Na última quarta-feira estivemos em Brasília numa manifestação a favor da instalação da CPI da Lavatoga, no Senado Federal, cujo objetivo é investigar as condutas de ministros de tribunais superiores, notadamente do Supremo Tribunal Federal.
Brasília é a Meca do funcionalismo público, a terra prometida daquele 1% da população que está entre os mais ricos do país, e faz com que a cidade tenha a maior renda per capta do Brasil sem produzir nada além da administração da burocracia estatal.
É surreal esperar que esses participem de uma manifestação que não seja pra postular equiparação salarial ou de benefícios com outras categorias mais abastadas. Então, os presentes na manifestação eram pessoas de todo o país, menos de Brasília.
Como eu já conhecia como as coisas funcionam ali, não esperava muito da manifestação, mas, acabei surpreso, não pela quantidade de pessoas (cerca de duas ou três mil) mas pelo simbolismo que a manifestação teve.
As pessoas se reuniram na Praça dos Três Poderes, em frente ao STF, sob o Sol escaldante da cidade. Dois núcleos de movimentos estavam ali: os que pediam a instalação da CPI e os que pediam a intervenção militar 'constitucional'. Ali, acabaram misturados. Havia algo de diferente no ar.
Discursos extremamente ofensivos aos ministros do STF eram proferidos e sacos de tomates e bexigas com tinta vermelha estavam em meio aos manifestantes. Um desses pulou a grade de segurança com a bandeira do Brasil e foi retirado pelos seguranças. Foi o estopim.
Manifestantes começaram a derrubar as grades. Tomates e tinta vermelha começaram a voar. O batalhão de choque chegou e lançou gás lacrimogênio, que as pessoas pegavam e jogavam de volta ao STF. A praça virou uma zona de guerra. Pela primeira vez houve um conflito aberto entre manifestantes de direita e polícia, e a maioria adorou.
Foi algo isolado ou, como diria a torcida do Corinthians, acabou a "pas" nas manifestações da direita em Brasília?
Felipe Luiz de Oliveira é advogado
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