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‘Setembro Amarelo’: Psicóloga esclarece dúvidas sobre o suicídio e a depressão

Por Redação |
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Reprodução internet
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Durante o mês de setembro é feita a campanha "Setembro Amarelo", voltada para a conscientização da prevenção do suicídio. Foi criado em 2015 no Brasil, pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), Conselho Federal de Medicina (CFM) e Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), com a proposta de associar à cor ao mês que marca o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, em 10 de setembro.

Segundo a psicóloga Cláudia Gonçalves Belazi, de Araçatuba, o suicídio é a segunda maior causa de mortes entre pessoas de 15 a 35 anos e, para ela, a primeira medida preventiva da campanha é a educação. "É preciso perder o medo de se falar sobre o assunto. O caminho é quebrar tabus e compartilhar informações. Esclarecer, conscientizar, estimular o diálogo e abrir espaço para campanhas como essa, contribui para tirar o assunto da invisibilidade e, assim, mudar a realidade", diz.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a cada 40 segundos uma pessoa morre por suicídio em algum lugar do mundo. Isso significa que, em um ano, mais de 800 mil pessoas perdem a sua vida dessa forma. "Quando entendemos que o suicídio é uma realidade que pode afetar pessoas a nossa volta, fica mais claro que é fundamental conversarmos a respeito. Os suicídios podem ser evitados desde que tenhamos conhecimento sobre seus sintomas, suas causas, e formas de evitá-lo", fala a psicóloga

COMO IDENTIFICAR OS SINTOMAS?
A psicóloga explica que o comportamento suicida, principalmente nos jovens, normalmente surge como consequência de uma doença psicológica não tratada, como é o caso da depressão, síndrome do estresse pós-traumático ou esquizofrenia. Ela também dá uma lista de alguns sinais de comportamento suicida, que é preciso ficar atento: tristeza excessiva e falta de vontade de estar com outras pessoas, alteração repentina do comportamento com uso de roupa muito diferente do habitual, tratar de vários assuntos pendentes ou fazer um testamento, demonstrar calma e despreocupação depois de um período de grande tristeza ou depressão e fazer ameaças de suicídio frequentes. "Este comportamento pode ser evitado, especialmente quando os familiares e amigos conseguem identificá-lo e ajudam a pessoa a iniciar tratamento adequado. Isto porque, na maior parte dos casos, a pessoa já não é capaz de identificar outras soluções para a crise emocional que está passando", ressalta Belazi

PREVENÇÃO 1
Ao identificar os sinais, o primeiro passo para ajudar na prevenção do suicídio é conversar com a pessoa, porém a psicóloga deixa mais uma dica importante. "Deixe que a pessoa fale, sem emitir julgamentos ou opiniões sobre o assunto. Deixe bem claro que a vontade é apenas ajudar. O que devemos lembrar sempre é que não podemos medir a dor dos outros pelas nossas experiências pessoais e entender que o que não nos afeta, não necessariamente não causa dor e sofrimento no outro", completa a psicóloga

DEPRESSÃO
A depressão atinge mais de 350 milhões de pessoas no mundo e é a principal causa do suicídio. Ela é caracterizada pela perda ou diminuição de interesse e prazer pela vida, gerando angústia e prostração, algumas vezes sem um motivo evidente. A doença tem afetado principalmente adolescentes, entre 12 e 18 anos. Hoje, a depressão é considerada a quarta principal causa de incapacitação. Esse transtorno psiquiátrico atinge pessoas de qualquer idade, embora seja mais frequente entre mulheres

Para os jovens, lidar com a depressão é bem complicado. Fatores como sexualidade, a dificuldade de lidar com problemas, pressão por uma escolha de carreira e por um bom desempenho escolar têm grande influência entre as principais causas da doença. Outros possíveis estímulos para o surgimento da depressão na adolescência são os hormônios à mil, já que eles podem deixar jovem mais impulsivo, o turbilhão de emoções que essa fase pode causar, e a dificuldade do jovem de reconhecer bem seus próprios sentimentos, além de vários traumas, como por exemplo, a perda de alguém muito próximo

De acordo com a psicóloga, a depressão não promove apenas uma sensação de infelicidade crônica, mas também incita alterações fisiológicas, como baixas no sistema imunológico e o aumento de processos inflamatórios. "Por essas e outras, a figura já é vista como um fator de risco para condições como as doenças cardiovasculares", explica

Os sintomas e sinais da depressão de modo geral são vários. Cansaço extremo, irritabilidade, angústia, ansiedade exacerbada, baixa auto-estima, insônia, pensamentos pessimistas, falta de interesse em atividades que antes davam prazer, dificuldade para se concentrar e sensação de impotência. Os fatores de risco também são variados: histórico familiar, transtornos psiquiátricos correlatos, excesso de peso, sedentarismo, vícios (álcool e drogas), uso excessivo da internet e redes sociais, pancadas na cabeça, enxaqueca crônica etc

PREVENÇÃO 2
Segundo a psicóloga, para espantar a tristeza sem fim da rotina, é importante gerenciar o estresse e compartilhar as dificuldades do dia-a-dia. "Ler, aprender coisas novas, fazer hobbies e se divertir ajudam a manter a cabeça ativa e livre de pensamentos negativos ou preocupações excessivas. Outro conselho é também praticar atividade física regularmente, inclusive porque estudos atestam que elas incentivam a liberação de hormônios e outras substâncias importantes para a manutenção do humor. Por fim, não tenha receio de procurar ajuda profissional", finaliza.

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