A epilepsia é uma enfermidade do cérebro, caracterizada por alterações nas ondas elétricas do mesmo. As ondas elétricas em si são normais e todas as pessoas possuem para o controle de estímulos dos órgãos do corpo humano, porém, quando há a desorganização dessas ondas, acontecem as crises epiléticas, causando perda da consciência, contrações musculares, alterações visuais e auditivas.
Segundo Hélio Hiller de Mesquita, neurologista de Araçatuba, para que tenha o diagnóstico de epilepsia, precisa haver uma série de crises repetidas. Se uma pessoa tiver uma crise de convulsão e não se repetir, não pode ser caracterizada como epilepsia. "A epilepsia pode ter várias causas. Genética, a pessoa já nasce com a tendência. Pode ser causada por complicações no parto, qualquer coisa que agrida o cérebro. Infecções no cérebro, meningite, traumas no crânio, tumores, cistos, hidrocefalia, distúrbios metabólicos, como por exemplo, a baixa de cálcio e alterações na circulação do cérebro. Tudo isso pode levar a epilepsia", diz.
Existem vários tipos de crise, porém, de acordo com o neurologista, a forma mais comum e que todos conhecem, é a convulsão generalizada. "É aquela crise que a pessoa perde subitamente a consciência, cai no chão, fica roxa, estica o corpo todo e depois começa a ter contrações em toda a musculatura do corpo. A respiração se torna barulhenta e, depois de alguns minutos, pelo mecanismo do próprio cérebro aquilo termina", explica. Há também outros tipos de crise epilética, algumas, inclusive, tão sutis que as pessoas ao redor não percebem. "Especialmente em crianças, às vezes elas podem perder a consciência apenas por alguns segundos. Por exemplo, está escrevendo durante a aula, de repente para, o olhar fica fixo em algum ponto por alguns segundos e depois retorna a escrever", diz o doutor.
A pessoa também pode ter manifestações, abalos nos músculos de um só lado do corpo, algumas manifestações motoras em que o olho e a cabeça viram para o lado e, alterações na consciência, sem desmaio. "A pessoa fica fora de si, porém continua executando coisas. Fica falando coisas sem sentido, caminhando, mexendo na própria roupa ou em algum objeto. Isso dura alguns minutos e depois a pessoa volta ao normal", completa. Outro tipo de crise possível é quando o paciente não reconhece o lugar onde está e pode até se perder na rua. De acordo com o especialista, é importante conhecer os diferentes tipos de crise porque o tratamento também vai ser diferente para cada caso.
A epilepsia pode acontecer em qualquer faixa de idade, tanto em homens quanto em mulheres. Em crianças, após uma complicação no parto e em idosos, devido a problemas circulatórios, cardíacos que afetam o cérebro. Porém, o mais comum é a manifestação da doença logo na infância ou adolescência. O médico ainda diz que, alguns tipos de epilepsia são curáveis. "Existem até epilepsias que são consideradas benignas, se curam sozinhas, sem tratamento. Podem ser algumas formas de epilepsia que ocorrem na infância; elas aparecem e se curam sozinhas", conta.
O tratamento mais habitual é feito com o uso de medicamentos. Existem vários tipos, atualmente, que podem tratar as crises compulsivas. "Um exame que muitas vezes auxilia para descobrir qual o tipo de crise do paciente e qual seria o seu tratamento adequado, é o eletroencefalograma, um mapeamento cerebral. Também é importante fazer exames de imagem, como tomografia e ressonância magnética", conta Mesquita. Se mesmo com o tratamento adequado, o paciente não apresentar bons resultados, existe a possibilidade de uma cirurgia. "Retiramos a área do cérebro responsável por causar as crises epiléticas", diz o neurologista.
Pacientes com a doença devem ter alguns cuidados habituais, por exemplo, na direção, para não ocorrer nenhum acidente e, no caso de alguma crise com alguém por perto, a pessoa deve deixar o paciente ter a sua crise completa. "Nada de querer botar o dedo na boca da pessoa, puxar a sua língua etc, nada disso funciona, pelo contrário, pode até prejudicar", fala o doutor. É importante que o paciente também tenha uma vida regrada, horário certo para dormir, uma alimentação balanceada, sono bem regulado, e evitar passar nervoso", finaliza.
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