Opinião

Sobre bom exemplos - Por Fernando Verga

Por Redação |
| Tempo de leitura: 2 min

Alunos costumam desabafar sobre pressões em relação aos estudos, estágio e trabalho, tanto as da sociedade quanto as autoimpostas. Como também recebo e me imputo pressões, procuro acalmar quem me procura para relatar algum temor em relação ao futuro mostrando que pressa não pavimenta bons caminhos e que o medo pode ser usado para criar autonomia.

Todos nós sofremos pressões. Pessoas pressionam as outras para esconder inseguranças e camuflar a falta de coragem para tomar iniciativas; outros pressionam por também sentirem-se encurralados. Tento explicar essa dinâmica social de forma crítica para os estudantes a partir dos conhecimentos que eles apreendem e desenvolvem na universidade.

Minha esperança é fazê-los perceber quão capazes são para identificar essas situações e superá-las a partir da sua própria construção intelectual, valorizando sua história e fazendo-os trilhar sua própria jornada com serenidade. Mas como fazer o aluno desmotivado, pressionado ou amedrontado se convencer desta sensação de capacidade? É preciso aquilo que mais falta na sociedade contemporânea: empatia.

Notei que usar os chamados bons exemplos surte dois efeitos antagônicos: aquele que se espera, o da motivação, e aquele indesejável, o da cobrança, cuja consequência é mais desmotivação. A sala de aula é uma lavoura de sonhos, alguns mais tangíveis, outros nem tanto, porém, nunca impossíveis. Como se vive numa cultura de supervalorização da conquista, o jovem tende a fazer comparações entre seus resultados e os dos exemplos, muitas vezes casos de exceção.

Assim, alguns se perdem em sentimentos de desvalorização das próprias conquistas; outros nem as reconhecem e deixam de sonhar. Para ajudá-los a superar esses sentimentos, conto minhas experiências ruins e sobre como aprendi com elas, mostrando que é normal ter medo e desmotivação. O mais importante é continuar e organizar a rotina na direção dos seus objetivos, entendendo que bons exemplos não são perfeitos e não servem para todos.

Quando você se conhece (precisei de terapia para isso), se respeita mais e age melhor em prol de seus sonhos, traçando seu próprio caminho independentemente das pressões, que com o tempo vão se tornando insignificantes.
Fernando Verga é jornalista mestre em comunicação

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