As mudanças, nos âmbitos sociais, econômicos, tecnológicos, entre outros, trouxeram para o século XXI uma transformação em todas as fases da vida, mas principalmente, da terceira idade. Os brasileiros, segundo estudo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tem expectativa de vida de 80 anos para mulheres e de 73 anos para homens. Esses números cresceram cerca de 37% desde os anos 80 de acordo com dados da ONU, sendo o quarto maior registrado entre 202 países e territórios.
A OMS (Organização Mundial de Saúde) define a qualidade de vida como "percepção individual do indivíduo sobre sua situação, entendida num contexto cultural, em relação a expectativas e padrões de determinada sociedade", ou seja, a saúde de uma pessoa inclui o estado físico, mental, nível de independência, relacionamentos pessoais, dignidade e autonomia. Esses fatores, junto à divulgação e construção de bons hábitos, afetam diretamente a longevidade do ser humano.
Cada vez mais pessoas estão alcançando idades avançadas, adiando também a fase de fragilidades que o passar dos anos traz. Ainda é comum associar a velhice a solidão, abandono, incapacidade e doença, circunstâncias que Junko Fukada, diz desconhecer. Aos 65 anos, a aposentada é o perfeito retrato dessa nova fase em que o início da terceira idade se mantém ativa e independente. A aposentada gerencia sua casa junto ao marido. "Moramos e cuidamos de tudo sozinhos. Acho que não é o momento das nossas filhas se preocuparem com nossa saúde, ainda temos uns bons anos para doenças ou algo assim nos afetar, por conta da idade", diz Junko.
A aposentada não dispensa pedalar de bicicleta quando precisa, por exemplo, buscar algo no mercado ou visitar familiares. Ela conta que sempre teve uma vida livre de maus hábitos, como consumo de álcool e cigarros, além da alimentação equilibrada. "Nunca bebi ou fumei, o que já colabora demais para estar tão bem. Digo isso porque muita gente se impressiona ao saber minha idade, dizem que não aparento e pedem a receita para conseguir chegar aos 65 assim também".
Outro fator importante para um bom envelhecimento são os relacionamentos pessoais, criando e reforçando laços com amigos e família. Para Junko, o convívio social é essencial, já que muitas pessoas de seu círculo se sentem abandonadas. "Conheço muita gente que se sente isolada, o que pode ser ou não devido ao passado da pessoa. De qualquer maneira, precisamos demonstrar carinho por quem a gente gosta, nem que seja em pequenos atos. Todos os domingos recebemos minha filha e netos para o almoço, o que me enche de alegria".
Apesar de uma ótima saúde atual, Junko reconhece que em breve precisará tomar maiores cuidados, com visitas periódicas ao geriatra e exames de rotina. "Acredito que temos que cultivar bons hábitos desde a juventude, de olho no futuro para não depender de ninguém. É isso que fiz, e hoje, não tenho doenças ou nada que me impeça de viver bem sozinha, mas sei que minha saúde não permanecerá assim para sempre, querendo ou não, no futuro terei certas limitações", afirma Junko, que em seguida, declara: "O termo 'idoso' não é pejorativo. Sou idosa e isso apenas concretiza todas as minhas conquistas".
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