorada mudar a versão do depoimento e apontá-lo como cúmplice na morte de Capelari.
Em um segundo depoimento dado a polícia, a suspeita teria confessado a participação do namorado, um jovem de 21 anos, morador do bairro Umuarama, em Araçatuba. Diante da mudança da versão, a polícia civil fez o pedido da prisão temporária do namorado da mulher, concedido pela Justiça. A Polícia trabalha com a possibilidade de latrocínio (roubo seguido de morte), porque não foi encontrado o telefone celular da vítima e nem R$ 200 em dinheiro que a moça afirmou que iria receber do advogado.
Após a reviravolta no caso, a Polícia de Araçatuba pediu a revogação da prisão dos três homens que haviam sido apontados por Lorena por terem participado do crime. O trio foi liberado no final da tarde de quinta-feira (16).
Segundo informações da polícia, o casal teria confessado o crime. Ambos estão presos e foram transferidos para cadeias da região na manhã da última sexta-feira (17). O delegado Antônio Paulo Natal disse, em entrevista coletiva, que o casal foi muito “frio” durante o depoimento. A moça, segundo ele, só demonstrou arrependimento em uma situação, que não foi nem com relação à morte e esquartejamento do advogado, mas sim pelo fato de ter denunciado três rapazes que, em tese, não participaram do crime.
Fale com o Folha da Região!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.