Ele passeava pelo lindo bosque, ao som de pássaros e crianças brincando quando subitamente ouviu a voz que dizia “Você precisa se levantar!”. Assustado e sem nada entender perguntou “Por que preciso me levantar?”. A voz de forma decidida, porém amorosa, respondeu “já são 07hs, e você precisa ir para a faculdade”. Com sono ainda sentindo-se perdido questionou:
“Faculdade? Não vou para lugar nenhum! Determinada à voz alertou:” Filho, hoje é segunda- feira e você é o reitor da universidade, levante-se agora!”. Prezado leitor, essa breve introdução exemplifica os diferentes níveis da consciência que por sua vez se subdivide em três níveis; inconsciente, parcialmente consciente e consciente”. No caso do homem que “passeava no bosque”, ele estava tão absorto no próprio sonho, que se tornou completamente inconsciente de suas responsabilidades profissionais. Ao ser acordado pela mãe, titubeante e sonolento, conseguiu perguntar o motivo pelo qual deveria ir trabalhar; estava neste ponto, parcialmente consciente. Por fim, quando a realidade se impôs clara e evidente, começou a pensar nas responsabilidades daquela manhã que como reitor deveria atender, e que se fossem descumpridas lhe trariam enormes consequências, tornando-se então completamente consciente.
Assim a produtividade é fortemente impactada pela forma como os problemas são gestados, nascidos e geridos na exata medida do nível de nossas consciências, coletiva e individualmente. Assim um político, um médico ou um padeiro podem variar da extrema competência em suas funções, até resultados fortemente negativos em razão do nível de consciência presente ou não em suas decisões e ações. Ser consciente não é ser bom ou mau, não é, portanto um valor moral ou ético em si mesmo, como bem apontava Nietzsche em A genealogia da moral (1887), é muito mais que isso. Ser consciente é ser capaz de agir comprometido com a verdade, a boa companheira que se manifesta intimamente e com a força necessária para a precisa observação da realidade. Por outro lado, a sociedade enquanto burguesa e não comunitária se une “vendendo” valores e princípios que não pratica, o que inibe diferenças, suprime espaços, distrai e confunde a tão necessária acuidade perceptiva.
Poucos realmente querem a clareza, pois ela aponta o dedo para a luz do saber que cobra nada menos que a verdade do que realmente se é.
Marcelo Prates é consultor empresarial
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