Especial

Felipe Luiz de Oliveira: Drinks no Inferno

Por Redação |
| Tempo de leitura: 2 min

Semana passada escrevi sobre o início da ofensiva do STF contra as instituições que efetivamente trabalham no combate à corrupção no Brasil, a partir de um pedido de Flávio Bolsonaro para suspender as investigações que pesam (ou, melhor, pesavam) contra si.

Faltava o golpe de misericórdia, que veio essa semana com o voto de Rosa Weber para solapar a jurisprudência do tribunal e impedir o cumprimento de pena após condenação em segunda instância.

A sessão foi emocionante. Era o décimo ano de Dias Toffoli no STF e os ministros o saudaram pomposamente, naquela repugnante e característica lambeção recíproca, como se não fossem eles a expressão do pior que há no país.

Também foi descontraída: nos intervalos, Gilmar Mendes e Marco Aurélio foram prosear alegremente com os advogados presentes, que clamaram por “pretos e pobres” na tribuna, mas que advogam para brancos milionários, que em breve estarão a salvos.

Sem maior demora, o novo Procurador-Geral, indicado por Bolsonaro e aclamado pela Orcrim no Congresso, já começou a trabalhar: defendeu o inquérito ditatorial do STF e já sinalizou que os grampos ilegais em membros da Lava Jato podem ser utilizados como prova de suspeição do então juiz Sérgio Moro. Essas são, curiosamente, as teses de Gilmar Mendes.

Enquanto isso, a mulher de Toffoli se reúne com conselheiros da OAB para apresentar seu indicado para a vaga que se abrirá no STJ e já se fala na declaração de inconstitucionalidade da Lei da Ficha Limpa, pelo entendimento de que condenação em segundo grau também não basta para o reconhecimento de inelegibilidade.

Sobre tudo isso, nenhum pio do Presidente, que se manifesta sobre assuntos secundários: serve-nos drinks no inferno. Só eu sinto falta daquela valentia de antes?

O Antagonista pergunta se as ruas irão salvar a Operação. Nessa conjuntura, e de forma democrática, duvido e aposto contra: todas as fichas no preto, croupier!

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