Domingo passado escrevi nesta Folha sobre a prova de redação no Enem - Exame Nacional do Ensino Médio, que acontece dia 3 de novembro próximo. Expliquei que ela não deve ser vista como o "lobo mau" da história, mas, sim, como uma grande oportunidade de conquistar a vaga na universidade pública, boa e gratuita. Primeiramente, mostrei a necessidade de o candidato ser um bom leitor para entender o que se pede na proposta. Hoje abordarei a estrutura do texto com destaque para a primeira parte dele, a introdução, que chamamos de tese.
O gênero exigido é a dissertação-argumentativa, um tipo de produção textual onde o autor deve defender um ponto de vista sobre o tema abordado e provar, com raciocínio lógico, porque sua opinião faz sentido. A ideia é dividir a redação em três momentos - introdução, desenvolvimento e conclusão - com pelo menos quatro parágrafos, cada um com cinco a sete linhas, uma vez que o limite máximo é de 30 linhas.
Há vários modelos de textos dissertativos-argumentativos, mas os que têm recebido as notas mais altas nos exames anteriores têm algumas características em comum a começar pela introdução composta por três etapas: contextualização, apresentação do tema e opinião, todas no primeiro parágrafo.
Contextualizar significa estabelecer um contexto para introduzir a discussão proposta. Assim, se o tema for o movimento antivacina, o candidato pode contextualizar relembrando um fato histórico chamado a Revolta da Vacina, ocorrido no Rio de Janeiro no início dos anos 1900, quando a população se rebelou contra a obrigação de se vacinar para combater a varíola.
Depois dessa contextualização pode-se traçar um paralelo com os dias atuais, quando o Brasil enfrenta a volta do sarampo e da poliomielite porque a população está com baixa cobertura vacinal, e defende-se, por exemplo, a tese que a vacinação não pode ser uma escolha pessoal porque afeta toda a sociedade.
Perceberam como quem escreve a redação do Enem precisa ter um repertório grande com conhecimentos que vão de história a atualidades, passando por filosofia, sociologia, política, economia, meio ambiente, entre tantas outras áreas do conhecimento? Sim, este é o grande diferencial entre os candidatos.
Mas trataremos desse assunto e da argumentação na semana que vem.
Ayne Salviano é jornalista e professora
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