Já teve a sensação das 24 horas do dia não serem suficientes para realizar tudo aquilo que você precisa fazer? Imagine, então, se nessa conta você também acrescentasse o que deseja fazer! Pois é.
Aceleramos tanto a vida que de tão rápida que ela está, nem a vemos passar. De repente são 20, 30, 40, 50 anos ou mais. Claro que o corpo avolumou, as rugas apareceram, os cabelos platinaram, mas você nem viu. Durante todos esses anos, alimentou-se do ânimo da juventude do espírito que, sejamos sinceros, nem está tão mais animado assim.
A verdade é que perdemos tempo trabalhando demais. A desculpa é sempre a mesma: melhorar de vida financeiramente. Comprar a casa própria, o carro automático, o celular de última geração (nem sempre nessa ordem) ou qualquer outro lançamento do mercado, tudo é motivo para mais hora extra ou trabalho extra.
Seguimos assim por tempo demais e muitos demoram para descobrir que nem todo o dinheiro do mundo pode nos salvar. No final dessa história chamada vida, todos sabemos, morremos.
Perdemos tempo brigando. Com a família, com os amigos, com os vizinhos, com todos aqueles que pensam diferente de nós. Brigamos por espaço, por política, por religião, porque a calçada não foi varrida, por tanta bobagem junta que, ao final, só sobra mágoa, ressentimento e dor. Mas poderia ser diferente se fôssemos menos orgulhosos, mais tolerantes, se julgássemos menos.
Mas tem situação pior. De uns tempos para cá, perdemos muito tempo no mundo virtual. Nas redes sociais, principalmente, curtimos e compartilhamos (e muitas vezes stalkeamos) dezenas de narrativas que não são - e talvez nunca serão - as nossas. Acabamos nos escondemos nos cenários perfeitos dos outros, nas comidas mais saborosas dos outros e nas roupas da moda que não cabem ou no nosso corpo ou no nosso bolso.
Gerenciar o tempo com a qualidade necessária para que ele nós traga uma vida boa, mas menos estressante, desgastante e frustrante talvez seja o maior desafio dos humanos hoje. Benjamin Franklin, um dos líderes da Revolução Americana, pregava que tempo é dinheiro. A psicanalista Maria Rita Kehl acredita que essa visão é uma brutalidade. Para ela, o tempo é o tecido das nossas vidas. E para você, o que é o tempo, leitor, e o que você está fazendo com ele?
Ayne Salviano é jornalista e gestora educacional
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