No editorial da edição deste sábado (9), a Folha da Região fez um chamado aos seus leitores para o respeito democrático à opinião do outro. Neste momento em que a esquerda comemora a soltura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que continua condenado, e a direita se une para defender o governo Bolsonaro, é importante que a serenidade seja evocada.
No mesmo texto, o jornal também reforçou seu compromisso com a liberdade de expressão. Continuará relatando os fatos como eles acontecem e dando voz a todos os lados.
O jornalismo responsável, que primamos por ele, baseia-se nos fatos. O jornal, como o repórter, não cria a realidade, não coloca palavras na boca das autoridades, nem rouba junto com os ladrões. A função do jornal é ser plural e respeitador. O fato de um diário, como este, dar a notícia da soltura de Lula não faz dele um jornal de esquerda, lulista.
É o mesmo que acontece quando retrata os fatos ligados aos governo federal. Não é porque saem as fotos e as palavras de Bolsonaro que o jornal é simpatizante. Seria o mesmo que falar que a edição deste domingo (10) ser são-paulina porque o time do Morumbi, que joga nesta tarde, é destaque na capa e na página de Esportes (A8).
Tirando a pequeníssima plateia apaixonada que ainda não entendeu que a democracia é a convivência com o contraditório, a grande maioria dos leitores já entendeu que a função dos veículos de comunicação é, principalmente, informar. E esta informação vem de todos os lados, checadas e publicadas com os dois lados. Claro que não há infabilidade. E o leitor também que vai além dos títulos sabe diferenciar o joio do trigo. Sabe quando um jornal, TV ou site é atrelado (para não dizer dependente) de um governo. Ali se deixa de discutir jornalismo sério, como defende este matutino.
Assim como se levanta em favor do respeito aos que pensam diferente e se aninha nas trincheiras pelo bom jornalismo, esta Folha também defende que as leis devem ser mais claras. O caso do ex-presidente Lula é uma mostra grave de que são as intenções por trás das interpretações das leis que prevalecem. Escritas de forma quase sempre dúbias para que a aplicação seja diferente de acordo com a cara (ou bolso ou poder político) do freguês, as leis brasileiras, em sua maioria, seguem a filosofia do Chacrinha, que dizia que veio ao mundo para confundir, e não para explicar.
Porém, há de se ter em mente que o aperfeiçoamento do sistema de Justiça não se dá com afrontas, arroubos ou estridências.
No Brasil, pela letra da Constituição de 1988, o sistema penal só é acionado após o esgotamento de todos os recursos para que se possa iniciar o cumprimento da pena. Em vários outros países não é assim, até mesmo porque isso torna as primeiras instâncias como quase que um enfeite. Como se não fossem capazes de realizar um julgamento correto. Sempre precisa o aval do Supremo, que acaba sobrecarregado e lento. Fato que beneficia principalmente quem tem algum poder.
Ao invés de discutir política rasa, os cidadãos deveriam se concentrar no que realmente faz a diferença na vida da nação: uma lei precisa que valha para Chicos e Franciscos.
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