Opinião

Tocha - Por Padre Charles Borg

Por Redação |
| Tempo de leitura: 2 min

Aprendeu-se a não confiar em promessas! Promessas e juramentos permanecem válidos enquanto úteis. Diante dessa volúvel realidade, o cidadão habitua-se a ampliar garantias como forma de assegurar o mínimo de estabilidade. Essa situação de indefinição atrofia iniciativas e mutila a autoestima. Acreditar em alguém é necessidade fundamental caso se deseje progredir com consistência.

Profundo conhecedor da alma humana, Deus tratou de deixar claras suas promessas, sempre amparadas em sinais sensíveis capazes de eliminar dúvidas e revigorar confianças. Ao julgar oportuno revelar sua mais sublime promessa - garantir à humanidade vida plena e abundante - o Todo-poderoso cuida de fazer essa promessa ser acompanhada por um inconfundível sinal: Jesus Cristo. Assumindo plenamente a condição humana, com suas virtudes e limitações, Jesus ensina, com o apoio de simples e precisas orientações, que é possível levar uma vida honesta e caridosa, mesmo diante da absurda resistência e da insensata arrogância das lideranças de plantão. Levou este projeto até o trágico fim, morrendo pela causa. Ao ressuscitar, todavia, comprova que a promessa pode sofrer violenta oposição, mas jamais será revogada. A pessoa de Jesus é o sinal concreto da consistência da divina promessa, garantir à humanidade vida digna e plena.

A cruel realidade confronta a solene promessa. A sequência de duros sofrimentos globais parece confirmar o ceticismo: trata-se de mais uma promessa demagoga. Se Deus, afinal, não se omite, como explicar esse doloroso quadro? A mais contundente resposta emerge da fé: se Jesus ressuscitou a humanidade também ressuscitará! No entanto, urge compenetrar-se da sábia pedagogia divina resumida na condição humana de Jesus Cristo: a salvação da humanidade não acontece sem a determinada e consciente cooperação do ser humano. Deus fez o Homem soberano. Dotou-o de inteligência e liberdade. Seria incongruente querer salva-lo sem que ele mesmo colaborasse para garantir o seu resgate. A restauração da humanidade passa pela incondicional fé no autor da promessa. Que gera, por sua vez, íntima sintonia entre dois agentes soberanos, Deus, de um lado, e o Homem, do outro. Nessa voluntária e consciente comunhão entre Deus e o Homem, encontra-se o caminho para a plena realização do ser humano. A triste e trágica situação do mundo deve-se à teimosa resistência humana de deixar-se educar por Deus. Convencido, julga-se o Homem capaz de conseguir paz e progresso, por seus próprios méritos e capacitações.

Quando promete, Deus não trai jamais! Falta ao Homem a humildade para crer na promessa divina e a docilidade para mudar referências e ajustar preferências. Enquanto persiste aferrado à sua arrogante presunção, conflitos continuarão a se multiplicar e mais tempo demorará para o Homem ver a luz triunfar e a justiça da salvação brilhar como tocha ardente e luminosa!
Padre Charles Borg é vigário-geral da Diocese de Araçatuba

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