Araçatuba

Sidney Fernandes: Eu sou você, amanhã

Por Redação |
| Tempo de leitura: 2 min

— Irmão, cuidado! — disse-me um Espírito, numa reunião mediúnica. “Mude de comportamento. Eu sou você, amanhã”.

Já ouvi muitas recomendações de espíritos desencarnados, mas nunca havia escutado algo tão específico e pessoal.

Mas não é exatamente esse o objetivo dos espíritos que se comunicam nas reuniões mediúnicas, arrependidos de seu passado, o de nos alertar, quando veem que estamos incidindo em seus mesmos erros?

Refleti naquela comunicação e cheguei à conclusão de que em muitas ocasiões comportamo-nos de maneira inadequada. Atentemos para este pequeno episódio.

“Uma senhora muito elegante vai às compras numa feira livre e para numa banca de frutas. Resolve pechinchar para obter alguma vantagem sobre humilde vendedora. Sai dali vitoriosa por ter conseguido seu objetivo. A mesma senhora dirige-se a um restaurante de luxo. Lá pede um prato caro e deixa uma polpuda gorjeta”.

Esta pequena história, infelizmente, se repete constantemente na vida das pessoas. Diante de necessitados e humildes, costumamos mostrar nosso poder. Diante de poderosos e superiores, mostramos a nossa subserviência e generosidade.

Meu pai costumava comprar bens de que não necessitava, às vezes até por preços superiores aos que realmente valiam, apenas para auxiliar humildes vendedores. Perguntei certa vez a ele por que fazia aquilo, e ele me respondeu:

— Filho! Quando somos generosos com pessoas que nos servem, estamos praticando a caridade sem ofender sua dignidade.

Vejamos este episódio ocorrido com André Luiz, registrado em seu livro Libertação.

“Gúbio, Elói e André Luiz precisaram adentrar em região inferior, dominada por Gregório, a pedido de sua mãe. A vestimenta espiritual que portavam, no entanto, não lhes permitiria qualquer relacionamento com as inteligências atrasadas que ali se encontravam. Começaram a inalar, com muito pesar, as substâncias espessas que pairavam ao derredor, o que lhes provocou dolorosa metamorfose, como se tivessem corpo carnal”.

Como vemos, para fazer o bem e cumprir sua missão, espíritos elevados renunciam à sua posição superior e se igualam aos necessitados que assistem, puramente por amor e resignação.

Fiquemos com Emmanuel, em Fonte Viva: “Descer para ajudar é a arte divina de quantos alcançaram conscienciosamente a vida mais alta. Não te faças demasiado superior diante dos inferiores ou excessivamente forte perante os fracos. Há méritos celestiais naquele que desce ao pântano sem contaminar-se, na tarefa de salvação e reajustamento. Que seria de nós se Jesus não houvesse apagado a própria claridade fazendo-se à semelhança de nossa fraqueza, para que lhe testemunhássemos a missão redentora? Aprendamos com Ele a descer, auxiliando sem prejuízo de nós mesmos”.

Atentemos, amigo leitor, às recomendações dos irmãos que voltam à Terra com preciosos alertas. Afinal de contas, já passaram por tudo o que estamos passando e agora, com razão, advertem:

— Cuidado com a sua vida atual. Eu sou você, amanhã!

Sidney Fernandes é escritor e dirigente no Centro Espírita Amor e Caridade, em Bauru. Descreve esta Face Espírita/Ano 12 para publicação na Folha da Região

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