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Não seja o peão da vida - Por Jean Oliveira

Por Redação |
| Tempo de leitura: 3 min

Parábola é uma das mais eficientes formas de se transmitir conhecimento. Até mesmo Jesus adotou este meio simples para explicar coisas complexas.

Meu pai, por exemplo, quando queria falar comigo e meus irmãos sobre a vida, ele a comparava com uma corrida de obstáculos de uma Olimpíada

Ele dizia que a gente tinha que sempre estar preparados para superar os desafios e correr mais que nossos concorrentes. “O pódio é apenas aos vencedores. O resto será sempre o resto”, dizia ele, com gestos e voz encorpada.

Claro que para uma criança, era a melhor forma que ele encontrava para explicar sobre a competitividade da vida laboral, da importância do esforço pessoal e sobre mérito nas conquistas. Particularmente, eu gosto de ver a vida como um jogo de xadrez, com todas as suas nuances, complexidades e imprevisibilidade. Cabe a nós escolher qual o papel a representar.

Creio que mesmo quem nunca jogou xadrez sabe que o pior papel do jogo é o do peão. Esta é a peça mais numerosa e menos poderosa no tabuleiro de xadrez. Ele, obtuso no pensamento e já colocado para morrer primeiro, só se movimenta para frente.

Lento, no primeiro lance pode avançar uma ou duas casas. Depois, vai sempre de casa em casa, uma por vez, sendo jogado estrategicamente para a sua extinção para que as demais peças, mais importantes que ele, possam sobreviver e ser protagonistas. O peão no jogo só serve para servir ao Rei e à Rainha, e para ajudar o Bispo, a Torre e o Cavalo a fazerem seus papeis

A vida tem uma mania de querer que a gente sempre seja o peão. E a grande, mas a grande maioria das pessoas, adoram desempenhar este papel. E por qual motivo? Simples: para ser peão não é preciso pensar (tem sempre alguém que pensa para você). O peão, no começo do jogo, sempre se acha importante, porque os demais ficam parados e só ele se movimenta. Voluntarioso, ele se sacrifica pelos demais sem perceber que está sendo manipulado para o bem dos mais importantes.

A quem gosta do papel de peão, bom proveito. Sempre haverá lugar para estas pessoas nos partidos políticos, nas empresas, na família e até entre os amigos. É sempre aquele que faz o serviço pesado, que vive de migalhas de atenção e é o primeiro a ser limado nos momentos grandes.
E como não ser um peão? Ai é mais complicado. Vai exigir do candidato a pelo menos ser Cavalo ou Torre, e quem sabe um Bispo, um estudo mais aprofundado, noites com os livros, gastar menos dinheiro com diversão e mais com estudos.

Também vai exigir disciplina, autoconhecimento e uma grande dose de coragem. Alguns até chegam a Rainha ou Rei, mas ai é preciso aprender a ser o comandante dos peões. E para isso, você vai ter que entender que ou você joga ou é jogado. Fica o convite: não seja o peão da vida. É mediocridade demais.

Jean Oliveira é jornalista, bacharel em Turismo e funcionário público municipal.

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