Opinião

Cristão? - Por Roberto César dos Santos

Por Redação |
| Tempo de leitura: 3 min

Assistindo a alguns vídeos de entrevistas com Chico Xavier me deparei com uma concedida em 2000, dois anos antes da desencarnação dele. Entrevista curta, mas com ensinamento profundo. O repórter pergunta: Do que as pessoas mais precisam hoje em dia? Chico responde: De Jesus. O povo está muito disperso. Mais do que pão. Repórter: Mais do que pão? Chico: De pão tem muita assistência. Repórter: Abrir o coração para Jesus? Chico: Se abrisse o coração para Jesus, mudava o país! Jesus é a nossa referência. Em O Livro dos Espíritos, na questão 625, Allan Kardec pergunta: Qual o tipo mais perfeito que Deus ofereceu ao homem como modelo e guia? Os Espíritos respondem: Jesus. Quando temos alguém por modelo significa dizer, conforme o dicionário: “Aquilo que serve de objeto de imitação.” Portanto, Jesus deveria ser imitado e ser nossa referência, nos mínimos atos de nossa vida.

Mas muitos acreditam que a condição Crística, tal qual a de Jesus, é inatingível. E, assim, mais uma vez negamos seus ensinamentos conforme registrado em João, 14:12: “Em verdade, em verdade vos asseguro que aquele que crê em mim fará também as obras que Eu faço, e outras maiores fará.” Será que ser Cristão significa somente aceitar Jesus como salvador e tudo estará bem? É lamentável perceber que, de Cristão, só temos o rótulo. Quando Jesus transmite seus ensinamentos, Ele recomenda que devemos não perdoar sete vezes, mas setenta vezes sete. E quantos de nós estamos dispostos a perdoar? Em outro momento somos convidados a “amar nossos inimigos”, mas temos dificuldades de amar – principalmente – aos membros de nossa família. Não compreendemos a frase "Se alguém lhe bate na face direita, oferece a outra", porque achamos que é uma atitude covarde. Porém, o que Jesus nos diz é que não devemos reagir, porque reagir é agir da mesma forma que o agressor. A outra face deveria ser nossa ação no sentido oposto da agressão, ou seja, a mansuetude, a bondade, o amor, a tolerância. Se nos deparássemos hoje com a frase "Quem estiver sem pecado que atire a primeira pedra", qual seria nossa atitude? Não precisamos pensar muito, basta um olhar para as redes sociais. Trocamos as pedras pelos “likes”. E qual será o tamanho da nossa fé? Porque Jesus nos diz: "Se tiverdes a fé do tamanho de um grão de mostarda…” Ainda estamos construindo nossa fé porque, normalmente, só a temos nos momentos em que tudo está bem. Quando as coisas desandam, nossa fé desanda junto. Não confiamos em Deus, não acreditamos em Jesus e nos revoltamos. Por que? Porque não temos a bendita fé, que nos faria olhar para um episódio difícil como uma oportunidade de crescimento, de aprendizado, de desenvolver nossas potencialidades. Tais citações são um pequeno recorte do que deveria ser a bandeira e a vivência daquele que se diz Cristão, mas no cotidiano vamos arrumando desculpas e ajustando as lições de Jesus à nossa imperfeição. Deixamos para depois, postergando nossa entrada no “reino dos céus”. Lamentável perceber que só estampamos o rótulo de Cristão. Mera fachada…
Roberto César dos Santos é gestor de recursos humanos, dirigente na USE (União das Sociedades Espíritas) Regional de Araçatuba e voluntário na Instituição Nosso Lar, na mesma cidade. Descreve esta Face Espírita/Ano 12 para publicação exclusiva na Folha da Região.

Fale com o Folha da Região!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários