O uso indiscriminado de eletrônicos é assunto ventilado na mídia de forma universal. Os aparelhos são as babás do momento, o amigo da hora, o confidente fiel das novas e inquietas gerações.
Fato inconteste: só no Brasil temos hoje dois dispositivos digitais por habitante, incluindo smartphones, computadores, notebooks e tablets. Em 2019, o País terá 420 milhões de aparelhos digitais ativos. É o que revela a 30ª Pesquisa Anual de Administração e Uso de Tecnologia da Informação nas Empresas, realizada pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP).
De nada adianta a demonização das novas tecnologias, visto que a maior ameaça é a negligência dos pais em acompanhar o uso das crianças por tais aparelhos.
Os pais, na verdade, são os responsáveis por essa situação, e não o mercado de produção de tecnologia. É responsabilidade do adulto permitir, coibir, dosar e controlar o uso desses brinquedinhos irresistíveis.
Essa cautela perante os filhos é mais um dever que o mundo contemporâneo nos impõe. E para que não despenhemos nos precipícios dos excessos e futuros caos, é preciso informações sobre os efeitos de tais equipamentos sobre o cérebro infantil, visto que seu sistema nervoso central está em formação.
Sabemos hoje que o uso de tais tecnologias por crianças de zero a três anos pode atrasar a fala e, consequentemente, trazer dificuldades no aprendizado e algumas complicações cognitivas, como diminuição da produtividade e memória claudicante, dentre outras.
A criança muito pequena precisa de interações reais e humanas para perceber-se e conhecer-se. Precisa de cheiros, toques, vozes, sentimentos e energias de vida para moldar-lhes o caráter do homem de bem. Ou seja: aparelhos eletrônicos de zero a três anos nem pensar.
Dos três anos e meio aos cinco anos talvez meia hora por dia. Dos seis aos 16 anos pode-se cogitar duas horas diárias.
O uso das tecnologias de forma indiscriminada pelas crianças e adolescentes tem refletido no painel escolar, pois é possível verificar uma sonolência diurna, ansiedade e mais sinais de inadaptações sociais.
O papel desafiador é oferecer às crianças e adolescentes outros recursos prazerosos e interessantes, como boas leituras, passeios ao ar livre, brincadeiras e um produto caríssimo, que poucos parecem possuir: tempo para investimento afetivo.
E lembrar: existe cultura para tecnologias e existe cultura para o coração.
Jane Maiolo é professora e pós-graduada em psicopedagogia. Vice-presidente da Sociedade Espírita Allan Kardec, em Jales e coidealizadora do Movimento Amor à Vida! Descreve esta Face Espírita/Ano 12 para publicação na Folha da Região.
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