A função de um movimento político-social como o MBL, além da função cultural de disseminação de sua ideologia, é pautar demandas políticas junto à população e os poderes institucionais e organizar a sociedade para atingi-las, utilizando os meios de pressão adequados.
Modo de se exemplificar essa atuação é rememorar o processo de impeachment, que não caiu do céu, mas foi resultado de uma ação contínua e coordenada pelo MBL, e que foi retratada de modo magistral por Alexandre Santos e Fred Rauh, no documentário "Não vai ter golpe", que acaba de ser lançado.
O MBL começou a falar em impeachment em 2014, após a reeleição de Dilma. Desse início até a aprovação do pedido no Senado, houve uma atuação constante na internet, no Congresso, manifestações por todo o país, uma marcha à Brasília e acampamentos no Planalto Central.
Parece que foi uma atuação espaçada, mas, pelo contrário, foi uma atuação diária dos membros do movimento. Custou suor e sangue. Quando deixei meu escritório pra me dedicar exclusivamente a isso, vi um atropelamento que deixou uma coordenadora com traumatismo craniano e Kim com um braço arrebentado; vi pessoas furadas e agredidas pelo MST a mando de Sibá Machado (PT); pessoas com pneumonia e anêmicas. Nunca cogitamos recuar, porque sabíamos que o MBL, não outro movimento ou outro político, era a linha de frente do processo, que nós começamos e iríamos terminar, custasse o que for.
Organizamos a sociedade, obrigamos a grande mídia a falar sobre impeachment, articulamos até a oposição institucional dentro do Congresso e entregamos o que prometemos em cima de trios-elétricos pelo Brasil.
Eu não faço parte do MBL há anos, e fui responsabilizado injustamente(?) por problemas ocorridos aqui após minha saída. Poderia aproveitar a maré contrária e jogar pedras no movimento (que também erra), mas, prefiro o lado da justiça. E, digo: quando o país precisar, o MBL vai estar lá, na linha de frente, em meio ao caos.
Felipe Luiz de Oliveira é advogado e membro do ilan
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