Araçatuba

Preço do feijão sobe até 48,49% em novembro nos supermercados

Por Redação |
| Tempo de leitura: 3 min

A disparada do preço da carne em novembro, que puxou a inflação do mês, chamou a atenção dos consumidores. Mas outro item muito popular na mesa do brasileiro também vem tendo uma alta expressiva nos últimos meses: o feijão. A Folha da Região fez um levantamento nos principais supermercados da cidade e constatou um aumento de quase 50% no produto.

O feijão carioca, produto mais consumido entre os brasileiros, no começo do mês tinha uma faixa de preço de R$ 4,99 reais e subiu para R$ 5,99, o que representa um aumento de 20%. Já em outro supermercado, o produto tinha uma faixa de preço de R$ 2,99 e subiu para R$ 4,44, representando uma alta de 48,49%.

De acordo com especialistas, além da entressafra, a alta se explica por complicações climáticas e redução das áreas plantadas. Muitos produtores trocaram a área de feijão para o cultivo de milho e soja - produtos de exportação.

Quem sofre com esse aumento, são os consumidores. A dona de casa Meire Oliveira, 53 anos, comenta que quem sofre sempre com esses reajustes são os mais humildes. "Estou achando tudo isso um horror. Começou primeiro com o aumento do preço da carne, agora vamos sofrer com o preço do feijão. A gente precisa consumir. O governo não tem dado amparo e assistência para o povo brasileiro que precisa se alimentar", disse ela.

A diarista Flávia Regina Serafim Dias, de 41 anos, fala hoje tudo tem subido, menos o salário das pessoas. "Eu fui fazer compra há pouco tempo e me assustei. Fiquei procurando promoções, mas não encontrei nada. Voltei sem o feijão que eu queria para casa. Em uma compra de um mês que estou acostumada, voltei apenas com 1kg de feijão. A cesta básica está aumentando, mas o nosso salário se encontra totalmente defasado. Não está acompanhando a inflação e os preços de mercado. Ficamos nos perguntando o que vamos comer. Vamos com o mesmo valor do mês passado no mercado e não trazemos o mesmo de antes. Temos que ficar escolhendo o que levar e o que deixar de lado todo mês".

No Brasil, em um ano, até novembro, a carne bovina subiu 14,43%. No mesmo período, três variedades de feijão registraram altas maiores: feijão-branco (64,36%), feijão-carioca (42,88%) e feijão-fradinho (21,61%). Essas altas registradas são valores médios para o país. Os preços variam por região. Assim, o consumidor pode encontrar altas maiores ou menores quando vai às compras.

As informações foram divulgadas nesta sexta-feira (6) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e fazem parte do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que mede a inflação oficial no Brasil. A inflação subiu 0,51% em novembro, o pior resultado para o mês desde 2015, impulsionada pela disparada do preço da carne.

FEIJÃO SUBIU MAIS NO COMEÇO DO ANO
De acordo com o gerente da pesquisa, Pedro Kislanov, o feijão subiu significativamente no começo do ano, no período de entressafra. Depois, no meio do ano, o preço caiu, com a segunda safra. Em novembro, os feijões carioca (6,66%), branco (5,02%) e fradinho (4,53%) subiram, enquanto o preto (-1,71%) e o mulatinho (-8,15%), caíram.

O impacto do preço da carne no resultado da inflação é maior do que o do preço do feijão, porque a carne é mais cara. Então, ainda que o feijão tenha tido um aumento maior, impacta menos o IPCA, segundo Kislanov.

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