Os membros da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), da Câmara de Araçatuba que investiga os contratos supostamente fraudados entre a Prefeitura de Araçatuba e as empresas IVVH e Bolívia, alvos da Operação #TudoNosso, deflagrada na primeira quinzena de agosto deste ano, desejam ouvir a ex-diretora de gestão do Executivo, Silvia Aparecida Teixeira, após a sabatina com os servidores municipais que operacionalizaram os contratos firmados entre a administração municipal e as instituições.
As empresas foram apontadas no inquérito da PF, tendo como dono o sindicalista, empresário e pecuarista José Avelino Pereira, conhecido como Chinelo. Na semana passada, os edis titulares da comissão ouviram apenas um membro da administração municipal, que não está envolvido no inquérito, e que compareceu no local para apresentar e explicar os trâmites dos contratos.
Silvia foi uma das cinco pessoas que tiveram a prisão temporária convertida em preventiva. Além dela, José Cláudio Ferreira, Thiago Henrique Braz Mendes, Igor Tiago Pereira, filho de Chinelo, e o próprio Chinelo também foram presos preventivamente. Atualmente, todos os cinco estão em liberdade.
A reunião desta quarta-feira (30), começou às 14h e terminou por volta das 18h. O presidente da comissão, vereador Dr. Alceu (PV), explicou para a reportagem da Folha da Região que a ida dos funcionários foi algo necessário para os vereadores entenderem melhor o processo licitatório da Prefeitura.
Além do presidente, a CPI também conta com a participação dos vereadores Dr. Jaime (PTB), relator; Dr. Almir (PSDB), terceiro membro titular; Dr. Flávio Salatino (MDB), primeiro suplente; e Gilberto Batata Mantovani (PL), segundo suplente.
Na sabatina, os servidores foram questionados sobre a contratação e renovação dos contratos com as empresas. De acordo com Dr. Alceu, muitos dos servidores ouvidos hoje já atuam na Prefeitura há muito tempo, desde a época do ex-prefeito Jorge Maluly Netto. “Os depoimentos serviram para esclarecer a formalidade dos contratos”, explica o vereador.
Nos próximos passos, a Comissão também ouvirá o secretário de Administração de Araçatuba, Arnaldo Morandi, e os fiscais dos contratos. “Queremos ter conhecimento desde o começo dos contratos para termos uma ideia geral, uma noção mais ampla de como esses contratos são feitos, como funcionam”, explica o presidente. A próxima reunião está marcada para quarta-feira (6/11).
TUDONOSSO
A Operação #TudoNosso investiga possíveis fraudes em contratos de empresas que seriam ligadas a Chinelo e o Executivo araçatubense. Na manhã do dia 13 de agosto, foram feitas buscas e apreensões no Paço Municipal e cumpridos mandados de prisão. Atualmente, 14 pessoas estão indiciadas, suspeitas de fazerem parte de uma organização criminosa que desviava dinheiro público da Prefeitura de Araçatuba por meio de licitações fraudulentas.
De acordo a PF, além de ser chefe desta organização, Chinelo também possuía forte influência política na região. Desta forma, ele teria indicado pessoas de confiança para ocupar cargos de livre nomeação na Prefeitura de Araçatuba. Com poder de decisão dentro de secretarias municipais, o empresário conseguia livre trânsito, articulação e informações privilegiadas relacionadas aos contratos da prefeitura, afirma a Polícia Federal.
Além disso, ele também teria criado um esquema de desvio de recursos públicos mediante a utilização de várias empresas registradas em nome de sócios e familiares, que atuavam como laranjas. A PF acredita que a organização movimentou mais de R$ 15 milhões.
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