A população mundial está envelhecendo. E, isso é um privilégio, porque até o século XVIII a estimativa de vida era de 30 anos. Isso há apenas 200, 300 anos atrás. Hoje a expectativa de vida do brasileiro é de 76 anos. Projeções mostram que o número de brasileiros acima de 80 anos em 2060 deve ultrapassar os 19 milhões, número pouco menor que a população de São Paulo e Minas Gerais. Segundo Fabiano Moulin, médico neurologista e professor da Unifesp, o problema é que os que chegam a essa idade no Brasil hoje têm pelo menos 50% de chance de desenvolver Alzheimer. Dados da Organização Mundial de Saúde apontam que nosso país será um dos maiores em incidência e prevalência da doença. Portanto, os que não desenvolverem a doença provavelmente cuidarão de alguém que a tenha desenvolvido. Segundo ele, isso ocorre porque o Alzheimer não é apenas uma doença do cérebro, mas uma doença da sociedade. Nem todas as suas causas são genéticas. Estimativas recentes apontam que 50% dos pacientes hoje com Alzheimer poderiam não ter desenvolvido a doença se tivessem mudado seu estilo de vida. Mas isso não envolve apenas o indivíduo, envolve políticas públicas de saúde e educação para a prevenção e, países em desenvolvimento como o nosso não possuem programas eficazes para tal. Em países desenvolvidos, como a Suécia e o Japão, a incidência da doença vem diminuindo ano a ano, resultado de políticas eficientes nessa área. As principais formas de prevenção da doença são: evitar tabagismo e bebidas alcoólicas, dieta balanceada (com diminuição de carboidratos simples), manter a mente sempre ativa através de estudos, jogos, aprendizagem de algo novo e desafiador para a mente e atividades físicas. Estudos comprovam, por exemplo, que a prática de atividade física 3 vezes por semana, reduz em 50% a chance de desenvolver Alzheimer. Controlar a obesidade, hipertensão e níveis de Colesterol e Triglicérides também é essencial.
Desse modo, é urgente o desenvolvimento pelo Estado de políticas públicas onde a população seja alertada e educada para então entender o processo de envelhecimento e tomar as atitudes de prevenção adequadas e efetivas.
Ana Laura de Almeida é cirurgiã dentista
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